DJI e Parrot brilharam na maior feira de eletrônicos do mundo. Regulamentação do uso comercial de drones está próxima nos Estados Unidos e também no Brasil

A Parrot, é uma empresa francesa de drones
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A Parrot, é uma empresa francesa de drones

Com a regulamentação do uso comercial dos drones cada vez mais próximo, não é de se espantar que a área dedicada a esses robôs voadores na  CES 2015 tenha sido uma das maiores. Mais do que isso: foi a primeira vez na história da maior feira de eletrônicos do mundo que os drones ganharam uma seção só para eles, com mais de 20 empresas tomando conta do espaço, inclusive aéreo.

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Também, pudera, segundo agências de notícias internacionais como a Associated Press, funcionários da Administração de Aviação Federal, a FAA na sigla em inglês, já sinalizaram que devem propor regras de uso comercial neste ano. Provavelmente, as regras terão de passar pelo Congresso, mas messmo assim, tais autoridades acreditam que a questão deva ser resolvida até o início de 2015.

O maior temor das autoridades da FAA ainda são as aeronaves comerciais, aviões e helicópteros, um dos temores da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac. Em resposta ao iG , a entidade brasileira disse estar em processo de desenvolvimento da proposta de regulamentação de operações não experimentais de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAS) civis em áreas segregadas. A proposta deverá ser submetida ao processo de audiência pública até o 1° semestre de 2015. Até que o plano se concretize, a ANAC avaliará caso a caso os requerimentos para esse tipo de operação.

O andamento das regulamentações não é uma boa notícia apenas para o consumidor, mas principalmente para as empresas que estão apostando nessa tecnologia. De acordo com a Consumer Eletronics Association, entidade responsável pela organização da CES, a receita global do setor deve atingir US$ 130 milhões neste ano, um aumento de mais de 50% em relação ao ano passado.


Drones são sucesso na CES 2015

Neste ano, uma das grandes novidades da CES 2015 era o suporte de câmera para o drone Inspire 1, da DJI, que permite que o cliente use a mesma câmera do drone nas mãos em um suporte com visor, microfone embutido e uma bateria própria. O mais recente modelo da DJI, o Inspire 1, lançado em novembro, carrega uma câmera que pode enviar vídeo ao vivo para um smartphone, tem GPS e um sistema que compensa vento e ajuda a segurá-lo no ar. O Inspire 1 é capaz de voar por 18 minutos e chegar a 2 km de distância sem perder a comunicação com seu controle remoto.

A chinesa DJI é a maior fornecedora de drones civis na atualidade. Em outubro, a empresa entrou brevemente na cultura pop americana quando um personagem de "South Park" apareceu usando o drone Phantom para espiar seus vizinhos. A fabricante de software Pix4D projetou um aplicativo para transformar imagens filmadas por drones em mapas tridimensionais. Já a Huawei disse que seu próximo modelo de smartphone terá um app para controlar dos drones DJI e receber vídeo ao vivo.

Além da DJI, estavam na CES 2015 a francesa Parrot e a 3D Robotics, dos Estados Unidos. Quando o assunto é usos comerciais para os drones, grande parte das empresas apostam desde filmes, coberturas de noticiário, como fará a CNN , até o monitoramento de campos agrícolas de pesquisa ou de petróleo, bem como drones atuando na inspeção de linhas de energia e de oleodutos.

Na CES 2015, a Parrot mostrou a atualização do quadricóptero eXom, capaz de fazer voos autônomos. A grande sensação, porém, foram os minidrones, usados inclusive para apresentações de entretenimento no estande. Os minidrones Jumping Sumo e Rolling Spider, ambos equipados com câmeras e compatíveis com aplicativos para dispositivos móveis, devem chegar a alguns mercados selecionados já em 2015.

Novos recursos e automação

A CES também mostrou que um novo recurso deve atrair ainda mais a atenção dos entusiastas. Trata-se do "siga-me", tecnologia que permite que o drone acompanhe, fotografe ou filme o usuário que estiver usando no pulso um dispositivo de rastreamento. O AirDog, que está em campanha no Kickstarter, se beneficia desse recurso, enquanto a Nixie, que ganhou uma competição promovida pela Intel, faz algo bastante similar.

No palco da CES, Brian Krzanich, CEO da Intel, e os fundadores da empresa, Christoph Kohstall e Jelena Jovanovic, posaram para a primeira foto da Nixie. A Nixie é usada como uma pulseira, que se desdobra e voa para tirar a foto do momento escolhido.

A Qualcomm também mostrou alguns experimentos que vem fazendo em robótica, especificamente com drones, a partir do poder de processamento do seu mais recente chip para smartphones, o Snapdragon 810. Para Serafin Diaz, vice-presidente de engenharia da Qualcomm, o futuro dos drones é a automação. Na sua opinião, os drones serão efetivamente capazes de ajudar os seres humanos no dia-a-dia, poderão fazer mais do que só que voar. Alguns dos robôs mostrados pela empresa eram capazes de pegar objetos e de encanear ambientes graças aos seus sensores e também a suas câmeras 3D.

ASSISTA: Minidrones da Parrot fazem apresentação de dança no estande na CES

*A jornalista viajou a Las Vegas a convite da Qualcomm.

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