Durante a CES 2015, testamos a última versão do projeto de realidade virtual da Oculus Rift, o Crescent Bay

Crescent Bay é o nome do mais recente protótipo da Oculus Rift
Divulgação
Crescent Bay é o nome do mais recente protótipo da Oculus Rift

Foram pouco menos de dez minutos, mas já foram suficientes para deixar uma ótima primeira impressão. E um gostinho de quero mais. Eu que já havia experimentado o Gear VR, parceria da Samsung com a Oculus, fiquei realmente espantada com o que eles conseguiram fazer com o projeto Crescent Bay.

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Segundo a própria empresa, comprada no ano passado pelo Facebook por US$ 4,6 milhões , o Crescent Bay ainda é um protótipo. Isso porém não diminui suas qualidades. Ao que parece, pelo menos para mim, é o melhor produto de realidade virtual já feito até então.

Desde o início da CES 2015 , o estande esteve rodeado de filas de pessoas querendo testar o possível produto. Um app criado especialmente para o evento permitia que o público agendasse seu horário de demonstração, mas já no primeiro dia quase todas as opções estavam esgotadas. A cada atualização do aplicativo, mais e mais horários esgotavam. A maior feira de eletrônicos do mundo é curta: são apenas quatro dias. Consegui para o final da tarde do dia seguinte, uma quarta-feira (7).

Na fila, a ansiedade do público contagiava os promotores. Ou vice-versa. Fiquei menos de 30 minutos na fila e dois atendentes vieram confirmar se eu estava na fila certa, na fila de quem tinha marcado a demonstração, se eu já havia experimentado algum óculos de realidade virtual (sim, o Gear VR), e se eu estava empolgada com a experiência. Eu, que já estava curiosa, fiquei ainda mais. Um deles me disse que o protótipo era um “ mind-blowing ”, ou seja, impressionante e muito melhor do que eu poderia esperar.

Sem produto para mostrar, o estande da Oculus era basicamento feito de pequenas e escuras salas para a realização das demonstrações. Entrei em uma delas quando chegou minha vez. Com as paredes cobertas de espumas para isolar o som, a sala era toda pintada de preto. Num canto estava um monitor com uma imagem duplicada, estereoscópica, e, conectado ao que parecia ser um PC rodando Windows, o Oculus Rift Crescent Bay Prototype. A mudança mais perceptível eram os fones de ouvido acoplados ao protótipo, o que depois eu confirmaria que faz toda a diferença.

Além disso, o projeto traz um novo display, capacidade de rastrear os movimentos do usuário em 360 graus e um áudio 3D de alta qualidade. Ele também está mais leve e mais anatômico do que o original. Eu que não experimentei o primeiro protótipo não pude comparar, mas posso dizer que me incomodou menos que o Gear VR .

Antes de começar a demonstração, o instrutor me pediu que cuidasse para não sair de um pequeno tablado, isto é, que estudasse a demarcação do espaço e o respeitasse. Caso contrário, eu poderia dar de cara na parede, por exemplo. Só quando um dos meus pés escapava do quadrado é que eu voltava à realidade. De resto, estive totalmente imersa na virtualidade.

Foram dez minutos e dez demos. Algumas são tão rápidas que é difícil descrever com a riqueza de detalhes que o cenário requer. Uma das mais chamativas é a de um Tiranossauro Rex, que aparece logo no início, parado e bem próximo do usuário, mas que naquele momento só bufava e olhava fixo para mim. Parecia estar numa sala enjaulado ou coisa parecida. Mais tarde, em outra experiência, ele não só aparece se movimentando dentro do que eu consideraria um museu, como está muito maior e chega bem perto do usuário. Lembro-me de ter gritado um pouco e de só ter relaxado quando ele decidiu passar por cima de mim ao invés de me devorar. Ou pisar em mim.

Robôs brigam por causa de um pato de borracha em uma das demos mostradas no estande da Oculus na CES 2015
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Robôs brigam por causa de um pato de borracha em uma das demos mostradas no estande da Oculus na CES 2015

Outra demonstração bastante divertida era uma em que dois robôs com braços de garra brigavam por um pato de borracha, daqueles amarelos de colocar na banheira das crianças. No meio do empurra-empurra que acontece ao redor do usuário, que roda no próprio eixo para acompanhar a cena, eles sacam varinhas mágicas e começam uma luta digna de filme da Disney. Em algum momento, um deles consegue transformar o outro em um pato gigante de borracha e com ele acaba feliz.

Quando você se vê no alto de um prédio em uma cidade iluminada e barulhenta e se inclina para frente para dar uma olhada no que lhe espera é quase impossível não sentir vertigem. Mesmo sabendo que se tratava de uma realidade virtual, eu não tive coragem de dar um passo para a frente. Em uma das últimas demonstrações, o usuário é colocado no meio de uma cena de ação e é impossível não tentar desviar das balas, dos destroços e do enorme monstro que se aproxima.

Na saída da sala minha vontade era de contar para alguém quão incríveis tinham sido aqueles dez minutos com o Oculus Rift Crescent Bay. Rodeada de estrangeiros, me limitei a dizer que tinha sido realmente muito louco e que eu mal podia esperar pela versão final. Na saída do estande, liguei para a primeira pessoa da minha lista de contatos no Brasil e disse: o Oculus é mesmo animal! E eu que nunca uso esse adjetivo não consegui achar outro melhor para o acessório até agora.

*A jornalista viajou para Las Vegas a convite da Qualcomm.

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