Cris Anderson, jornalista ex-editor da revista 'Wired' e atual CEO da 3D Robotics, foi atração de evento em SP

Ex-editor da revista Wired e CEO da 3D Robotics, Cris Anderson esteve na Campus Party 2015
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Ex-editor da revista Wired e CEO da 3D Robotics, Cris Anderson esteve na Campus Party 2015

Ex-editor-chefe da aclamada revista Wired e atual CEO da 3D Robotics, Cris Anderson fechou o segundo dia de Campus Party contando como virou um empreendedor do incipiente mercado de drones e porque o Brasil deve apostar no seu potencial criativo.

Na opinião do norte-americano, considerado um guru da tecnologia desde o lançamento do livro "A Cauda Longa", qualquer um pode se tornar um criador, mesmo no Brasil. 

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Ao público do evento, o jornalista contou como uma brincadeira com seus filhos, de fazer um robô funcionar e um avião levantar voo, lá em 2007, foi o começo da sua empreitada. Ao buscar ferramentas para tentar realizar os desejos dos seus filhos na internet, Anderson não só descobriu os drones, mas como fazê-los e toda uma comunidade de entusiastas desses pequenos robôs voadores.

Essas descobertas incentivaram Anderson a criar o site DIY drones, a maior comunidade sobre veículos aéreos não tripulados de uso pessoal. DYI é uma popular sigla para "Do It Yoursefl", ou Faça Você Mesmo na tradução livre para o português, e tem tudo a ver com o pensamento do jornalista sobre tecnologia. O site foi criado para que não só Anderson e seus filhos, mas todos aqueles interessados em criar seus próprios drones achassem informações e, mais do que isso, trocassem ideias a respeitos de seus projetos. 

E foi também pela web que Anderson encontrou seu sócio, Jordi Muñoz, um mexicano que na época tinha apenas 19 anos e que em pouco tempo ajudou o jornalista a transformar o projeto em empresa de verdade. "A internet é o jeito certo de conhecer as pessoas, pois lá elas não são um currículo, mas são as habilidades que elas podem provar que de fato possuem. E eu não poderia ter um sócio melhor do que um adolescente que não pensa se pode ou não fazer um drone, que simplesmente vai lá e faz", contou ele. 

Para Anderson, o mercado de drones irá se desenvolver da mesma forma que o de smartphones, exigindo que os governos corram para regulamentar o seu uso. "É bastante comum na tecnologia que um produto se torne popular e comercial mesmo antes de ter algo que a regulamente", explicou o jornalista. "Nos próximos dois anos veremos legislações para drones surgirem em todo o mundo. Provavelmente eles vão perceber que drones pequenos não são perigosos para as pessoas ou para o tráfego áereo e vão criar categorias da mesma forma que fizeram com as redes móveis". 

Além disso, na opinião do jornalista, os drones não são mais perigosos de serem usados por hackers do que qualquer outra inovação. Segundo Anderson, não é a tecnologia o problema, mas o uso que as pessoas fazem dela, e sempre terão boas e más intenções. Ou seja, banir os drones de nada vai adiantar. 

"Makers"

Anderson também fez questão de encorajar os jovens da Campus Party a perseguirem seus sonhos, pois o mundo está, segundo ele, vivendo uma época em que qualquer um pode começar algo mesmo sem dinheiro. No palco, o jornalista comparou o momento atual ao período em que Steve Jobs e Steve Wozniack criaram o primeiro computador pessoal da Apple,  Apple I, em 1979. Segundo ele, isso só foi possível porque houve uma popularização dos microprossessadores, mais comumente chamados de chips.

A diferença é que nos dias atuais esse papel é desempenhado pelo smartphone, cujas tecnologias embutidas já funcionaram como ponto de partida para o desenvolvimento de vários outros mercados. Internet das coisas e dispositivos vestíveis são dois exemplos de indústrias que nasceram a partir do sucesso dos telefones inteligentes e da mudança que eles provocaram na sociedade. 

Para Anderson, qualquer um pode ser um "Maker", tal qual o título do seu mais recente livro. As ferramentas estão disponíveis para todos na internet. O hardware se tornou tão acessível quanto o software, o que permite que qualquer um inove do começo ao fim. "Com a web estamos todos próximos do Vale do Silício", afirmou ele. 

Além da sua própria empresa, que nasceu da interação do jornalista com um adolescente que morava em Tihuana, no México, Anderson deu outros exemplos de como é possível inovar de qualquer lugar. O Pebble, considerado um dos pioneiros no mercado de dispositivos vestíveis, nasceu pelas mãos de alguns garotos que colocaram sua ideia no site de financiamento coletivo Kickstarter. 

E mesmo que hoje não exista nada que a os chineses não possam fazer, o que certamente os colocam em vantagem sobre empresas de outras nacionalidades. Anderson acredita que negócios locais podem sim se tornar globais. É provável que assim como a 3D Robotics, muitas companhias tenham que buscar parceiros na China para crescer, mas isso não é um problema, apenas parte de uma nova maneira de fazer negócios no mundo globalizado.

Tentando ao máximo não falar em política, o jornalista disse que a Campus poderia se tornar um movimento, e que os jovens deveriam pressionar as autoridades para que possam importar as ferramentas necessárias para começarem suas próprias empresas. Fazer como fez seu sócio e comprarem pelo e-Bay maquinários de verdade.

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