Em evento realizado na Europa, sul-coreana chamou a atenção dos seus parcerios de negócios na América Latina para um ano de “recessão econômica e de “forte concorrência”

Em um evento realizado no início dessa semana em Mônaco, na Europa, a Samsung mostrou para jornalistas e para alguns dos seus principais parceiros de negócios produtos que terão destaque em 2015. Na apresentação principal, a sul-coreana listou dois grandes desafios para a América Latina: "recessão econômica prolongada" e "competição acirrada".

LEIA:  Galaxy Note Edge e três novos aparelhos de entrada chegam ao Brasil em março

As expressões, porém, não devem ser encaradas como previsões da sul-coreana, mas como alertas para os "sócios" da Samsung segundo Mario Lafitte, vice-presidente corporativo da Samsung para América Latina. “Essas duas mensagens servem para alertar sobre o cenário de 2015. Efetivamente, o ano de 2015 representa um ano mais desafiador que o ano de 2014, e por uma série de razões", explicou o executivo.

Não bastasse ser um ano sem Copa do Mundo, o cenário econômico é outro na América Latina, especialmente em termos de custos. “Há hoje uma tendência que aponta para um dólar fortalecido em 2015 se comparado ao valor do dólar em 2014. Se ele vai continuar a subir, não sabemos, nem a Samsung sabe, mas a realidade atual é essa”, ressalta Lafitte, que disse também que os alertas aos parceiros são de curto prazo.

De acordo com o executivo, um dólar forte afeta países em que a empresa tem base de produção, como é o caso do Brasil, por conta dos componentes que são trazidos para as fábricas, e também os países nos quais a Samsung não tem operação fabril, como o Chile, por exemplo, em razão da total importação dos produtos. “Já de cara isso torna o mercado mais desafiador, e não só para a Samsung, mas para todo mundo. Um aumento de custo pode levar a um aumento de preço, e aumento de preço, quando falamos de varejo, pode significar uma retração de mercado”, afirma.

Quanto a concorrência acirrada em 2015, Lafitte disse que ter competidores é bom, que a Samsung está acostumada com essa dinâmica de mercado e que, inclusive, vários são os mesmos em todo o mundo. “A cada ano que passa, quem é líder tem que ganhar de si mesmo”, ressalta.

Em 2015, alguns concorrentes grandes e de origem chinesa, como Xiaomi, devem chegar ao Brasil e à América Latina para competir pelo usuário de smartphones. Sem fazer referência a nenhuma empresa em específico, Lafitte disse apenas que confia não só no trabalho que a Samsung vem fazendo na região, mas também em toda a preocupação da empresa de atender a necessidade local sem deixar de lado aspectos que são globais da marca, como inovação.

Presente há vários anos no Brasil, a Samsung não se sente ameaçada pela nova concorrência porque desenvolveu, ao longo desses anos, laços com o País e com seus usuários. Além de fábricas, a sul-coreana tem programas de desenvolvimento e incentivo a pesquisa na região e em outras partes da América Latina.

Ano de Copa do Mundo é ano de dois Natais

Para Lafitte, uma das principais razões de porque 2015 será diferente é a Copa do Mundo. Ou melhor, a inexistência dela. O impulso que o evento dá às vendas de TVs é circunstâncial e só acontece de quatro em quatro anos. “O nosso negócio de televisores é positivamente afetado pela Copa do Mundo. Mas muito menos pela Copa ter acontecido no Brasil do que pela própria competição. A Copa do Mundo é um alavancador de vendas de televisores onde quer que aconteça. Temos até um colega que brinca que ano de Copa do Mundo é ano de dois natais".

VEJA:  Nova plataforma de TVs inteligentes da Samsung, Tizen é simples e fácil de usar

O crescimento para este ano deve superar o de 2013, um período mais típico do que o ano de 2014 e mais adequado para comparação segundo o executivo. E esse aumento deve refletir o amurecimento do cliente latino-americano, não só no segmento de televisores, mas em quase todos os outros que a sul-coreana atua. A estimativa da Samsung é que o mercado chegue a 30 milhões de aparelhos em 2015,  11% a mais do que 2014, sendo que parte desse crescimento será só de TVs UHD.

Cada vez mais, características como as telas grandes e uma melhor qualidade de tela – como as SUHD da Samsung, aparelho com display 4K – pensam para o consumidor na hora da compra. De acordo com Lafitte, ao longo de 2014, TVs de tela curva se tornaram sinônimo de Samsung e esse deve ser mais um diferencial para conquistar o cliente neste ano. Além da imagem, outra carta na manga é o Tizen, sistema operacional para televisões anunciado na CES 2015 e que traz a tão esperada simplicidade.

Para o vice-presidente da Samsung América Latina, essa maturidade do mercado de TVs reverbera em outras categorias. Smartphones e tablets são exemplos de produtos que também já possuem um consumidor mais atento e bem-infomado. E, mais do que isso, disposto a investir dinheiro em troca de uma qualidade assegurada. 

MAIS:  Com Galaxy E, Samsung eleva padrão de seus modelos mais acessíveis

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.