Aeronave é controlada através de ondas cerebrais monitoradas por um capacete; especialista, entretanto, duvida que tecnologia venha a ser implementada

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Uma tecnologia que permite que um drone seja pilotado usando apenas as ondas cerebrais de uma pessoa foi apresentada em Portugal.

A Tekever, empresa que criou a tecnologia Brainflight, disse que esta poderia, a curto prazo, ser usada para permitir que pessoas com restrições de movimento controlassem aviões.

Veja o vídeo do teste do drone controlado por pensamento

Segundo a empresa, a longo prazo, jatos maiores, como aviões de carga, poderiam ser controlados desta maneira, sem a necessidade de uma tripulação a bordo.

No entanto, especialistas apontam para questões como segurança e praticidade da tecnologia.

Pilotando à distância

A Tekever, que trabalha com tecnologia de drones junto a firmas de segurança, forças policiais e militares, adaptou a tecnologia já existente de eletroencefalografia (EEG) para permitir o envio de instruções ao software usado para comandar drones.

Sensores colados no cérebro permitem controlar drone
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Sensores colados no cérebro permitem controlar drone

O EEG funciona pela detecção de atividade em partes específicas do cérebro. Depois de vários meses de treinamento, "pilotos" seriam capazes de ensinar seu cérebro a pensar em como mover um pequeno círculo na tela do computador para cima ou para baixo, o que, por sua vez, direciona o avião para a esquerda ou direita.

"Acreditamos que as pessoas serão capazes de pilotar aeronaves exatamente como eles realizam atividades cotidianas como caminhar ou correr", disse Ricardo Mendes, diretor de operações da Tekever.

"Nós realmente acreditamos que a tecnologia Brainflight representa o início de uma mudança enorme no campo da aviação, empoderando os pilotos e diminuindo o risco das missões, e estamos ansiosos para entregar esses benefícios para o mercado com produtos altamente inovadores."

'Distante demais'

No futuro, essa tecnologia pode ser aproveitada para controlar aeronaves muito maiores, embora Mendes reconheça que possam haver desafios com regulação e pouca confiança do público.

John Strickland, consultor de aviação independente com sede em Londres, diz acreditar que o uso dessa tecnologia esteja "distante demais" e que a indústria da aviação no momento está focando seus esforços de inovação para obter melhores materiais e motores mais econômicos.

"Alguém pode até falar sobre essa tecnologia, mas duvido que alguém realmente a implemente", disse Strickland à BBC.

Mendes disse que a tecnologia iria incorporar medidas de segurança para combater os efeitos da alguém ter, por exemplo, uma convulsão enquanto pilotava.

"Há algoritmos a bordo que impedem que coisas ruins aconteçam", disse ele à BBC.

"A tecnologia está evoluindo, os regulamentos estão evoluindo. [Jatos não tripulados], obviamente, vão acontecer. A questão não é se, é quando..."

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