ResearchKit é uma estrutura de software de código aberto criada para a pesquisa médica e de saúde, que ajuda médicos e cientistas a coletarem dados de participantes de pesquisas com mais frequência e precisão usando apps do iPhone

Vice-presidente de Operações da Apple, Jeff Williams fala sobre o ResearchKit durante um evento da Apple na segunda-feira 9 março
AP Photo/Eric Risberg
Vice-presidente de Operações da Apple, Jeff Williams fala sobre o ResearchKit durante um evento da Apple na segunda-feira 9 março

Em meio a tantos anúncios, Apple Watch e um novo MacBook, um conjunto de ferramentas que visa promover a investigação médica criado pela Apple não recebeu a devida atenção no evento de segunda-feira (9). Trata-se do ResearchKit, uma estrutura de software de código aberto desenvolvida para a pesquisa médica e de saúde, que ajuda médicos e cientistas a coletarem dados de participantes de estudos com mais frequência e precisão usando apps do iPhone.

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Esse conjunto de ferramentas prometem ajudar os pesquisadores em seus estudos sobre a asma, mal de Parkinson, doenças cardiovasculares, diabetes e outras doenças com o recrutamento de participantes por meio de aplicativos para o iPhone. Os usuários decidem se querem participar de um estudo e como seus dados serão compartilhados. O ResearchKit será liberado como estrutura de código aberto em maio.

“Os apps do iOS já ajudam milhões de pessoas a acompanhar e melhorar sua saúde. Com centenas de milhões de iPhones em uso no mundo todo, vimos uma oportunidade para a Apple ter um impacto ainda maior, ao possibilitar que as pessoas participem de pesquisas médicas e contribuam para elas”, afirmou Jeff Williams, vice-presidente de operações da Apple no evento. 

Basicamente, o ResearchKit transforma o iPhone em uma ferramenta de pesquisa médica. Caso o usuário permita, os apps podem acessar dados no app Saúde como, peso, pressão arterial, níveis glicêmicos, e de uso do inalador para asma, que são medidos por dispositivos e apps de terceiros.

A novidade segue o caminho do HealthKit, uma estrutura de software que a Apple lançou com o iOS 8 para dar aos desenvolvedores a capacidade de desenvolver apps de saúde e boa forma que se comunicam. O ResearchKit dá um passo além, e pode também solicitar que o usuário dê acesso aos sensores do acelerômetro, microfone, giroscópio e GPS para receber informações sobre o modo de andar, deficiência motora, boa forma, fala e memória.

Para os pesquisadores, o ResearchKit pode ser uma forma interessante de recrutar pacientes para estudos de grande escala, acessando uma ampla amostra populacional, e não apenas as pessoas na área de uma instituição. Os participantes do estudo podem concluir tarefas ou apresentar pesquisas direto do app, assim os pesquisadores perdem menos tempo com a documentação para se dedicar à análise dos dados.

O ResearchKit também deixa os estudiosos apresentarem um processo de consentimento informado interativo. Os usuários escolhem de quais estudos querem participar e os dados que querem fornecer em cada estudo. A Apple não terá acesso a essas informações de acordo com Williams.

ResearchKit já tem apps desenvolvidos

Desenvolvido pela Faculdade de Medicina Icahn no Monte Sinai e pela LifeMap Solutions, o app Asthma Health foi criado para facilitar a educação e o monitoramento pessoal dos pacientes com asma, promover mudanças comportamentais positivas e reforçar a adesão ao planos de tratamento. O estudo acompanha os padrões de sintomas em cada paciente e o que desencadeia o agravamento da doença, para que os pesquisadores aprendam novas maneiras de personalizar o tratamento da asma.

“Usando os sensores avançados do iPhone, conseguimos criar um modelo melhor da condição de um paciente com asma, o que possibilita oferecer um tratamento mais personalizado e preciso”, afirmou Eric Schadt, PhD, professor de genômica da Faculdade de Medicina Icahn no Monte Sinai e diretor-fundador do Icahn Institute for Genomics and Multiscale Biology. 

O app Share the Journey, desenvolvido pelo Instituto de Câncer Dana-Farber, Penn Medicine, Sage Bionetworks e Jonsson Comprehensive Cancer Center da UCLA, é um estudo de pesquisa para entender por que alguns sobreviventes de câncer de mama se recuperam mais rápido que outros, por que os sintomas variam com o tempo e o que pode ser feito para melhorar os sintomas. Esse app usará dados de pesquisas e dos sensores do iPhone para coletar e acompanhar fadiga, mudanças de humor e cognitivas, distúrbios do sono e redução nos exercícios.

“O acesso a dados de saúde mais diversificados fornecidos pelos pacientes nos ajudará a saber mais sobre os efeitos dos tratamentos de câncer a longo prazo e dará um entendimento melhor da experiência dos pacientes com câncer de mama”, disse a Dra. Patricia Ganz, professora da Escola de Saúde Pública Fielding da UCLA e diretora de pesquisa para prevenção e controle do câncer do Jonsson Comprehensive Cancer Center da UCLA. 

Desenvolvido pela Stanford Medicine, o app MyHeart Counts mede a atividade e usa informações sobre fatores de risco e de estudos para ajudar os pesquisadores a avaliarem com mais precisão como a atividade e o estilo de vida de um participante estão relacionados à saúde cardiovascular. 

Já o Hospital Geral de Massachusetts desenvolveu o app GlucoSuccess para entender como vários aspectos da vida de uma pessoa — dieta, atividade física e medicamentos — afetam os níveis de glicose no sangue. O app também pode ajudar os participantes a identificarem como as escolhas de alimentos e atividade têm relação com melhores níveis de glicemia, possibilitando ver claramente as correlações e adotar uma postura proativa visando o próprio bem-estar.

Criado pela Sage Bionetworks e pela Universidade de Rochester, o app Parkinson mPower ajuda o portador de mal de Parkinson a acompanhar seus sintomas usando os sensores do iPhone para registrar atividades, que incluem jogo da memória, teste de destreza manual, falar e andar. Os dados de atividade e pesquisa do telefone são combinados com dados de muitos outros participantes para alimentar a pesquisa do mal de Parkinson em uma escala nunca antes possível, fazendo com que esse seja o maior e mais abrangente estudo dessa doença em todo o mundo.

Todos esses aplicativos foram apresentados no evento de segunda-feira (9). Os apps do ResearchKit já estão disponíveis na App Store nos EUA e em breve serão lançados em outros países. iPhone 5, iPhone 5s, iPhone 6, iPhone 6 Plus e a última geração de iPod touch são compatíveis com os apps do ResearchKit. Enquanto plataforma de código aberto, o ResearchKit poderá ser adaptado para outros sistemas no futuro, como Android ou mesmo Windows Phone.

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