Motorola dobrou sua participação de mercado no Brasil, para 18%, ultrapassando a LG para ocupar a segunda posição

Uma matéria publicada neste final de semana pelo The Wall Street Journal confirmou uma antiga suspeita de quem acompanha o mercado de smartphones : o Moto G foi aparelho mais vendido de 2014. A informação é do IDC. Tanto sucesso ajudou não só a Motorola, agora parte da Lenovo, a dobrar sua participação de mercado, chegando em 18%, como também a ultrapassar a LG e assumir o posto de segunda maior vendedora de smartphones no País. O sucesso do Moto G foi tanto que a Motorola viu seus embarques unitários globais aumentarem 118% em 2014.

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A popularidade de produtos como o Moto G no Brasil, quarto maior mercado de smartphones do mundo, mostra o quanto os celulares intermediários vão se tornar importantes para os fabricantes de todo o mundo. Segundo Ryan Reith, um analista de São Francisco do IDC, grande parte do crescimento nos próximos anos acontecerá entre aparelhos que custam de US$ 100, cerca de R$ 320, a US$ 300, em torno de R$ 1.000.

A demanda por smartphones na faixa dos R$ 1.000 deverá diminuir à medida que mais ofertas como o Moto G surgirem para os consumidores afirma o WSJ. Enquanto isso, o mercado de dispositivos premium, segmento em que atua a Apple, por exemplo, de permanecer estável em 10% a 15% do mercado daqui para frente.

O CEO da Motorola, Rick Osterloh, também acredita que a faixa dos US$ 100-US$ 300 é a ideal. Tanto que a empresa está apostando em um aparelho ainda mais de entrada, o Moto E , compatível com 4G, tela de 4,5 polegadas, e uma versão do Android que só estava presente no top de linha, o Moto X.

A matéria chama atenção ainda para a pressão que o Moto G colocou em seus concorrentes, especialmente em mercados não subsidiados, onde os clientes geralmente compram dispositivos desbloqueados pelo preço integral.  Isso é particularmente importante no Brasil, onde os custos de produção e as taxas de importação de eletrônicos são elevados diz a reportagem.

Segundo analistas consultados pelo jornal norte-americano, os celulares na casa de US$ 100, cerca de R$ 300, vão continuar a chamar a atenção de usuários que desejam entrar no mundo dos smartphones. No entanto, são os dispositivos intermediários com boas configurações e preços acessíveis que vão realmente impactar nas vendas.

Desde que Motorola lançou o Moto G quase todas as fabricantes lançaram concorrentes, inclusive a Samsung, que viu sua participação de mercado no Brasil cair de 51% para 43% em 2014. Porém, a estratégia da Motorola tem preocupado alguns analistas, pois, segundo eles, incentiva a diminuição da rentabilidade no setor. Alguns estimam que margem de lucro de dispositivos como o Moto G é inferior a 5%. Osterloh desconversa, pois não acredita em uma corrida entre as empresas, segundo ele, existe muito espaço para diferenciação, tanto em termos de software quanto de hardware.

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