Cerca de 3,6 milhões de famílias no País utilizam apenas tablets ou celulares para se conectar à rede, de acordo com o IBGE

Uma em cada dez famílias brasileiras que usam internet dispensaram o computador. O acesso, nesses casos, é feito exclusivamente por meio de telefones celulares ou tablets, segundo pesquisa feita Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a primeira sobre o tema, divulgada nesta quarta-feira (29).

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Há internet em metade dos lares brasileiros e o computador ainda é a ferramenta de conexão para 88% daqueles que pertecem a esse grupo, que soma 31,2 milhões. Mas, para 3,6 milhões de famílias – ou 11,5% –, PCs e notebooks, se é que existem dentro de casa, deixaram de ser opção: a conexão é feita exclusivamente por tablets e celulares.

Os percentuais são ainda maiores em estados do Norte, onde chegam a 41,2% no Pará, por exemplo, e a 39,6% no Amazonas. Em São Paulo, o mais populoso do País, a fatia é de 7,3%. Essas diferenças regionais indicam que, mais do que substituir o computador, os tablets e celulares têm funcionado como primeira porta de acesso à rede para populações onde outras formas de conexão não estão disponíveis ou apresentam baixos índices de qualidade e abrangência.

"Nas regiões Norte e Nordeste, o acesso em casa é feito por celular e tablet. Há pelo menos dois motivos para isso: o microcomputador talvez seja mais caro [ que um dispositivo móvel ], e não existe o cabeamento", afirma Jully Nascimento Ponte, pesquisadora do IBGE.

Outro indicativo de que os tablets e celulares estão ampliando o acesso à internet – e não apenas substituindo outros equipamentos – é que, de 2012 para 2013, o número de pessoas que se conectam à rede pelo computador caiu 1,2 ponto percentual, um recuo considerado tímido pela pesquisadora do IBGE. "Não podemos dizer que estejam trocando os computadores por outro dispositivo."

Renda e escolaridade são os principais limitadores

Ainda assim, os tablets e celulares não foram suficientes para colocar o Brasil mais próximo dos padrões internacionais de acesso à internet. Com os dispositivos móveis, a fatia conectada da população brasileira vai de 45,3% para 49,4% – um percentual ainda muito distante dos índices de 73,1% da Europa e de 61,8% na América segundo Jully Nascimento Ponte.

 O IBGE já iniciou estudos sobre as principais limitações do acesso à internet, mas os dados ainda não estão disponíveis. A partir das informações existentes, é possível perceber apenas que a população mais educada, mais jovem e mais rica é também a mais conectada.

De acordo com os números divulgados pelo instituto, menos da metade da população que ganha até um salário mínimo está conectada, ante 90% entre os que têm um rendimento domiciliar per capita de mais de 10 salários mínimos. Entre os estudantes, 96,3% dos que estão na rede privada acessam a internet. O índice cai para 68% nos alunos da rede pública.

Professor do programa de pós-graduação em Ciências Sociais da PUC-RS, André Salata, vê avanço.

"Ainda existem diferenças, mas você tem uma redução na desigualdade do acesso à internet e isso é muito positivo", afirma o pesquisador. "Há uma democratização no sentido em que há aumento no acesso."

O IBGE levantou os dados do estudo no final de 2013, durante a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD). Foi a primeira vez que as conexões por tablets e celulares foram levadas em consideração – até então, apenas o acesso por computador era contabilizado. Aos entrevistados, foi perguntado se eles haviam utilizado a internet nos três meses anteriores e como.

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