Maior programadora da América Latina, Globosat se junta a nomes de peso como Netflix e YouTube para oferecer conteúdo em 4K para usários de Smart TVs da Samsung

Se, por um lado, mais da metade das famílias brasileiras ainda possuem televisão de tubo em casa, com imagem inferior ao padrão atual de alta qualidade da TV aberta, por outro, as fabricantes correm para não permitir que a resolução Ultra HD, também chamada de UHD ou 4K, se torne o próximo 3D. Ou seja, que a moda não pegue e a tecnologia caia no limbo.

As primeiras televisões com essa resolução que é quatro vezes maior do que a Full HD surgiram em 2012, mas foi em 2014 que elas começaram a se multiplicar no Brasil. Para 2015, a Samsung, umas das principais fabricantes, já adiantou que terá um aumento de 70% na sua linha de TVs UHD, quando comparado a 2014. De certa forma, o 4K esbarra em questões parecidas com as do 3D: produção e transmissão de conteúdo. Porém, para ultrapassar essa barreira, as fabricantes apostam em uma solução: o streaming.

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Netflix e YouTube são exemplos de canais que já possuem conteúdo em 4K e que podem ser consumidos pela televisão com ajuda da internet. Agora, a Globosat se junta a esse time. No aplicativo, desenvolvido dentro da empresa, já estão mais de dez programas de canais como SporTV, GloboNews, Multishow, GNT, Pix, Gloob, Off, BIS, Universal, Viva e Canal Brasil. André Nava, gerente de Novas Mídias da Globosat, em conversa com iG , disse que o 4K já faz parte do processo de produção dos conteúdos, e que o desenvolvimento do app é resultado dessas mudanças pelas quais a televisão está passando. Por enquanto, o app só roda nas TVs da Samsung, mas já está em processo de homologação junto a outras fabricantes Sony, LG, Panasonic e Philips.

“O conteúdo não é mais linear, a televisão está em todos os lugares. E era bem mais fácil criar um app do que num canal de TV a cabo hoje”, explica o executivo. A transmissão em 4K ainda não é possibilidade, pois isso envolve transformações de grandes proporções na infraestrutura, tanto nas empresas quanto na casa do próprio telespectador.

Além do conteúdo, outro desafio do 4K é conectividade. Erico Traldi, gerente sênior de produto para a área de TVs da Samsung Brasil, destaca que só faz sentido para o cliente comprar uma TV 4K se ela for conectada, isto é, inteligente. A Netflix recomenda uma conexão de 15 Mbps para ver os conteúdos em altíssima resolução, porém, de acordo com pesquisa recente da Akami, referente ao último trimestre de 2014, a velocidade média de conexão de internet no Brasil é de 3,0 Mbps. Ainda assim, Traldi está confiante de que essa situação também está melhorando no País: “a evolução da conexão está mais rápida”.

Por enquanto, o aplicativo está disponível apenas nas televisões da Samsung, modelos de 2014, e de 2013 que tenham feito o upgrade por meio do Evolution Kit. As novas televisões da Samsung, que chegam ainda nesse semestre com o sistema Tizen, também trarão o aplicativo como sugestão. Ou seja, o usuário precisará baixar. Porém, diferentemente de outros serviços de conteúdo por demanda da Globosat, que exigem assinatura, esse aplicativo é totalmente gratuito. Erico Traldi, novo gerente sênior de produto para a área de TVs da Samsung Brasil, chama atenção ainda para o fato de hoje o próprio usuário conseguir produzir conteúdo em 4K com a câmera de seus smartphones: dos produtos da Samsung, Galaxy S5, S6 e S6 Edge e Note 4 já possuem essa funcionalidade.

O aumento da procura pelas telas 4K e também do investimento das fabricantes deve resultar em uma diminuição dos preços. Segundo dados da DisplaySearch, as perspectivas para as vendas de TVs UHD no mundo são expressivas. No segundo trimestre de 2014, foram vendidas 12 milhões de TVs UHD, representando 5,3% do mercado de TVs. Em 2017, para esse mesmo período, o número saltaria para 62 milhões de aparelhos, representando 25% do mercado. Só considerando a linha da Samsung, a diferença de preço entre uma TV Full HD e uma UHD, ambas de 40 polegadas, é de apenas 16%.

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