Por que as fabricantes de smartphones estão trocando os ricos pelos jovens?

Por Emily Canto Nunes - iG São Paulo |

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Com amadurecimento do mercado, empresas mudam seu posicionamento em busca de quem já entende de tecnologia

Jovens estão na mira das fabricantes de smartphones porque entendem as novas tecnologias
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Jovens estão na mira das fabricantes de smartphones porque entendem as novas tecnologias

Maior feira de tecnologia móvel do mundo, a Mobile World Congress, em Barcelona, na Espanha, não é apenas palco para os principais lançamentos. Com mais de duas mil empresas expositoras em 2016, a MWC traduz o momento do mercado de telefonia móvel e também as mudanças que estão por vir. Uma delas é o posicionamento das fabricantes frente ao amadurecimento do mercado: estão todas de olho no jovem.

A corrida para ver quem vende mais aparelhos aos usuários que migram dos celulares sem acesso à rede, os feature phones, para os smartphones está chegando ao fim. Por isso, grandes empresas do setor estão mudando ou tentando se aproximar cada vez mais de um outro público. Mas por que?

A LG foi a empresa que mais deixou clara essa nova fase durante a MWC 2016. Ao invés de seguir na linha clássica do G4, que tinha acabamento de couro cortado a mão e uma comunicação mais sofisticada, voltada ao público premium, a LG radicalizou e fez em Barcelona um evento cheio de balões coloridos – branco, preto, verde e rosa –, com direito a DJ no palco e músicas mais comuns em festas do que em apresentações. Ao mostrar o G5 e a sua linha de acessórios chamada de LG Friends a sul-coreana reforçou seu posicionamento, distanciando-se da irmã sul-coreana Samsung, que cada vez mais caminha em direção ao luxo e acirra a competição com a Apple.

Para Bárbara Toscano, gerente de marketing para a divisão mobile da LG, a mudança acompanha o mercado de smartphones, que está maduro, e é uma tentativa de fugir da comoditização, isto é, da transformação do celular em commodity, ou seja, em um produto uniforme como o milho, por exemplo. Além disso, de acordo com a executiva, mesmo no Brasil, esse mercado mais jovem é enorme, com espaço até para aparelhos mais premium como o G5. 

André Felippa, vice-presidente para América Latina da Alcatel, chama atenção para o jovem de hoje, que trabalha e possui seu próprio dinheiro. "Mesmo não tendo uma renda tão alta, o jovem investe em tecnologia porque entende e quer ter o melhor smartphone", explica o executivo. Na opinião de Felippa, ao focar nos milleniuns, geração dos que nasceram entre 1980 e 2000, as fabricantes chegam também aos mais velhos, pois eles influenciam os demais. No Brasil, de acordo com Fernando Pezzotti, gerente geral da Alcatel no Brasil, 70% dos fãs da marca no Facebook – a página possui 7 milhões de fãs – têm até 30 anos. A estratégia da Alcatel para intensificar esse relacionamento e ganhar ainda mais adeptos será mostrar o custo-benefício dos produtos, pois de acordo com Pezzotti, "essa nova geração busca os melhores produtos, mas não aceita pagar pelos altos preços que são cobrados". Com o Idol 4, novo produto da Alcatel que deve chegar ao mercado brasileiro até o meio do ano, o desafio será ficar numa faixa de preço acessível também para esse jovem.

Aspiracional

Na opinião de Marcel Campos, diretor de marketing da Asus, o jovem sempre foi foco, mas a maioria das fabricantes só acordou agora. Segundo ele, a Apple já faz isso há anos, desde o lançamento do iPod, em 2002: "não por acaso os jovens que cresceram com o iPod são os que mais investem em tecnologia", ressalta. Um adolescente da época do primeiro iPod tem hoje cerca de 30 anos. Além disso, na opinião do executivo, um motivo muito simples para as empresa estarem investindo nos jovens é que eles não passam por uma curva de adoção das novidades como os mais velhos. "Ele já entende, as fabricantes não precisam convencê-los, pois ele sabe o que quer, logo está em busca de algo aspiracional, que dê status", afirma. 

Emily Canto Nunes/iG São Paulo
"A vida é boa quando você brinca mais", dizia um painel no evento da LG na MWC 2016

Ainda de acordo com Campos, a curva do próprio mercado de smartphones mudou com o amadurecimento. Antes, os aparelhos estavam nas mãos dos mais velhos, agora, a curva de quem é considerado early adopter, expressão em inglês para quem é mais afeito a comprar novidades, produtos inovadores, está cada vez maior, pois essa nova geração que está chegando ao mercado de trabalho não precisa aprender sobre tecnologia, ela já sabe do que se trata. Além disso, segundo ele, frente ao amadurecimento do mercado, as empresas se deram conta que o ideal é conquistar o consumidor quando ele está formando sua própria concepção da marca. "Uma pessoa que tem 25 ou 30 anos já experimentou as marcas e sabe o que é bom e ruim para ela. Se você se aproxima do cliente quando ele está conhecendo a marca você tem mais chance de ser relevante, de entregar uma boa experiência e seguir com ele no restante da vida". 

As fabricantes não estão loucas ao focar menos no segmento premium e investir também na juventude. Em um estudo recente, a IDC entrevistou mais de 1.000 usuários finais e constatou que dentre as diversas faixas de idades o grupo entre 18-24 anos tem uma penetração de 92%, ou seja, quase todo jovem possui hoje um smartphone. Aqueles que estão abaixo dos 18 anos (até 12) são considerados potenciais para a consultoria, mas com não são responsáveis pela compra ficam em segundo plano. Porém, o grupo de jovens é um grande influenciador neste mercado, além de estar conectado a tendências.

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