A publicação de denúncias contra o presidente Michel Temer e o pronunciamento em que o peemedebista afirma que não irá renunciar ao cargo  fez com que as menções relacionadas à corrupção chegassem ao topo do Twitter. Segundo o Monitor de Temas da Diretoria de Análise de Políticas da Fundação Getulio Vargas (FGV), foram registrados mais 1,5 milhão de tweets sobre o assunto até às 17h20 desta quinta-feira.

Para analisar menções à corrupção, indicador da FGV também considera tweets com outras oito palavras-chave
Marcelo Camargo/ABr - 20.4.17
Para analisar menções à corrupção, indicador da FGV também considera tweets com outras oito palavras-chave

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Segundo a FGV, a hashtag "#Temer" ocupou a primeira colocação dos Trending Topics mundial, seguida de "#Aecio", até a manhã desta quinta-feira. A última vez em que um tema tomou tanta proporção entre os usuários brasileiros do Twitter foi em 28 de abril, dia marcado por greves em diversas cidades do país. Porém, quando apenas o tema " corrupção " é considerado, uma repercussão deste tamanho foi registrada em 17 de abril de 2016, quando a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O levantamento utiliza algumas expressões referentes a "corrupção". No início de maio, estes termos ocupavam a terceira posição, atrás de menções sobre "segurança" e "protestos", respectivamente, mas, desde a quarta-feira (17) lideram o ranking. As palavras pesquisadas para contabilizar as menções dos usuários sobre o assunto são "corrupção", "corrupto", "lavagem de dinheiro", "nepotismo", "caixa dois", "desvio de verbas", "propina", "improbidade" e "peculato".

Além do termos utilizados pela pesquisa, outras palavras também estavam em destaque nas redes sociais. Até o fechamento desta nota, "Michel Temer" e "#BrasiliaOfCards" (em referência à série política "House of Cards") estavam entre os assuntos mais comentados por usuários do Twitter de todo o planeta. A ferramenta da FGV opera com uma combinação de metodologias linguísticas, computacionais e das ciências sociais aplicadas.

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A plataforma funciona como uma espécie de termômetro para o debate público feito na internet. A plataforma abrange questões ligadas às áreas de transporte, saúde, educação, segurança e protestos. O monitor ainda consegue recupera um histórico recente de menções aos temas em evidência em um determinado momento.

Entenda o caso envolvendo o presidente Michel Temer

De acordo com o jornalista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", os proprietários da JBS, Joesley e Wesley Batista, afirmaram, em delação premiada, que possuem uma gravação na qual Temer aprova o pagamento de uma "mesada" para calar o ex-deputado Eduardo Cunha e o operador de propinas Lúcio Funaro, ambos presos. Ao saber desta informação, o presidente teria recomendado a prática continuasse: "Tem que manter isso, viu?".

No depoimento aos procuradores, Joesley revelou que a ordem da mesada na cadeia não partiu de Temer, mas que o presidente tinha total conhecimento de toda a operação. Outra informação que atinge o presidente é a de que Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), homem de confiança de Temer e ex-assessor especial da Presidência, teria recebido R$ 500 mil de propina para cuidar de uma pendência da J&F, holding que controla a JBS. A pendência, no caso, seria a disputa entre a Petrobras e a J&F sobre o preço do gás fornecido pela estatal para a termelétrica EPE.

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Ao ser indagado por Joesley sobre quem poderia ajudar a resolver esta situação a seu favor, Temer teria apenas respondido para falar "com o Rodrigo". A pendência foi resolvida mediante um pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, tempo que duraria o acordo com a EPE. Nesta quinta-feira (18), o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito para investigar o suposto caso de corrupção após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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