Empregados alegaram conflitos éticos após Google topar vender tecnologia de reconhecimento de imagens de drones por inteligência artificial para o exército americano através de um contrato com o Pentágono. Entenda

Brasil Econômico

Mais de 3 mil funcionários do Google assinaram carta pedindo ao CEO para não continuar
Pixabay/Creative Commons
Mais de 3 mil funcionários do Google assinaram carta pedindo ao CEO para não continuar "negócios de guerra" com o Pentágono e agora parte deles decidiu pedir demissão

Primeiro veio a confirmação de que o Google realmente teria assinado um contrato com o Pentágono há pouco mais de três meses. Depois, uma  carta assinada por milhares de funcionários veio à tona no mês passado pedindo o fim dos " negócios de guerra " da empresa. Agora a notícia é de que pelo menos 12 empregados diretamente envolvidos no projeto pediram demissão alegando conflitos éticos e a polêmica parece estar longe de chegar ao fim.

Leia também: Começa conferência anual do Google; confira todas as novidades já anunciadas

O que os funcionários vem chamando de "negócios de guerra" na verdade trata-se do Project Maven : um acordo da gigante de tecnologia com o Pentágono que surgiu formalmente no final do ano passado. Nele, o Google estaria acelerando o uso da inteligência artifical em aplicações militares.

Na prática, a empresa teria dado ao Pentágono acesso à sua biblioteca de código aberto para machine learning de modo a melhorar a identificação de objetos e pessoas em imagens capturadas pelos drones das forças armadas. Isso faria com que a precisão dos ataques aéreos e mesmo os terrestres aumentasse, o que o Google usa como justificativa para reiterar que sua tecnologia vai, na verdade, ajudar a prevenir a morte de pessoas inocentes.

Leia também: Vaza carta em que funcionários pedem fim dos "negócios de guerra" do Google

Os funcionários, porém, não ficaram convencidos. Em entrevista concedida ao Gizmodo, um dos que pediu demissão, afirmou que "em algum momento, percebi que sabendo o que eu sei, não poderia, de boa vontade, recomendar que alguém entrasse para o Google e então percebi que, se não posso recomendar às pessoas que trabalhem aqui, por que devo continuar?"

Não seja mau, Google

Funcionários chegaram a usar o famoso mote da companhia
Reprodução
Funcionários chegaram a usar o famoso mote da companhia "Don`t be evil" para tentar sensibilizar os chefes

Eles alegam que o acordo com o Pentágono contradiz os princípios da empresa de trabalhar em prol do bem-estar geral e chegaram a citar um dos motes fixados na parede dos escritórios do Google nos Estados Unidos que diz "don't be evil", que significa "não seja mau". 

Além disso, o processo todo está sendo conduzido de uma forma um tanto quanto nebulosa. Os funcionários afirmam que as informações do projeto demoraram para ser compartilhadas com a equipe, talvez já antevendo a resistência interna que a decisão enfrentaria e que agora começa a encontrar apoio externo também.

Isso porque uma nova carta aberta endereçada aos principais executivos do Google está sendo elaborada. Agora, porém, essa carta está sendo assinada por cerca de 400 especialistas, pesquisadores e acadêmicos de várias parte do mundo.

Leia também: Carro autônomo do Google se envolve em acidente e deixa um ferido nos EUA

Dessa forma, o Google está sendo pressionado e já prometeu atualizar os funcionários sobre seu posicionamento ético antes. Agora, porém, a empresa ainda não se pronunciou sobre os funcionários que pediram demissão.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.