Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento aponta que países precisam capacitar melhor suas populações

Os países da América Latina ainda têm um longo caminho a percorrer para se aproveitar totalmente dos benefícios trazidos pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Essa é a conclusão de um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentado na Futurecom 2011, evento do mercado de telecomunicações que vai até a próxima quarta-feira (14/09) em São Paulo.

Segundo o BID, a América Latina e o Caribe precisam melhorar a capacitação de suas populações, a infraestrutura física e suas instituições e regulamentações para que as TIC possam ter um impacto positivo no desenvolvimento.“As tecnologias de informação e comunicação têm o potencial enorme de fomentar o desenvolvimento econômico e social, já que podem melhorar a difusão de informações e ajudar a lidar com falhas do mercado”, disse o economista chefe do BID, Eduardo Lora. “Entretanto, nosso estudo mostra que somente um maior acesso a estas ferramentas não gerará um maior desenvolvimento. Nossos governos precisam se concentrar também em como estas ferramentas são utilizadas.”

O estudo mostra como as TIC contribuíram para o sucesso de 46 projetos de desenvolvimento na América Latina e Caribe em seis áreas diferentes: finanças, saúde, instituições, educação, pobreza e meio ambiente. Por meio de estudos controlados randomizados e estudos econométricos, os pesquisadores constataram que 39% dos projetos na amostra beneficiaram-se fortemente da adoção de novas tecnologias, enquanto os 61% restantes beneficiaram-se apenas parcialmente do uso de TIC.

O estudo mostra que, para que as TIC contribuam para o desenvolvimento, é necessário levar em conta outros elementos igualmente cruciais, como capital humano, o contexto institucional e as metas de políticas públicas dos governos.

O estudo aconselha os países a investirem em infraestrutura, regulamentação e capital humano a fim de melhorar sua capacidade de se beneficiar de um maior acesso à tecnologia. Recomenda ainda que os governos avaliem sistematicamente o impacto das TIC sobre os projetos e ampliem a escala dos projetos para reduzir os custos de investimento, em particular quando estes envolvem o desenvolvimento de software específico.

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