Novo serviço da Microsoft tem bons recursos e visual "clean"

NYT

Por David Pogue

“Em breve, dos criadores da Macarena!” ... “Novo, dos fundadores do MySpace!” ... “O agente dele é o mesmo do Steven Seagal!”

Não costumamos ouvir frases como essas. Normalmente, quando um serviço ou marca vira algo brega ou ultrapassado, ele não costuma ser promovido em campanhas de marketing.

Mas a Microsoft parece que está fazendo isso com seu novo serviço de e-mail, o Outlook.com. “Feito pela empresa que criou o Hotmail!”.

O Hotmail ainda é o serviço de e-mail mais usado no mundo, com 324 milhões de usuários mensais. Mas o Gmail, que tem apenas seis anos, já tem 278 milhões, e a Microsoft estava ficando preocupada.

E há mais razões para apostar em um serviço completamente novo: os tempos mudaram e o e-mail também, o e-mail não é mais a principal atividade na web (vide Facebook e Twitter) e, francamente, porque muita gente acha que o Hotmail é, enfim, o Hotmail.

Ou seja, o Hotmail ainda sofre com a imagem de um serviço repleto de spam, endereços falsos e anúncios invasivos. Em muitos círculos profissionais, um e-mail do Hotmail já é suficiente para “queimar o filme”.

Já o Outlook.com não tem esse problema. É um serviço clean, predominantemente branco e atraente, até mesmo em um celular (o visual é parecido com o novo aplicativo de e-mail do Windows 8). Claramente, a equipe de design resolveu se afastar o máximo possível das convenções do Hotmail.

Há anúncios. Eles aparecem em uma coluna no lado direito da tela, tanto na caixa de entrada quanto nas páginas das mensagens de pessoas que não estão na lista de contatos. Mas eles são anúncios de texto puro. Não piscam, não são coloridos e não contêm imagens.

Bons recursos de filtragem de mensagens

O Outlook.com reinventa muitos dos recursos básicos do e-mail. O serviço reconhece, por exemplo, que boa parte dos e-mails que recebemos são gerados automaticamente (spam, newsletters, atualizações de redes sociais).

Por isso, o Outlook.com tem uma função que, com um só clique, envia todos os e-mails de um remetente para a lixeira (um recurso herdado do Hotmail). Ele também um botão de cancelamento de assinatura (unsubscribe) que remove o usuário de listas de e-mail marketing de empresas mais sérias, assim como o Google tem no Gmail.

O Outlook.com usa outros truques para classificar as mensagens. Ele detecta mensagens enviadas por redes sociais, mensagens com fotos, mensagens com detalhamento de envio de encomendas etc.

Na verdade, a detecção de mensagens de envio de produtos é bem interessante. O Outlook.com insere, na parte superior do e-mail, a cidade em que a encomenda está, em letras grandes. Assim, você não tem que acessar o site da loja para verificar.

Fotos e anexos também aparecem no topo das mensagens, de forma destacada. Se for um documento do Office (Word, Excel, PowerPoint), o anexo pode ser aberto no próprio e-mail, mesmo por quem não tem o Office instalado. O arquivo é aberto em uma versão online do pacote é possível ver e editar os documentos.

E isso não é tudo. No Outlook.com, não precisamos mais nos preocupar com o tamanho dos anexos. Dá para enviar arquivos de 300 MB por e-mail. Isso é possível graças à integração do Outlook com o SkyDrive, serviço de nuvem da Microsoft que tem 7 GB de espaço grátis. De repente, os gigantescos anexos de 25 MB do Gmail agora são coisa do passado.

O Outlook também conversa bem com outras redes. Quando você abre uma mensagem de algum conhecido, a coluna de anúncios vira um painel de mensagens. Dá para enviar mensagens para amigos do Facebook sem sair do e-mail. Também dá para acompanhar atualizações de amigos no Twitter e no Facebook.

Ainda em fase de testes

Bem, tudo isso é legal, mas o Outlook.com acabou de entrar no ar ainda em fase de testes. Ele já funciona bem, mas a Microsoft ainda tem muito o que fazer (a empresa não diz quando o serviço deve estar realmente pronto).

A maior parte do serviço foi feita do zero, mas ainda há muito do Hotmail ali. O termo Hotmail ainda aparece em várias telas. O Outlook também vai ser integrado ao Skype e ao calendário do Windows Live, mas isso ainda não está funcionando.

Outlook.com exagera no bloqueio de conteúdo
Reprodução
Outlook.com exagera no bloqueio de conteúdo

O único recurso realmente irritante do serviço é a paranoia da Microsoft com vírus. Depois da experiência traumática com o Hotmail, a empresa age como uma pessoa que, depois de sofrer um furto, instala seis cadeados na porta e só anda com spray de pimenta. Muitas mensagens do serviço vêm com o texto “Este conteúdo foi bloqueado para sua segurança”.

Dá para desbloquear o conteúdo, mas não há informação sobre o que está sendo bloqueado ou o motivo. Então, o que acontece? Você desbloqueia tudo, o que faz com que o bloqueio perca o sentido.

Gmail é o alvo

A Microsoft admite que quer atrair usuários do Gmail. A campanha de marketing tem três pilares: armazenamento ilimitado, design mais limpo do que o do Gmail e anúncios que não são baseados no conteúdo do e-mail do usuário.

Sobre o terceiro ponto, no Gmail, uma mensagem sobre a Disneyworld pode vir acompanhada de anúncios de hotéis em Orlando. Nenhum funcionário do Google lê o e-mail, mas algumas pessoas ficam assustadas mesmo quando existe apenas um software interpretando o texto.

Essas pessoas podem ficar tranquilas no Outlook.com. A Microsoft afirma que os anúncios nunca serão vinculados ao conteúdo do e-mail. O serviço permite que o usuário receba anúncios com base em seus interesses. Esses interesses podem ser configurados em uma página do serviço.

É uma solução que parece ser adequada tanto para anunciantes quanto para usuários. Já que o serviço é de graça, que os anúncios sejam pelo menos sobre assuntos interessantes.

Outro recurso para atrair usuários do Gmail é uma opção que, com apenas um clique, ativa os atalhos de teclado do Gmail no Outlook. Há ainda uma ferramenta que importa facilmente dados do Gmail ( e de outros serviços) para o Outlook.

Mesmo assim, é difícil imaginar que muitos usuários do Gmail migrem. O Gmail é fortemente vinculado a outros serviços do Google, além de ser um serviço mais maduro, com centenas de complementos e opções de personalização. Só um exemplo, o Gmail também pode ser usado para enviar e receber e-mails de outras contas, incluindo contas IMAP, protocolo que não é suportado pelo Outlook.com.

Mas os fãs do Gmail e outros internautas devem dar uma olhada no serviço. O Outlook.com é um produto da nova Microsoft, a empresa que não recebe crédito suficiente pelo belo e original design de seus novos sistemas para celular e PC. Uma conta do Outlook.com é uma excelente opção para um e-mail reserva. É bem melhor do que o Hotmail, Yahoo! e, em alguns aspectos, até do que o Gmail. E é grátis.

Se você está interessado, o momento é agora. O serviço é novo e ainda é possível conseguir nomes curtos, em vez joaodasilvaSP45563823@outlook.com, você pode ser o joaodasilva@outlook.com. Só não dá pra ser o pogue@outlook.com. Já peguei esse.

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