Novo aplicativo pode atrair fãs da rede social, mas não deve agradar usuários mais avançados do sistema do Google

NYT

Por David Pogue

Cara, o Facebook. Inacreditável. O segundo site mais visitado no mundo. Todo mês, um sexto da população mundial passa por lá. Maior fonte de notícias para metade dos jovens americanos.

Ele é tão poderoso que os rumores iniciais pareciam verdade: o Facebook criaria seu próprio smartphone. Google e Apple, preparem-se!

Mas os rumores estavam errados. O “celular do Facebook” não é um celular. Na verdade, ele é um conjunto de aplicativos para aparelhos com o sistema Android, do Google. Esses aplicativos começaram a ser liberados na última sexta-feira (12) para donos de alguns modelos de celulares (HTC One, Galaxy SIII, S4 e Note II) nos Estados Unidos. Mais aparelhos com Android devem ganhar suporte nos próximos meses. Os novos aplicativos já vêm instalados no HTC First, lançado aqui nos Estados Unidos na semana passada.

O que é?

Esse conjunto de aplicativos, chamado Home, substitui a tela inicial e a tela de descanso (lock screen) do aparelho. No lugar das telas convencionais, o que se vê é um slideshow de fotos publicadas por seus contatos no Facebook. Há também atualizações só com texto, que usam a imagem de perfil do amigo que publicou o post como fundo.

A empresa diz que, no momento, o Cover Feed (esse slideshow de imagens na tela inicial) representa 80% das atualizações mostradas no perfil dos usuários.

O que falta? Vídeo e anúncios. Ambos, segundo o Facebook, chegarão em breve. Sim, você leu certo. Seu celular será o próximo cartaz publicitário do Facebook. Você está pronto para isso?

O recurso Cover Feed traz algumas brincadeiras divertidas. Se a velocidade do slideshow é muito lenta, dá para navegar entre as fotos com os dedos. Também é possível “curtir” uma imagem apenas tocando duas vezes na tela. Se o usuário mantém o dedo na tela por alguns segundos, a imagem é mostrada por inteiro. E um pequeno ícone de balão permite ver e publicar comentários.

O Facebook corretamente observa que esse tipo de descanso de tela com notícias é muito bom para passar o tempo quando se está numa fila ou esperando pelo ônibus. Por outro lado, o usuário perde alguns bons recursos das telas iniciais convencionais de celulares com Android.

Aplicativos

Por exemplo, para muitas pessoas a tela inicial serve para mostrar os ícones de seus aplicativos favoritos. Mas não há ícones de aplicativos no Facebook Home. O Facebook acha que você usará este espaço para ler atualizações da rede social.

Facebook Home muda visual do Android
Divulgação
Facebook Home muda visual do Android

O único ícone que aparece é sua foto de perfil do Facebook. Quando a foto é movida para a esquerda, o aplicativo de mensagens do Facebook é aberto. O movimento para a direita abre o aplicativo usado mais recentemente. Quando a foto é movida para cima surge uma grade de ícones sobre um fundo cinza. Ah, aqui estão eles. Mas há poucos, onde estão os outros?

Eles são revelados quando a foto é movida para a esquerda (depois de ter sido movida para cima). Sobre um fundo preto, está a grade convencional de aplicativos do Android. Eles podem ser arrastados para a tela de fundo cinza, onde podem ser acessados mais facilmente.

Parece confuso, e realmente é. Ao remover a possibilidade de iniciar aplicativos da tela inicial, o Facebook teve que reinventar a maneira de abrir aplicativos no aparelho. E o resultado parece uma gambiarra. A tela preta que mostra todos os aplicativos tem rolagem vertical. A tela cinza mostra só os aplicativos favoritos e tem rolagem horizontal. Entendeu?

Espero que você não use os widgets do Android (aqueles pequenos componentes que exibem títulos de notícias e outras informações curtas na tela). O Facebook Home “esconde” esses widgets. Eles só podem ser acessados quando se toca o botão More na tela preta de aplicativos.

A imagem de fundo de tela também some. Não dá para escolher uma foto de fundo para as telas do Facebook Home. A barra de status da parte superior da tela (que costuma mostrar duração de bateria, potência do sinal, hora e outras informações) também some no Facebook Home. Ela só aparece quando você está em outros aplicativos.

O Home traz outros recursos vinculados ao Facebook. Aquela tela cinza de aplicativos, por exemplo, fornece atalhos para escrever novas atualizações, tirar fotos e fazer “check-in” em lugares.

Notificações

As notificações ganham uma nova cara com o Home. Quando um amigo publica uma atualização, comenta em algum post seu ou envia uma mensagem, uma pequena barra branca aparece na tela inicial. Dá para tocar na tela para ver a mensagem ou segurar o dedo por alguns segundos para descartar várias notificações de uma só vez.

No caso de aparelhos com o Facebook Home pré-instalado (como o HTC First), outras notificações do sistema aparecem assim também. Mas em aparelhos com o Home instalado após a compra apenas notificações do Facebook são exibidas dessa forma.

Chat Heads

O último novo recurso do Home é o Chat Heads. Quando alguém manda um SMS ou uma mensagem via Facebook, um pequeno círculo com a foto de perfil (chamado de chat head) aparece na tela do aparelho. Toque no chat head para ver a mensagem e o histórico da conversa com o contato.

Chat Heads
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Chat Heads "flutuam" sobre aplicativo aberto. Assim, é possível conversar sem ter que trocar de aplicativo

Os chat heads são divertidos e funcionam bem, mas o Facebook parece ter esquecido de um detalhe. Eles são úteis apenas quando você recebe uma mensagem. Como você inicia uma conversa?

Para isso, você tem que voltar à sua tela inicial de aplicativos e iniciar o Facebook ou o Facebook Messenger, da mesma forma que era feito antes do Home.

Tudo no Home é rápido e elegante. Ao mesmo tempo, há algo meio incoerente na coisa toda.

Primeiro, tem o efeito “que diabos é isso?”. Não é um celular, nem um sistema operacional, nem mesmo um aplicativo. Em vez disso, é o Facebook tomando conta do design de um aparelho com Android.

Vai ser algo novo, trocando sua antiga tela inicial por uma tela feita por sua empresa favorita? Vai haver um Twitter Home, Pepsi Home, Justin Bieber Home?

E há uma pergunta mais intrigante: por quê?

Os aplicativos do Facebook para Android e iPhone são excelentes. Eles têm todos os recursos mais populares, design elegante e fazem muito sucesso. O que o Home agrega de novo, afinal? Sim, há as atualizações na tela inicial, poupando um toque na tela. Mas vale a pena perder widgets, barra de status, imagem de fundo de tela e pastas de aplicativos?

E também há o esquisito aparelho com o Home pré-instalado, o HTC First. Qual é a desse aparelho? Tem corpo de plástico, é tão genérico que deveria vir numa caixa com uma única palavra escrita: celular. Ele é especialmente fraco quando comparado a outro lançamento recente da HTC, o One (lançado apenas nos EUA).

A resposta do Facebook ao “porque” parece ser direta: pesquisas mostram que, em média, americanos passam 25% do seu tempo no celular navegando no Facebook. Por que não poupar o trabalho de ter que abrir um aplicativo para isso?

Claro, pode haver outras respostas para o “porque”. Por exemplo, anúncios. Deve ser legal para os clientes do Facebook saber que seus anúncios aparecerão no seu celular, mesmo quando ele estiver travado.

Qual é a do Facebook? O Home faz parte de algum plano maior para dar um golpe no Google e dominar o planeta?

Ou é só um estranho experimento que até agrada, mas não completamente?

Esse Facebook...

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