Dispositivo é similar a um pen drive e é vendido por US$ 35 nos EUA

NYT

Por David Pogue

Existe um ditado que diz "a informação quer ser livre". Bem, aqui está um corolário para você: "a TV quer ser à la carte".

Veja a história da loja de música iTunes. No momento em que alguém ofereceu a possibilidade de se comprar músicas individualmente, o mundo mudou para sempre. Olá, música à la carte. Adeus, Tower Records.

Agora é a vez da TV por assinatura.

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Estamos envolvidos em um grande movimento civil, testando se esse negócio, ou qualquer negócio assim concebido e dedicado, pode durar. O número de pessoas que desiste, ou cancela o satélite, em favor de obter toda sua TV da internet ainda é pequeno – talvez 1 por cento ao ano. Porém, as alternativas online à TV por assinatura estão crescendo. E assim que se tornar simples e fácil acessar vídeos via internet em nossos laptops, celulares e televisores, bem, o termo "drama televisivo" terá um significado totalmente novo.

Na verdade, isso já aconteceu. O novo dispositivo Chromecast, do Google, é a forma mais barata, simples e de menor tamanho para colocar internet em sua TV. Ele se parece com uma grande unidade flash ou talvez um chaveiro gordo – e custa US$ 35 nos EUA. Isso não é um erro de digitação.

E o que ele faz? Se você possui uma rede Wi-Fi em sua casa, o Chromecast pode realizar duas façanhas bem úteis.

Recursos

Façanha 1: ele lhe permite assistir a vídeos do YouTube, Netflix e Google Play (a loja de filmes e TV do Google para dispositivos Android) na tela grande. Você usa seu celular ou tablet (Apple ou Android) como controle remoto.

Façanha 2: o Chromecast exibe sites em sua TV – transmitindo-os pelo navegador Chrome em seu Mac ou PC. Falarei mais sobre isso em alguns momentos.

Os vídeos promocionais do Google retratam uma fantasia de praticidade: uma mão insere o Chromecast na entrada HDMI de uma TV de tela grande, fazendo um clique como uma chave em uma fechadura. E então, subitamente, tudo de bom na internet parece poder ser visto naquela TV – para êxtase de muitos sedentários jovens, atraentes e multiétnicos.

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Os vídeos deixam de fora o fato de que o Chromecast precisa de energia. Você pode conectá-lo a uma tomada ou entrada USB no próprio televisor, mas o resultado não é tão livre quanto o anúncio faz parecer. Mesmo assim, ele custa US$35, lembra?

Então você baixa um programa de instalação, apresenta-o à sua rede Wi-Fi, nomeia seu Chromecast e assim por diante. Todo o processo de configuração leva cerca de cinco minutos.

Integração com celular

Para realizar a Façanha 1, você abre o aplicativo do YouTube, Netflix ou Google Play em seu celular ou tablet, e encontra um vídeo para reproduzir. Um ícone especial aparece na borda da tela sensível ao toque, lembrando um retângulo com ondas de sinal wireless. Para começar a ver o vídeo na TV, toque nesse ícone e selecione o nome de seu Chromecast.

Seu telefone não está realmente transmitindo nada. O Chromecast pega o vídeo direto da internet; você usa seu celular ou tablet apenas para encontrar o filme e controlar sua reprodução. Você pode inclusive ajustar o volume usando as teclas físicas na lateral do aparelho.

A boa notícia: essa disposição significa que é possível fazer outras coisas em seu celular ou tablet durante a reprodução, como trabalhar em outro aplicativo ou até mesmo desligar o dispositivo.

A má notícia é que o celular/tablet é seu único controle remoto. Assim, se você quiser pausar, voltar ou colocar o áudio no mudo, primeiro é preciso encontrar seu celular/tablet, despertá-lo, inserir sua senha e finalmente reabrir o aplicativo responsável pela reprodução. Não se trata de algo especialmente gracioso.

Em dispositivos Android, ao menos o botão de pausa aparece logo na tela de bloqueio. Não é preciso destravar o aparelho e reabrir o aplicativo.

Fora isso, tudo é prático e excelente. Mesmo quem já possui Netflix ou YouTube na TV, Xbox, TiVo ou tocador de Blu-ray pode preferir o Chromecast; com ele é muito mais simples procurar vídeos, graças ao teclado na tela e o sistema de ditado por voz. Você também pode enfileirar diversos vídeos para reprodução em sequência – algo especialmente útil para vídeos do YouTube, que não são muito longos.

Concorrência

Por outro lado, Netflix e YouTube não são tudo. Aparelhos rivais, como Apple TV e Roku, podem trazer muitos outros serviços de internet (pagos e gratuitos) para sua TV, como vídeos do iTunes, Amazon Prime, HBO Go, Hulu Plus, Vudu, Vimeo, Spotify, Flickr, ESPN, Major League Baseball TV e outros.

Apple TV está entre os rivais do Chromecast
Getty Images
Apple TV está entre os rivais do Chromecast

Felizmente, o Google diz que mais serviços estão a caminho. Por exemplo, a radio Pandora será a próxima. Hulu Plus, Vimeo, Redbox Instant, AOL e oito outras empresas já sugeriram que estão na fila.

Além disso, pode ser que você não precise perder o sono com a espera – graças à Façanha 2: a capacidade de transmitir páginas da web em sua TV a partir de seu Mac ou PC. Simplesmente acesse o navegador Chrome, abra o site que quiser e clique no pequeno ícone Chromecast na barra de ferramentas. A página web aparecerá no televisor, completa, com os vídeos a que você quiser assistir.

Agora você pode se sentar no sofá, o laptop em seu colo, e acessar qualquer serviço de internet que quiser.

Alguns serviços online vinham tentando manter seus vídeos confinados às telas de computador, mas o Chromecast os coloca na TV. Uma exceção: o Chromecast não gosta do formato QuickTime. Ele envia apenas o vídeo, sem áudio. Assim, não é possível reproduzir vídeos, por exemplo, do site de trailers da Apple.

Sites na TV

A Façanha 2, infelizmente, não é tão refinada ou bem sucedida quanto a Façanha 1. Não admira que o Google classifique este recurso como "beta".

Desta vez, você está realmente enviando áudio e vídeo de seu computador através do ar. E isso não funciona bem a menos que você tenha um computador poderoso e uma rede wireless muito rápida. E mesmo nesse caso, há um atraso de um segundo entre o laptop e a reprodução na TV. O vídeo nem sempre fica tão bom como na Façanha 1, e algumas pessoas experimentam ocasionais travamentos ou problemas de áudio.

Agora, muitas pessoas estão dizendo que o Chromecast é a resposta do Google para o Apple TV, Roku 3 e Plair, três caixas plásticas compactas que também trazem vídeo de alta definição da internet para a TV – mas custam US$100.

A verdade é que essa comparação não é válida. Esses três dispositivos são bem mais ambiciosos. Eles possuem controle remoto próprio e menus na tela, para que você possa usá-los mesmo se não tiver um celular ou computador. Eles também usam muitos outros serviços online. O Apple TV também pode exibir fotos e vídeos de seu iPhone ou iPad.

O Apple TV também projeta qualquer coisa na tela de seu Mac, e não apenas páginas da web – um recurso amado por usuários do PowerPoint e professores do mundo todo.

No entanto, embora a maioria das pessoas não saiba, o Chromecast também faz isso. Em seu navegador Chrome, clicar no ícone do Chromecast traz um menu; ali, um minúsculo triângulo apontando para baixo oferece o comando "Cast entire screen (experimental)". Clicando ali, ele transmite toda sua tela do Mac ou PC para a televisão, algo útil para reuniões, salas de aula e quartos de hotel. O recurso pode ser experimental, e não transmite áudio, mas fora isso funciona perfeitamente bem.

Claro, o Apple TV funciona basicamente com produtos da Apple. Ele não funciona com Windows e Android, ao menos não sem softwares complementares (ou iTunes para Windows) e um pouco de tolerância. Nesse contexto, o Chromecast é um pouco mais flexível.

Mesmo assim, não se esqueça: são apenas US$35. Esse já é um bom preço para o que o dispositivo faz, e parecerá ainda melhor conforme mais aplicativos de vídeo surgirem para ele.

Não olhe agora, mas há um corolário para o corolário. A TV quer ser à la carte, mas o vídeo pela internet quer ser Chromecast.

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