Produto traz melhorias significativas, mas terá de enfrentar concorrência mais acirrada

Quando o Samsung Galaxy Gear foi lançado, no fim do ano passado, o único outro grande fabricante de hardware com um relógio inteligente era a Sony, com seu SmartWatch 2 .

Seis meses depois, a Samsung lança o Gear 2 (R$ 1.299). O relógio é bem melhor do que seu antecessor, mas terá que enfrentar uma concorrência maior. Nos próximos meses, LG (com o G Watch ), Motorola (com o Moto 360 ) e outras empresas devem lançar seus relógios inteligentes. Há rumores de que Apple e Microsoft também estariam estudando a fabricação de relógios inteligentes.

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Por isso, será necessário esperar até o fim do ano para saber quem tem o melhor produto da categoria. Mas não há dúvidas de que, com tantas melhorias em relação ao modelo anterior, o Gear 2 é um concorrente de peso a esse título. Vamos ao teste.

A favor

- É bem melhor do que seu antecessor em todos os aspectos.

Contra

- Compatível apenas com alguns celulares da Samsung;
- Poucos aplicativos disponíveis;
- Preço ainda alto para um acesssório que não é essencial.

Configuração inicial

De modo idêntico ao Galaxy Gear, o Gear 2 funciona permanentemente sincronizado ao celular por meio de uma conexão Bluetooth. Atualmente, o Gear 2 é compatível com 12 modelos da linha Galaxy, incluindo S4, Note II, Note III e S5.  

Antes de começar a usar o relógio, o usuário tem que instalar o aplicativo Gear Manager em seu smartphone. É por meio dele que os aplicativos são instalados no Gear. O Manager também é usado para gerenciar notificações e outros ajustes do relógio. 

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Design

Neste quesito está o maior avanço em relação ao Galaxy Gear. Considerando um intervalo de apenas seis meses entre os dois produtos, é impressionante a evolução do produto. Dá até para supor que o Galaxy Gear na verdade teria sido um produto beta, lançado antes do tempo ideal por razões de marketing, enquanto o Gear 2 é a versão final que a Samsung realmente pretendia levar ao mercado. 

Com moldura em metal e sem parafusos aparentes, o Gear 2 é elegante e confortável. Ao contrário do Galaxy Gear, que dificilmente se ajustava bem ao pulso, o Gear 2 tem praticamente o mesmo conforto de um relógio comum.

Gear 2 tem design mais elegante do que seu antecessor
André Cardozo/iG
Gear 2 tem design mais elegante do que seu antecessor

No Galaxy Gear, a câmera ficava na pulseira, causando desconforto e dando um visual estranho ao relógio. No Gear 2 a câmera está embutida no relógio, na parte superior.

A pulseira, portanto, não contém componentes eletrônicos e pode ser trocada (a Samsung vende pulseiras com cores variadas). A fivela da pulseira também foi aprimorada. No Galaxy Gear ela continha o alto-falante, mas ele também foi transferido para o corpo do relógio no Gear 2. 

A durabilidade também foi aprimorada. O Gear 2 vem com proteção contra riscos e poeira com padrão IP67. Na prática, isso quer dizer que o relógio é completamente imune a danos causados por poeira ou partículas pequenas. A proteção contra água também é alta, com resistência a mergulhos de até 1 metro por 30 minutos. Não dá pra mergulhar com ele, mas tomar banho ou lavar as mãos não é um problema.

Outro avanço foi na nova posição do botão Home (o único físico). Na versão anterior ele ficava na lateral, difícil de alcançar. No Gear 2 ele fica na frente do relógio, mais fácil de tocar.

Configuração

O Gear 2 tem 4 GB de memória interna. É um valor mais do que suficiente para armazenar as fotos e vídeos da câmera e instalar muitos apps, visto que os aplicativos do relógio não costumam passar de 10 MB. Também dá para armazenar músicas (além de controlar as músicas no smartphone, o Gear 2 pode guardar músicas localmente). O Gear 2 tem um processador dual core de 1 GHz e 512 MB de RAM, mais do que suficiente para rodar com folga os apps do relógio.

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Um dos diferenciais do Gear 2 em relação a outros relógios inteligentes é a câmera. No Gear 2 ela tem 2 Megapixels e grava vídeos em 720 p. Ela é útil para registrar momentos rápidos do dia a dia e também serve para guardar rapidamente informações como área de estacionamento, preços de produtos etc. 

Assim como seu antecessor, o Gear 2 tem microfone e alto-falante. Assim, é possível fazer chamadas telefônicas sem pegar no smartphone (o aparelho apenas é usado para completar a chamada). É possível digitar o número na tela do relógio ou usar comandos de voz do S Voice para iniciar as ligações.

Tela

O Gear 2 tem a mesma tela de seu antecessor, de 1,6 polegada em formato quadrado, com tecnologia Super AMOLED. A resolução também é a mesma, de 320 x 320. Mesmo pequena, ela responde muito bem aos comandos. Nos testes do iG , gestos de deslizar a tela e toque nos ícones funcionaram como esperado, sem engasgos ou erros de detecção.

Tela do Gear 2 tem tecnologia Super AMOLED
André Cardozo/iG
Tela do Gear 2 tem tecnologia Super AMOLED

A tela Super AMOLED consome mais energia do que tecnologias usadas em outros relógios, como E-Ink (Pebble e outros) e Mirasol (Qualcomm Toq), mas em compensação as imagens são de muito melhor qualidade, com alto nível de brilho e cores vivas. 

Um pequeno problema do Galaxy Gear, no entanto, ainda não foi completamente resolvido. Para economizar energia, a tela fica desligada. Ela é acionada apenas quando o usuário faz o movimento para ver as horas, levantando o braço e girando o pulso. Mas, nos durante os quatro dias de teste, nem sempre a tela ligou. Pequenos movimentos do pulso não são suficientes para ativar a tela. 

Recursos

O Gear 2 possui uma série de recursos muito úteis. Entre eles estão monitor de batimentos cardíacos, pedômetro e controle remoto de TV (permite controlar volume e mudar canais de televisores de várias marcas).

Como seu antecessor, o Gear também permite fazer chamadas telefônicas sem usar o celular, digitando o número na tela ou usando o S Voice para iniciar a ligação por meio de comandos de voz. 

O Gear 2 também pode ser usado para encontrar o celular sincronizado a ele, caso o aparelho esteja no alcance do Bluetooth (em situações práticas, até cerca de 40 metros). E, com auxílio de aplicativos, pode ser usado também como calculadora.

Uma crítica feita ao Gear anterior era que ele exibia apenas textos de mensagens SMS. No caso de e-mails do Gmail e mensagens do Facebook, o usuário era avisado da chegada, mas tinha que pegar o smartphone para ver a mensagem.

Esse foi mais um ponto aprimorado no Gear 2. O aparelho exibe textos completos de mensagens de e-mail e também do Facebook, por meio de aplicativo instalado a parte.

Sistema e aplicativos

O estilo visual e os ícones do Gear 2 são praticamente idênticos ao de seu antecessor, mas há uma diferença importante. O novo relógio roda o sistema Tizen, em vez de uma versão customizada do Android. No relógio, o Tizen se mostrou um sistema rápido e estável, mas ainda há poucos apps. 

Visual do sistema Tizen é bem similar ao Android usado no Galaxy Gear
André Cardozo/iG
Visual do sistema Tizen é bem similar ao Android usado no Galaxy Gear

Mas uma consequência da troca de sistema é que nenhum app feito para o Galaxy Gear funciona no Gear 2. 

Com a escolha do Tizen, a Samsung se coloca em uma posição de risco. Em breve, começarão a chegar no mercado relógios com a plataforma Android Wear, do Google. O G Watch, da LG, e o Moto 360, da Motorola, são alguns deles. Caso o Android Wear se torne o padrão de mercado, o interesse dos desenvolvedores no Tizen diminuirá, o que pode significar menos apps para o Gear 2. 

Além dos produtos com sistema do Google, há rumores de que Apple e Microsoft também estariam desenvolvendo relógios. É, portanto, muito cedo para apostar em uma ou outra plataforma. Mas, até o momento, a Samsung é a única a adotar o Tizen em um relógio inteligente.

Em termos de interface, não há muitas mudanças. Um gesto de cima para baixo funciona como Voltar, e gestos para os lados permitem navegar entre os aplicativos. É possível mover e criar atalhos para os aplicativos mais importantes.

Como costuma ocorrer com produtos muito novos, a loja de apps do Gear 2 ainda é fraca. São pouco mais de cem aplicativos, e vários deles são apenas novas faces para o relógio ou calculadoras. Entre os mais interessantes estão o FB Quickview, que permite ver mensagens e notificações do Facebook, e o Feedly, leitor de RSS. 

Bateria

Aqui, outra melhoria. O Galaxy Gear tinha duração de um ou dois dias, no máximo. Já o Gear 2 tem bateria com duração de três a seis dias. Ainda é pouco perto do Pebble e outros relógios com tela de E-Ink, que têm baterias com duração de algumas semanas. Mas é um avanço considerando que a tela OLED do aparelho consome mais energia. Nos testes do iG , com uso moderado dos recursos do relógio, ela durou 4 dias. 

Conclusão

O Galaxy Gear era um produto promissor, mas incompleto. A boa notícia é que, no Gear 2, a Samsung resolveu (ou pelo menos diminuiu) todos os problemas da versão anterior. O Gear 2 é mais rápido, mais elegante, mais confortável e tem mais recursos do que seu antecessor. 

O preço de R$ 1.299, porém, ainda é alto para um item que é interessante, mas não fundamental. E, com tantos concorrentes prestes a serem lançados, esse não é exatamente o momento ideal para comprar um relógio inteligente. O Gear 2 é um excelente produto, mas provavelmente é melhor esperar um pouco para ver o que a concorrência apresenta antes de optar por um smartwatch.

Ficha técnica

Gear 2

Configuração: tela de 1,63 polegadas com resolução de 320 x 320 e tecnologia Super AMOLED, processador dual core de 1 GHz, 4 GB de armazenamento interno, câmera de 2 megapixels com gravação de vídeo em 720p, Bluetooth 4.0 LE, sistema Tizen.
Preço: R$ 1.299
Peso: 68 gramas

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