Aparelho do Google permite acessar serviços da internet em TVs comuns

Recém-lançado no Brasil, o Chromecast tem aguçado a curiosidade de quem ainda não está disposto a investir em uma TV inteligente, mas quer ir além do que a TV aberta e a cabo oferece. Sonha com uma televisão conectada. Lançado em meados de 2013 nos Estados Unidos, o aparelho chegou ao País um pouco mais caro do que lá fora: R$ 199 contra os US$ 35 originais, cerca de R$ 80. A diferença se deve não apenas a conversão para o dólar, mas aos impostos, inclusive de importação, que incidem sobre o produto que é fabricado fora.

De forma simplificada, o Chromecast pode ser descrito como um acessório que leva conteúdos dos dispositivos para a TV, mas sem a necessidade de um cabo. A questão é que tudo fica ainda mais claro e fácil ao ver o dispositivo em ação. Vamos ao teste:

A favor
- preço acessível
- design minimalista, fica escondido atrás da TV
- simples de configurar e usar, não exige um novo aprendizado

Contra
- dependente dos dispositivos que o controlam
- não tem controle remoto
- poucos aplicativos compatíveis

Mas afinal, como funciona?

O Chromecast é pequeno, pouco maior do que um pendrive, e tem uma porta HDMI de um lado, para se conectar a televisão, e uma porta microUSB do outro, para o cabo que liga o aparelho a uma fonte de energia: uma porta USB da própria TV ou uma tomada comum. Para tanto, o Chromecast traz na caixa um adaptador. Ao lado do microUSB, uma pequena luz que acende para mostrar quando o aparelho está ligado.

Uma vez na televisão, o usuário precisará configurar o Chromecast. Todos os ajustes são feitos no dispositivo de origem dos conteúdos que serão enviados para TV. Ou seja: um smartphone, um tablet ou ainda um computador. Antes, no entanto, é importante se certificar de que o aparelho escolhido como controle remoto está conectado a uma rede sem fio, a mesma que o Chromecast vai utilizar.

No caso dos dispositivos móveis, basta baixar um aplicativo na Google Play ou na App Store chamado Chromecast. No PC, é preciso entrar no site do produto  e fazer download do arquivo executável. A partir daí, é seguir as instruções: são menos de cinco passos.

Aplicativos compatíveis com o acessório possuem o ícone de Cast: uma tela com Wi-Fi
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Aplicativos compatíveis com o acessório possuem o ícone de Cast: uma tela com Wi-Fi

Assim que o seu smartphone, por exemplo, encontrar o Chromecast conectado à TV, o app vai pedir um nome para o acessório. O passo seguinte é conectá-lo à rede Wi-Fi, que precisa ser a mesma do aparelho que você está utilizando para configurar o acessório. Depois disso, é só começar a procurar nos aplicativos compatíveis o ícone de transmissão para mandar o conteúdo do smartphone para a televisão. O ícone chamado de Cast pelo Google parece uma tela com Wi-Fi.

O que posso ver com ele?

Como acabou de chegar ao Brasil, o Chromecast ainda tem um número reduzido de apps se comparado à versão norte-americana, mas os principais estão lá, e são os mesmos do seu principal concorrente, a Apple TV: Netflix, YouTube, Radio e mais.

Além disso, graças a uma extensão para o navegador Chrome (apenas na versão para computadores, atenção), é possível transmitir para a TV o conteúdo de uma determinada aba. Se você, por exemplo, está navegando em um site muito legal e deseja compartilhar com as pessoas na sua casa o que está vendo, pode enviar o site para a televisão via Chromecast ao invés de chamar todos para ficarem em volta do seu PC.

Filmes, fotos e músicas guardados no seu dispositivo móvel também podem ser vistos na televisão por meio das aplicações próprias do Google: Google Play Filmes, Google Play Musique e Fotos do Google+.

O YouTube, a maior aposta do Google no Brasil – a caixa do Chromecast destaca os vídeos da Galinha Pintadinha, o maior canal nacional do site de compartilhamento de vídeos –, tem uma outra funcionalidade interessante: a de fazer listas de vídeos. Depois de enviar um vídeo para a TV, é possível, no mesmo celular, escolher o próximo da fila, que começa a rodar assim que o anterior terminar.

Como o conteúdo que o Chormecast exibe vem da nuvem, e não do aparelho que serve de controle remoto, é possível que mais de uma pessoa colabore para essa playlist. Basta estar conectado na mesma rede, escolher o vídeo e apertar no botão Cast do aplicativo do YouTube.

No site do dispositivo estão listados os aplicativos disponíveis. Como o Chromecast roda uma versão bastante simplificada do Chrome OS, sistema operacional do Google, não é preciso atualizá-lo. O usuário, aliás, não tem acesso a esse sistema. Os programas que ganharem a funcionalidade de transmissão é que precisarão ser atualizados.

Serviço de streaming de música, Deezer agora faz parte da lista de apps compatíveis com o acessório do Google
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Serviço de streaming de música, Deezer agora faz parte da lista de apps compatíveis com o acessório do Google

O Deezer, serviço de streaming de música, é um dos novos aplicativos compatíveis com o acessório. Quem já usa o aplicativo no smartphone ou no tablet precisa baixar a nova versão para então conseguir transmitir suas músicas para a TV via Chromecast. Essa possibilidade, no entanto, só está disponível para assinantes pagos do Deezer.

Este, aliás, é outro aspecto a ressaltar: vários aplicativos exigem uma assinatura para funcionar. Ou seja, para acessar o Netflix do seu tablet e transmiti-lo na televisão é preciso ser assinante do serviço. O mesmo acontece com outros apps compatíveis.

Com que sistemas funciona?

O Chromecast funciona em tablets e smartphones que rodam Android ou iOS, no caso dos iPads e iPhones, e nos computadores com Mac e Windows que possuem o Chrome instalado (Windows 7 ou superior, Mac OS X 10.7 ou superior ou Chrome OS).

São esses aparelhos, aliás, que farão às vezes de controle remoto, para escolher o conteúdo que será transmitido e ajustar o volume, por exemplo. Silverlight, Quicktime e alguns outros plug-ins de vídeo não são compatíveis.

Onde comprar?

Por enquanto, o acessório do Google só está disponível nas lojas online do Extra, Ponto Frio e Casas Bahia, por R$ 199, podendo ser parcelado em até nove vezes nos três sites.

Limitações

A principal limitação do Chromecast é que ele não é tão independente quanto outras centrais multimídias. A Apple TV, por exemplo. Sem um smartphone, tablet ou computador com o navegador Chrome instalado e conectado na mesma rede é impossível fazê-lo funcionar.

A ausência de um controle remoto é outro indício dessa dependência. Até para aumentar o volume você vai precisar do dispositivo em questão. Vale ressaltar, no entanto, que essa conexão com os demais dispositivos faz parte do conceito do que é o Chromecast. Ele está mais para um acessório do que para uma central multimídia.

Não por acaso o Google apresentou durante sua conferência anual para desenvolvedores, o Google I/O, realizado nos dias 25 e 26 de junho em San Francisco, EUA, a Android TV. A Android TV nada mais é do que um sistema operacional para televisões inteligentes e para centrais multimídias. A Razer e a Asus já anunciaram o lançamento de aparelhos que rodem o sistema até o final deste ano.

A grande diferença do Chromecast para a Android TV é que ela dará acesso a mais aplicativos e também a jogos que sejam adaptados para a tela grande. Comandos por voz também devem ser destaque no novo sistema. TVs inteligentes da Sony, da Sharp e da TP Vision (Philips) com Android TV chegam ao mercado em 2015.

Novidades em breve

No mesmo evento, o Google apresentou alguns aprimoramentos para o Chromecast. Um deles é a possibilidade de vários usuários transmitirem conteúdos para o acessório sem que eles estejam no mesmo Wi-Fi.

O Google desenvolveu algumas tecnologias de autenticação que permitem que dispositivos próximos ao Chromecast se conectem a ele sem a necessidade de estar na rede local. E quando isso não acontecer, uma senha aparecerá na tela da TV para facilitar a configuração. Isso possibilita que visitantes da sua casa mostrem conteúdos na televisão sem precisar da sua senha de rede para tal.

Outra novidade que deve chegar em breve aos usuários do Chromecast é o Backdrop, um recurso de plano de fundo para a televisão. Com essa nova funcionalidade, que será adicionada ao aplicativo do Chromecast, é possível enviar fotos do smartphone ou do tablet para a TV, transformando-a numa espécie de porta-retratos digital enorme. Basta o usuário selecionar dentre as fotos disponíveis no Google+, a ainda resistente rede social do Google, quais serão mostradas na televisão.

Além de fotos, o Backdrop tem outras categorias como obras de arte de museus e galerias ao redor do mundo, imagens da Terra vindas do Google Maps, fotos do tempo ou ainda de notícias. Você poderá escolher mais de um tópico se desejar. E se tiver curiosidade sobre a imagem que o Chromecast está mostrando na tela, basta perguntar ao Google, via comando de voz, no dispositivo que você está usando, o que está aparecendo no Chromecast ( what’s on my chromecast?  em inglês).

Em TVs com entrada USB, o dispositivo HDMI fica escondido na parte de trás
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Em TVs com entrada USB, o dispositivo HDMI fica escondido na parte de trás

Como a funcionalidade ainda não está disponível, não há como saber quando funcionará em português. Por fim, o Google anunciou que em breve todos os dispositivos Android poderão espelhar a sua tela na TV por meio do Chromecast.

Conclusão

Se você é do tipo que não larga do smartphone, do tablet ou do notebook nem quando senta em frente à televisão, o Chromecast é o acessório ideal. Além de transformar o dispositivo que você tem em mãos em uma segunda tela, permite que a TV seja mais inteligente do que atualmente é.

Agora, se você já tem uma televisão inteligente, pense que com o Chomecast você poderá aposentar aqueles cabos cada vez que desejar mostrar algo que está no seu dispositivo para alguém. Até o final do ano, o acessório vai não apenas mostrar o que está na aba do Chrome, mas espelhar qualquer coisa que esteja na tela de aparelhos Android.

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