Sistema aponta para o futuro das plataformas de TVs

Desde a CES 2014 que o consumidor mais atento à tecnologia e também ao mercado de televisores aguarda a chegada das primeiras TVs da LG com o tão falado WebOS, sistema criado pela Palm que passou pela HP e, no ano passado, comprado pela LG. Se na época em que foi lançado ele já era promissor, hoje comprovamos que é um sistema com potencial, que se adaptou muito bem ao universo das televisões inteligentes.

Durante a CES, que ocorreu em janeiro, a LG já anunciava que 70% das TVs lançadas em 2014 viriam com o sistema transformado em plataforma para SmartTVs. Em junho, em uma visita ao laboratório da empresa no Vale do Silício, o iG pode ver o WebOS mais de perto , mas somente agora, com as novas TVs sendo comercializadas no Brasil, é que pudemos, finalmente, colocar as mãos nele. Confira abaixo nossas impressões:

A favor

- Sistema operacional intuitivo, fácil de usar, e rápido;
- Interface bonita e mais de acordo com a lógica de uma TV.

Contra
- Pouca integração com as redes sociais

O teste realizado pelo iG foi feito em uma sala da LG, em São Paulo. A inexistência de TV a cabo e problemas com a conexão de internet do local dificultaram nosso teste mas, ainda assim, é possível afirmar que o WebOS é bastante superior aos concorrentes.

Desde que surgiram, grande parte dos sistemas de televisões inteligentes sofre de uma espécie de problema de identidade. Em certos aspectos, lembram os sistemas encontrados em smartphones, mas como as telas não são sensíveis ao toque, carregam elementos que mais parecem saídos dos computadores.

O WebOS também traz essas referências, mas parece ser bem mais focado na TV e nas experiências que um aparelho conectado à internet podem oferecer ao usuário. Uma Smart TV é muito mais do que uma televisão com conectividade.

Configuração em oito divertidos passos

Começar a usar uma TV com WebOS já é bem diferente. Em vez de procurar no sistema onde fica cada ferramenta de configuração, o usuário é convidado a ajustar seu equipamento por um divertido assistente: o BeanBird – um feijão que parece um pássaro ou vice-versa. Lembra do clipes do Pacote Office? Pois bem, essa é ideia: que as configurações necessárias para que o usuário tenha a melhor experiência possível sejam feitas antes dele efetivamente usá-la.

Os ajustes feitos com ajuda do BeanBird vão desde o emparelhamento do controle remoto, o Smart Magic – já usado no Netcast, sistema anterior da LG –, passa pela conexão à internet, até chegar a busca por canais. São oito etapas e, caso o usuário pule uma delas, o pássaro-feijão surge em um protesto para deixar claro que a experiência pode ser afetada.

Outra diferença das TVs com WebOS é a preferência pelo Smart Magic. O controle que antes era acessório dos televisores passa a ser o oficial nos equipamentos com o ex-sistema da Palm. O Smart Magic funciona de forma similar ao controle do Wii, ou seja, o usuário precisa girar o pulso para mover o cursor na tela. O clique é feito na bola do botão direcional. Para quem nunca experimentou o console da Nintendo pode parecer difícil, mas não é. Logo o usuário se acostuma e percebe que escrever com ele no teclado virtual é muito mais fácil do que com as teclas direcionadas.

Barra é área de trabalho das TVs com WebOS
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Barra é área de trabalho das TVs com WebOS

Sistema com lógica de aplicativos

Diferente de outros sistemas, que exigem que o usuário entre e saia de pastas, troque a entrada de HDMI para acessar a área inteligente, a TV, ou um terceiro dispositivo conectado; o WebOS coloca tudo em uma única barra localizada na parte inferior da tela. De certa forma, ele encara todos os tipos de fontes de conteúdo como aplicativos. A barra de aplicativos é o equivalente à tela inicial de apps de smartphones.

É claro que alguns compartimentos são mais do que o ícone mostra, como a LG Store, onde estão todos os aplicativos para download. No entanto, só por colocar todas as fontes de conteúdo em um só lugar o WebOS se diferencia dos concorrentes. Para chegar ao Netflix ou na TV aberta, chamado de Live TV, basta rolar a barra para a lateral, não é preciso sair de um ambiente para chegar ao outro.

Graças a essa interface mais intuitiva, é possível passar de um vídeo do YouTube para um do Netflix ou para um canal de TV a cabo em poucos movimentos e cliques. No teste feito pelo iG , o WebOS se mostrou muito competente em realizar essas tarefas, sem engasgos no sistema 

Os primeiros atalhos que aparecem nessa barra são os que a LG chama de premium e já vêm pré-instalados. Levando o cursor do controle remoto para a esquerda, o usuário encontra os aplicativos abertos – bem similar ao que acontece no Android ou mesmo com as abas do seu navegador. Na final da barra, à direita, estão os programas recentemente baixados. Todos os aplicativos que o usuário baixar aparecerão nessa barra.

O WebOS, como sistemas operacionais para smartphones, permite que o usuário reconfigure a ordem desses aplicativos. Para tanto, basta segurar o cursor em cima e arrastar para o lado escolhido. Fechar os programas abertos também é simples: basta segurar o cursor em cima que logo irá aparecer um“X”. Sentimos, no entanto, falta de um recurso de fechar todos os programas ao mesmo tempo.

Infelizmente, os canais da TV aberta ou da TV a cabo não podem ser transformados em ícones nessa barra. Ou seja, para acessar os canais é preciso entrar no ícone de TV e lá dentro encontrar o canal de sua preferência. Um próximo passo interessante para o WebOS seria o usuário poder colocar seus canais preferidos nessa barra, minimizando ainda mais o entra e sai de atalhos, algo que o WebOS já faz.

Uma limitação no uso do WebOS não está propriamente no sistema, mas sim na falta de padronização de metadados, usados para exibir informações sobre a programação da TV. Durante o teste, reparamos que poucos canais abertos enviavam esse tipo de dado. Os metadados são importantes porque ajudam o sistema a mostrar para o usuário o que está passando na programação, seu catálogo de filmes no caso do Netflix, por exemplo. Mas vários canais e aplicativos, inclusive o Netflix, não compartilham esse tipo de informação com fabricantes de TVs.

Fale para a TV o que você quer ver

Os metadados também são importantes para que o recurso de voz do sistema seja explorado em todo o seu potencial. Com o controle em mãos – é nele que está o microfone – o usuário pode buscar um programa, um filme ou vídeo apenas falando as palavras para o Smart Magic. O usuário que tiver configurado sua localidade poderá perguntar para o WebOS a previsão do tempo da sua cidade apenas dizendo “Previsão do Tempo”..

Pergunte a previsão do tempo na sua cidade que a TV irá ajudar a responder
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Pergunte a previsão do tempo na sua cidade que a TV irá ajudar a responder

Outros recursos já encontrados em Smart TVs como o Time Machine, que grava os programas para o usuário ver depois, também estão presente nas TVs com WebOS, assim como a possibilidade de transmitir conteúdos de outros dispositivos pela rede Wi-Fi. Infelizmente, a conexão da sala em que o iG testou o sistema não permitia esse tipo de interação por se tratar de uma rede corporativa, logo, não tivemos a chance de experimentar o espelhamento de telas.

O WebOS não tem nenhuma integração com redes sociais. Quase todos os concorrentes da LG possuem algum tipo de aplicativo que permite comentar e compartilhar o que se está vendo, mas nenhum funciona da forma que deveria.

Ainda que não seja um item essencial, levar a chamada segunda tela para a TV é uma tendência e é curioso que um sistema tão moderno esteja de fora. Porém, convém lembrar que o WebOS é uma plataforma aberta e que qualquer um pode desenvolver aplicações para ele, incluindo serviços de redes sociais.

Conclusão

Além de ser fácil de usar, o WebOS também é rápido e principalmente bonito. O design do sistema destoa muito dos seus concorrentes. Do cursor ao volume, passando pelos ícones de ajustes é possível perceber que houve toda uma preocupação com a estética. A interface da plataforma é toda baseada em cores e em ícones minimalistas.

No Brasil, as primeiras TVs com WebOS chegaram em junho. A linha LB6500 tem aparelhos entre 39 e 65 polegadas, com preços entre R$ 2.199 e R$ 9.499. Modelos com WebOS e resolução 4K já estão no mercado. Até o fim deste ano, 8% dos aparelhos vendidos pela LG no País devem ter o WebOS.

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