Lâmpada inteligente é exemplo prático da tendência conhecida como Internet das Coisas

Uma das expressões mais ditas pelos executivos e especialistas em tecnologia ao longo de 2014, a Internet das Coisas finalmente tem um exemplo em território nacional. Trata-se da Hue, a lâmpada inteligente da Philips, vendida no Brasil desde maio e recentemente testada pelo iG .

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De cara, a ideia de uma lâmpada conectada pode soar estranha, mas é preciso menos de uma noite para que até os mais descrentes se interessem pela novidade. E, caso tenham condições, invistam na compra. Isso porque além de funcional, as lâmpadas inteligentes são divertidas, capazes de mudar completamente a dinâmica de uma casa ou escritório.

As lâmpadas Philips Hue permitem ao usuário controlar e personalizar a iluminação do ambiente, podem ser ligadas e desligadas remotamente e ainda são capazes de reproduzir cor de fotos na decoração. No Brasil, o kit com três lâmpadas e a ponte auxiliar que conecta as lâmpadas é vendido por R$ 1.299 com exclusividade na Apple Store (online, na loja física e em autorizadas), enquanto cada lâmpada avulsa custa R$ 269. Confira abaixo detalhes do teste do iG :

A favor:

- São úteis e divertidas;
- Ajudam na ambientação da casa ou do escritório;
- São econômicas.

Contra:

- Preço alto;
- Não funcionam como luz de emergência.

Como funciona

Não é por acaso que o Starter Pack da Philips Hue vem com três lâmpadas de LED e uma ponte auxiliar. Primeiro porque, sem essa ponte auxiliar, a mágica não acontece. Segundo, porque uma lâmpada é pouco para aproveitar todo o potencial da tal Internet das Coisas que essa inovação materializa.

Basicamente, a ponte auxiliar funciona como um roteador. É ela quem se conecta à internet e que cria uma rede segura para as lâmpadas inteligentes se comunicarem entre si e com o aplicativo que as controla. Ligada ao modem da casa por cabo e por Wi-Fi, a ponte é capaz de ligar até 50 lâmpadas Hue ao mesmo tempo. Ou seja, o usuário pode começar comprando o kit para a sala de estar, por exemplo, e, aos poucos, deixar toda a iluminação da sua casa inteligente.

No meio do equipamento está um botão que serve para iniciar ou reiniciar a conexão e três pequenas luzes de LED que mostram o status da ponte: se a conexão à internet está funcionando, das lâmpadas, e ainda se o dispositivo está ligado.

Ao contrário do que muitos podem pensar, as lâmpadas Hue não se comunicam pela internet, mas sim por uma padrão de conectividade chamado ZigBee, que inclusive é um dos pilares da Internet das Coisas. Ou seja, nada de se preocupar com a velocidade da internet por causa de algumas lâmpadas inteligentes instaladas. O ZigBee Light Link é um padrão aberto de conectividade, de modo que ele pode ser integrado com outros sistemas certificados.

O controle das lâmpadas Hue é todo feito pelo aplicativo. Claro que ela acende – com um pequeno atraso quando comparada às lâmpadas normais, incandescentes ou frias – pelo interruptor como qualquer outra, mas a graça da Hue não está aí, mas sim nas inúmeras possibilidades que oferece ao usuário.

Atualmente, o aplicativo é compatível com iOS 6.0 e acima, do iPhone 3Gs em diante, todos os iPads, e a partir da terceira geração de iPod Touch. No sistema do Google, o aplicativo é compatível com Android 2.3 ou superior.

Com a ponte ligada na tomada e na internet e as lâmpadas instaladas, a configuração é feita toda pelo aplicativo e poucos em minutos. E mesmo que você troque as lâmpadas de lugar, uma reconfiguração não é necessária. Em poucos segundos, a ponte encontra a Hue em seu novo local. Outro destaque é a durabilidade: segundo a Philips, as lâmpadas tem 15 mil horas de vida e, uma vez que não possuem filamento, dificilmente "queimam" como as normais.

Infelizmente, a Hue não é tão inteligente a ponto de funcionar como luz de emergência. Se a lâmpada tivesse uma pequena bateria, poderia quebrar o galho por alguns minutos em caso de falta de luz, por exemplo.

Ponte auxiliar conecta as lâmpadas Hue
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Ponte auxiliar conecta as lâmpadas Hue

Design

O kit chamado de Starter Pack da Philips Hue vem em uma bela caixa que contém a ponte auxiliar e três lâmpadas HUE. Apesar de branca – cor que pode destoar do restante dos equipamentos da casa caso o dono não seja um fã de Apple –, a ponte auxiliar é bastante discreta e pequena: tem 10 centímetros de diâmetro e 2,5 centímetros de altura.

As lâmpadas – como já era de se esperar – não fogem às origens e se parecem bastante com suas antecessoras. O bulbo de metal e o fluxo luminoso de LED, porém, deixam claro que se trata mais de gadget do que de um utensílio para a casa. Além disso, elas são um pouco maiores e mais pesadas que as comuns, mas isso está longe de ser um problema.

Cada lâmpada Hue cobre todos os tons de branco, isto é, vai da luz branca morna para a fria, e uma variedade de cores que chega a 16 milhões de acordo com a Philips. Além disso, uma lâmpada Hue consome 80% menos energia do que uma lâmpada tradicional.

Aplicativo

A tecnologia da Internet das Coisas está nas lâmpadas, mas é com a ajuda imprescindível do aplicativo que o usuário consegue tirar o melhor dos 600 lúmens das Hue, nível de iluminação equivalente ao de uma lâmpada convencional de 50 Watts. E, é claro, das cores e da conectividade.

O iG testou as lâmpadas conectadas a um smartphone Android e não encontrou problemas no software. Em termos gerais, ele é bem simples e fácil de operar. Na esquerda está o menu principal que permite ao usuário se conectar no My Hue – uma espécie de rede social para usuários trocarem experiências e imagens –, acessar as Cenas disponíveis, Luzes, Alarmes e timers, além do recurso de Geolocalização.

Aplicativo da Hue tem cenas que servem de base para a iluminação já pré-definidas. Em cada cena, é possível definir que lâmpada terá que cor ou tom e qual a intensidade
Divulgação
Aplicativo da Hue tem cenas que servem de base para a iluminação já pré-definidas. Em cada cena, é possível definir que lâmpada terá que cor ou tom e qual a intensidade

As Cenas são imagens que servem de padrão de iluminação para as lâmpadas. A do pôr-do-sol, por exemplo, deixa as lâmpadas Hue com cores quentes, amarelo, vermelho e laranja. Já a cena Concentração deixa todas as lâmpadas com tons de branco para ajudar a pessoa a prestar atenção no que precisa fazer. Mesmo quem não é especialista sabe reconhecer a importância de uma luz apropriada. Ou você gosta de festa com luzes acesas, por um acaso? Essa função de Cenas permite, inclusive, que o usuário crie suas próprias cenas a partir do upload de imagens. Sabe aquele céu que você fotografou? Então, suas luzes de casa podem reproduzí-lo se forem Hue.

Já no menu Luzes o usuário consegue dar nomes para cada lâmpada – sala, mesa de jantar, quarto são alguns exemplos – e até escolher manualmente as cores e a intensidade de cada uma. Ou, ainda, formar grupos com algumas lâmpadas da casa para que elas tenham o mesmo comportamento.

Como o nome diz, a seção Alarmes e timers permite que o usuário determine horários em que as luzes vão ligar e desligar. Ou seja, se você quiser, pode configurar para que as luzes do quarto acendam logo após o toque do despertador.

A Geolocalização é um dos recursos mais interessante. Com ele, o usuário pode configurar para que as luzes apaguem quando detectarem que o usuário – e seu smartphone, é claro – não está mais em casa. O inverso também é possível: ou seja, é possível configurar para que as luzes liguem assim que o smartphone for conectado na sua rede doméstica, o que normalmente acontece antes mesmo de você abrir a porta, certo? 

O app da Philips Hue também possui um sistema especializado que contém quatro configurações de iluminação pré-programadas feitos com base na pesquisa da Philips sobre os efeitos biológicos que a iluminação tem sobre o corpo.

Aplicativos de terceiros

No aplicativo de controle da Philips Hue o usuário já encontra diversas opções de uso das lâmpadas, mas outras bem variadas podem ser experimentadas com aplicativos de terceiros. Um bom exemplo é o serviço "If This Then That" (IFTTT), que significa "Se Isso, Então Aquilo".

Se o usuário receber um e-mail importante, por exemplo, as lâmpadas podem brilhar para alertá-lo. Se o time do coração marcar um gol, uma lâmpada pode piscar com as cores do escudo. E se a previsão do tempo for de chuva, as suas luzes podem ficar azuis. Basta configurar no site do serviço ou mesmo no app do IFTTT.

O Hue Alarm Clock, também de terceiros, é um aplicativo que ajuda o usuário a acordar ao poucos. Nele, é possível configurar como e quando as luzes irão aumentar de intensidade e também as cores que serão utilizadas para cada despertar.

A Philips abriu recentemente o aplicativo Hue para a comunidade de desenvolvedores e criou uma plataforma no site Meet Hue para explorar o aplicativo e aumentar ainda mais possibilidades de uso das lâmpadas. Os aplicativos de terceiros podem ser encontrados diretamente nas lojas, Google Play ou App Store, da Apple. Ou seja, novos usos para as lâmpadas inteligentes podem surgir a qualquer momento e justificar ainda mais o investimento.

Na caixa:  Três lâmpadas Hue, uma ponte, um adaptador de energia e um cabo Ethernet.  Preço:  R$ 1.299


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