Lançamento da Motorola supera rivais em conforto e visual, mas não resolve todos os problemas dos relógios inteligentes

Com o lançamento dos primeiros relógios inteligentes com Android Wear, entramos na segunda geração desses acessórios. A evolução da categoria é perceptível e o Moto 360 (R$ 800) é certamente um dos melhores produtos atualmente no mercado para quem quer um relógio inteligente. 

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O relógio da Motorola chama atenção principalmente pela tela redonda e pelo aspecto clássico, similar ao de um relógio comum. Infelizmente, alguns problemas da categoria, como a baixa duração de bateria, ainda não foram resolvidos. Confira mais detalhes sobre o Moto 360 na análise abaixo.

A favor:

- Design elegante;
- Compatível com celulares de várias marcas;
- Leve e confortável.

Contra:

- Bateria não dura muito;
- Tela nem sempre liga quando usuário move o braço e o pulso;
- Processador defasado.

Design

Neste ponto o Moto 360 supera com folga seus concorrentes. A maior parte dos relógios inteligentes lançados no mercado, incluindo o G Watch e os modelos da série Gear, tem tela retangular ou quadrada. Já o Moto 360 tem tela redonda, o que dá ao relógio um ar elegante. O relógio tem exterior de aço inoxidável e pesa apenas 49 gramas. Para efeito de comparação, o Gear 2, lançado em abril deste ano, pesa 68 gramas.

O Moto 360 é grande, mas não gigante, e cai bem em um pulso masculino. A pulseira de couro também é bem mais confortável do que as de plástico usadas em alguns concorrentes. Infelizmente o encaixe da pulseira não é padrão, então só é possível trocá-la por outros modelos vendidos pela Motorola e a troca só pode ser feita em uma loja especializada.

Moto 360 tem apenas um botão físico, na lateral
Ricardo Shinji/iG
Moto 360 tem apenas um botão físico, na lateral

O Moto 360 tem apenas um botão físico, na coroa do relógio. Um toque no botão mostra a tela principal, com as horas. Quando o botão é pressionado por alguns segundos, surge a tela de configuração do acessório.

A tela do relógio é do vidro Gorilla Glass 3, o mais resistente do mercado, e o relógio conta também com proteção nível IP67 contra água e poeira. Na prática, isso significa que dá para tomar chuva sem se preocupar. Na parte traseira fica o sensor que mede batimentos cardíacos.

Recursos

Os relógios inteligentes ainda são uma categoria nova e muita gente ainda não sabe direito que é possível fazer com um desses. Como outros relógios inteligentes, o Moto 360 funciona em sincronia com o celular, facilitando algumas tarefas. As principais tarefas que podem ser feitas no relógio são:

- Controlar a música tocada no celular (pular faixas e regular volume); 
- Monitorar atividades físicas (contagem de passos e batimentos cardíacos);
- Ler mensagens SMS, e-mails (apenas remetente, título e primeiras palavras) e outras notificações;
- Criar lembretes por meio de comandos de voz;
- Usar o Google Maps para navegação;
- Ver informação sobre o clima.

Configuração

O Moto 360 tem chip com a arquitetura OMAP 3, da Texas Instruments, e 512 MB de RAM. O valor da memória RAM é o padrão de outros relógios, mas o chip é mais antigo do que os modelos Snapdragon encontrados nos concorrentes.

No uso cotidiano do teste, a configuração não comprometeu. As transições de tela são rápidas e sem engasgos. Ainda assim, deve-se observar que a escolha do chip do aparelho é no mínimo curiosa, levando em conta que a Texas Instruments deixou de investir na plataforma OMAP há dois anos.

O Moto 360 tem ainda 4 GB de memória interna. Isso significa que dá para guardar algumas músicas no relógio e usá-lo como MP3 Player, com um fone de ouvido Bluetooth. Assim, quem curte uma música durante a corrida ou caminhada não precisa levar o celular. 

Como outros relógios inteligentes, o Moto 360 depende do celular para muita coisa. Caso não haja um celular pareado, o Moto 360 serve basicamente para ver as horas, controlar músicas armazenadas localmente e verificar contagem de passos e batimentos cardíacos.

Tela

Após décadas olhando para telas retangulares de TVs, monitores, notebooks e smartphones, é uma sensação diferente olhar para uma tela de aspecto redondo. No caso do Moto 360, ela tem resolução de 320 x 290 pixels e densidade de 205 ppp. As especificações talvez fiquem abaixo das ideais para usuários mais exigentes, mas na prática a tela é ótima no quesito definição e também em brilho.

Pequena faixa preta ocupa parte inferior da tela
Ricardo Shinji/iG
Pequena faixa preta ocupa parte inferior da tela

Um detalhe é que a tela não ocupa a totalidade da área circular do visor. Na parte inferior há uma pequena faixa preta. A Motorola usou esse espaço para abrigar outros componentes do relógio, o que eliminou a tela nessa área. Esse detalhe estraga um pouco o visual redondinho da tela, mas não incomoda.

A tela redonda é uma das vantagens dos Moto 360 em relação aos rivais, mas traz alguns pequenos problemas. Um deles é que os textos ocasionalmente aparecem cortados nas beiradas, nas áreas superior e inferior da tela. Partes de letras que ficam muito próximas das bordas ficam ligeiramente desfocadas, devido à curvatura do vidro. Mas ambos os problemas são mínimos e incomodarão apenas os usuários muito detalhistas.

Por outro lado, a Motorola trouxe uma solução interessante para um problema conhecido dos relógios inteligentes. A tela desses aparelhos normalmente fica desligada para economizar bateria e só é ligada quando o usuário move o pulso e o braço para ver as horas.

No caso do 360, é possível ativar uma opção que deixa a tela praticamente sem luz, mas ainda com as horas visíveis. Dessa forma não é necessário mover o pulso para ver as horas. Vale observar, no entanto, que esse modo de tela sempre ativa gasta mais bateria.

Também vale acrescentar que, como ocorre com outros relógios, a tela nem sempre acende quando o usuário move o braço. Não dá para não se sentir meio ridículo ao ter que levantar o braço duas ou três vezes para simplesmente poder ver as horas.

Sistema e aplicativos

O Moto 360 é um dos primeiros relógios com o Android Wear, sistema do Google voltado para relógios, pulseiras e outros dispositivos vestíveis. Um detalhe importante aqui é que acessórios com esse sistema são compatíveis com qualquer celular com Android 4.3 ou superior. Portanto, é possível usar o Moto 360 com celulares da Samsung, LG, Sony e outros fabricantes.

Android Wear permite configurar o Moto 360
Reprodução
Android Wear permite configurar o Moto 360

O Google não permite muitas alterações no Android Wear, por isso o sistema do Moto 360 é idêntico ao encontrado no G Watch e no Gear Live, outros relógios com a plataforma. A navegação entre os recursos do relógio é feita com gestos verticais e horizontais na tela e a interface é colorida e simples. 

Para usar o relógio é necessário instalar no celular o aplicativo Android Wear. Esse aplicativo faz o pareamento entre o celular e o relógio e permite ajustar algumas configurações do acessório.

Além do app do Android Wear os usuários podem baixar outro app opcional, mas interessante. O Motorola Connect traz mais opções de tela de horas para o relógio e também coleta dados do monitor de batimentos cardíacos e do pedômetro.

Além desses apps, alguns aplicativos funcionam também enviando informações para o relógio. Entre eles estão o NewsRepublic, que mostra trechos de notícias, e o Yahoo Tempo, que exibe informações climáticas. A quantidade, porém, não é muito grande. 

Comandos de voz

Uma das principais vantagens do Android Wear é permitir operações hands-free, ou seja, sem o uso das mãos. É possível usar comandos de voz para criar anotações rápidas, iniciar uma rota no Google Maps e regular o volume da música, entre outras tarefas.

O sistema suporta comandos em português e funcionou bem nos testes do iG , com poucas falhas no reconhecimento de voz. Mas há um detalhe: o reconhecimento de voz depende de uma conexão à internet para funcionar.  

Bateria

Um dos pontos fracos do relógio é a bateria, de 320 mAh. Em uso um pouco mais intenso, com o recurso de tela ambiente ativado e algum uso de apps, mapas e mensagens, a bateria chegou ao fim do dia com dificuldade. Vale notar que esse problema não é só do Moto 360, mas sim dos relógios inteligentes em geral.

Entretanto, certamente o processador antigo é um dos fatores que prejudicam a bateria. Um processador mais moderno em uma versão futura do relógio seria muito bem-vindo.

Uma vantagem do 360 em relação a seus rivais é o carregamento sem fio (por meio do padrão Qi). O relógio vem com uma base, que fica conectada à tomada ou a uma porta USB. Para carregar a bateria, basta por o relógio sobre a base, sem que haja necessidade de se conectar adaptadores ou cabos ao relógio.

A concorrência 

Entre os aparelhos com Android Wear, o único rival no nível do 360 é o G Watch R, que também tem tela redonda e acabamento refinado. Esse modelo, porém, não é vendido no Brasil. 

No País, o único concorrente do 360 com sistema Android Wear é o LG G Watch, certamente inferior ao aparelho da Motorola no quesito design. Além dele, há os relógios Gear S e Gear 2, da Samsung, com sistema Tizen. Esses relógios têm mais recursos, mas são compatíveis somente com alguns aparelhos da linha Galaxy e também têm visual "quadradão".

Conclusão

O Moto 360 é, sem dúvida, uma evolução dos relógios inteligentes no que diz respeito ao design. O principal destaque do aparelho está na sua construção e no seu visual, itens fundamentais em um acessório que fica o tempo todo à vista. O relógio é bonito, elegante e confortável.

Como pontos negativos, podemos citar fatores que afetam também seus concorrentes: bateria com vida curta, software ainda imaturo e pouca variedade de funções. O preço também não colabora. O valor de R$ 800 nem é tão mais alto do que o preço cobrado nos Estados Unidos (US$ 250, cerca de R$ 630). Ainda assim, o preço é alto, principalmente quando consideramos que com esse dinheiro dá para comprar um bom celular novo.

No fim das contas, relógios inteligentes são acessórios bacanas, mas não resolvem a vida de ninguém. E, para que se tornem mais populares será necessário resolver alguns problemas, principalmente de bateria. O preço também tem que cair bastante para que esse tipo de acessório se torne realmente popular. No quesito design, no entanto, a Motorola acertou em cheio.

Ficha técnica

Moto 360

Configuração:  processador OMAP 3, 512 MB de RAM, 4 GB de memória interna, tela de 1,56 polegada de diâmetro e resolução de 320 x 290, sistema Android Wear, pedômetro e sensor de batimentos cardíacos, conexão Bluetooth.
Preço: R$ 800
Peso: 49 gramas

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