Leitor de livros digitais da Amazon ganha recurso importante para atrair a "geração touch"; iluminação interna ainda está restrita a modelos mais caros

Líder no segmento de livros digitais no Brasil e no mundo, a Amazon vem aperfeiçoando ano a ano sua linha de e-readers Kindle. No fim do ano passado, a empresa lançou no Brasil a mais nova versão de seu e-reader mais básico, chamado simplesmente de Kindle (R$ 299). 

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A maior novidade é a inclusão de uma tela sensível ao toque, anteriormente presente apenas em modelos mais sofisticados. Por outro lado, o modelo básico do Kindle ainda não tem a iluminação interna encontrada nos modelos Paperwhite e Voyage. Veja mais detalhes sobre o novo Kindle no teste.


A favor:

- Leve e prático;
- Acesso ao excelente acervo de livros da Amazon.

Contra:

- Não tem iluminação interna;
- Não suporta arquivos do formato ePub, um dos mais populares em livros digitais.

Design

Enquanto fabricantes de smartphones e tablets investem para tornar o visual de seus produtos mais elegante e sofisticado, a Amazon não mexe muito na fórmula do Kindle. O aparelho tem um design funcional e discreto, sem nenhum detalhe que chame a atenção. O único botão físico (liga/desliga) fica na parte inferior do aparelho, junto à porta microUSB usada para carregar a bateria. 

Com apenas 191 gramas, o Kindle é mais leve do que tablets com telas de 7 polegadas, que costumam pesar entre 300g e 400g. A diferença pode parecer pequena, mas faz diferença principalmente ao usar o aparelho com uma só mão. De modo geral, é um aparelho confortável de segurar e usar.

Configuração

Ninguém dá muita bola para as configurações de um e-reader, mas lá vão: o Kindle 2014 tem processador de 1 GHz e 4 GB de armazenamento. Segundo a Amazon, o novo processador permite um ganho de 20% na velocidade de troca de páginas em relação ao modelo anterior. Na prática, como na versão anterior, as trocas de página são rápidas e a navegação entre os recursos do aparelho também. Há um ligeiro atraso de menos de um segundo entre o toque na tela e a ação, mas isso se deve mais à limitação da tecnologia de tinta eletrônica (E-Ink) do que à configuração do aparelho.

A memória de 4 GB para guardar livros é o dobro da versão anterior, mas na prática não tem muita importância. Mesmo que você consiga ler milhares de livros e lotar a memória, todas as obras compradas ficam também nos servidores da Amazon, então não há com o que se preocupar. 

Tela

Tela sensível ao toque facilita seleção de texto
André Cardozo/iG
Tela sensível ao toque facilita seleção de texto

É na tela que está a maior mudança do novo Kindle em relação a seu modelo anterior: a presença da tecnologia de detecção de toque.

Já presente em outros modelos mais avançados, a tela sensível ao toque realmente facilita muito a navegação nas páginas e nos recursos do aparelho.

Melhor ainda, a tela sensível ao toque faz toda a diferença na hora de marcar trechos de textos e escrever anotações, tarefa realmente chatas em modelos com tela convencional.

A sensibilidade não é a mesma encontrada em celulares e tablets e a tela requer um pouco mais de pressão nos dedos. Mas nos testes do iG  ela foi bem ao detectar gestos e toques na tela. 

O recurso touchscreen, porém, é a única novidade da tela. Ficamos esperando pela inclusão da iluminação interna também na versão básica do Kindle (atualmente, ele está presente apenas nos modelos Paperwhite e Voyage). Faz sentido que a Amazon guarde esse recurso para seus modelos mais caros e cobre mais por isso. Mas, com a forte concorrência de tablets e smartphones grandes, a tela iluminada é um diferencial cada vez mais importante para um leitor de e-books.

A densidade de 167 ppp é inferior à de modelos mais caros, mas na prática a legibilidade é ótima e mesmo com uma lupa é praticamente impossível ver pixels na tela.

Sistema e loja

Logo em sua tela inicial, o Kindle traz os livros mais recentes do usuário e também  uma lista de mais vendidos na Amazon. É possível comprar livros diretamente do aparelho por meio da conexão Wi-Fi. E a melhor experiência de leitura certamente ocorre em livros comprados na loja, que atualmente conta com mais de 40 mil títulos em português e mais de 2,5 milhões em inglês.

Como ocorre com outros e-readers, o suporte a PDFs funciona, mas nem sempre de modo ideal. Os arquivos abrem, mas por vezes as fontes são pequenas ou grandes demais, dar zoom é complicado, o texto é cortado nas bordas dos aparelhos e por aí vai. 

Um dos pontos fracos dos produtos Kindle está na falta de suporte para o formato ePub, um dos mais usados em livros digitais. É possível usar programas como o Calibre para converter os arquivos para o formato Mobi ou outro padrão suportado pelo Kindle, mas é um trabalho extra.

Bateria

A duração de bateria é um ponto forte dos e-readers em geral, quando comparados a tablets e smartphones. Segundo a Amazon, uma carga dura até um mês com 30 min de leitura por dia e Wi-Fi desligado. Esse valor pode variar um pouco, mas certamente estará na casa de no mínimo duas semanas com uso mais intenso.

Conclusão

Com preço idêntico ao de seus principais concorrentes (Lev, da Saraiva, e Kobo Touch, vendido pela Livraria Cultura), o Kindle é uma opção prática para quem quer deixar os livros físicos de lado. O único recurso que realmente faz falta é a iluminação interna, por enquanto presente apenas em modelos mais caros.

Em relação aos concorrentes, o Kindle leva a vantagem da integração com o excelente acervo de livros da Amazon e também com os igualmente ótimos aplicativos da empresa (para quem quiser alternar entre e-reader, tablet e smartphone).

Ficha Técnica

Kindle (edição 2014)

Preço: R$ 299
Configuração: Tela de 6 polegadas com densidade de 167 ppp, processador de 1 GHz, 4 GB de armazenamento, Wi-Fi.
Dimensões (cm): 16,7 x 11,6 x 0,8
Peso (g): 191 gramas

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