Híbrido de notebook e tablet da LG se esforça para juntar os dois mundos, mas é pesado e tem mecanismo abre-e-fecha questionável

Neste momento, com certeza tem um engenheiro trancado numa sala rabiscando o que lhe parece a fórmula perfeita para misturar a praticidade do notebook com a leveza do tablet. Não é fácil. Ou a máquina fica pesada, por causa do teclado, ou a configuração é fraca para um notebook. A verdade é que todos estão tateando nesse mercado, inclusive a LG. A empresa lançou recentemente seu SlidePad, que esbarra nos dois problemas (e em alguns outros), apesar de ter seus méritos.

A ótima tela de 11,6 polegadas e as teclas macias, até bastante confortáveis para seu tamanho, fazem da máquina uma opção interessante para se usar durante um bom tempo, e não somente como um quebra-galho portátil. E a bateria que dura quase sete horas potencializa essa característica de versatilidade do aparelho. Confira a análise:

A favor:

• Desempenho muito bom para um tablet;
• Bateria que aguenta um dia inteiro de trabalho.

Contra:

• Mecanismo frágil para abrir e fechar a tela;
• Preço alto demais para a configuração.

Design

Os mais afoitos já correm o risco de começar errado, abrindo o SlidePad com as próprias mãos, forçando a tela para cima a fim de exibir o teclado. Acalme-se: na lateral esquerda existe um botão que libera a trava e deixa as duas peças posicionadas num ângulo de 45 graus.

Mas não é apenas a imperícia do usuário que pode quebrar o aparelho. Quando aberto, ele chacoalha mais do que deveria. Parece faltar uma trava adequada para evitar essa frouxidão. E quando você vai fechar a máquina, transformando-a novamente num tablet, dificilmente consegue fazer isso de primeira. Dá medo até de forçar demais e danificar alguma coisa.

Outro problema sério é que um cabo em formato de fita (o chamado flat), responsável pelo trânsito de sinal entre a parte do teclado e a tela, fica completamente exposto, próximo ao mecanismo abre-e-fecha. Com o tempo, como nos diz a experiência com os celulares antigos no padrão flip, ele pode ser amassado e parar de funcionar.

Problemas à parte, o híbrido de tablet e notebook tem um design bonito e funcional. Ele vai bem no colo, se necessário, e fica num ótimo ângulo de visão, quando colocado sobre a mesa. O tamanho é muito bom, principalmente quando nos lembramos do aperto dos netbooks.

Quando usado no formato de tablet, o SlidePad é mais desengonçado. Primeiro, porque seu encaixe com o teclado não é firme -- ou seja, continua parecendo que tem duas peças. Depois, porque ele pesa 1 kg e mede quase 30 centímetros de altura, na posição vertical.

Tela e teclado

A parte boa de todo esse tamanho para um tablet é que a tela é muito bonita. Ela tem resolução de 1.366 x 768 pixels, o que faz os filmes em alta definição caírem muito bem. É também tão sensível quanto deveria e consegue identificar até cinco dedos de uma vez.

Já o teclado, à primeira vista, é até pequeno. Ele é menor que o de um notebook tradicional, mas levando isso em conta, é surpreendentemente confortável. Você precisa de um tempinho para se adaptar ao aperto? Sim, mas nada fora do normal.

O que realmente faz falta é uma solução de touch ou trackpad. Isso pode ser um problema, já que o Windows 8, fora da nova interface otimizada para tablets, é cheio de ícones minúsculos. As únicas maneiras de se comandar o cursor são tocando a tela com o dedo ou encaixando um mouse à porta USB.

Sistema e aplicativos

A interface clássica do Windows 8, aquela com ícones espalhados no desktop e uma barra na parte de baixo, pode ser acessada no SlidePad, pois o sistema instalado é o mesmo dos PCs. Assim, é possível alternar entre ela e o visual novo do Windows para tablets, com botões maiores para comando com o toque dos dedos.

Mas esse Windows 8 traz um efeito colateral importante. Apenas 34 GB da memória interna ficam disponíveis para o usuário, pois o sistema ocupa os outros 30 GB.

O maior problema de qualquer tablet com Windows 8, no entanto, continua sendo a falta de aplicativos. Se até o Android sofre com poucos programas específicos para telas maiores que a de um celular, no sistema da Microsoft a escassez é terrível. Em quase nove meses de vida, ele tem pouco mais de 100 mil programas disponíveis na loja, enquanto o iOS tem 850 mil.

Configuração e desempenho

Mediano para um notebook de ponta, bom para o dia a dia, excelente para um tablet. Se você precisa navegar, usar meia dúzia de aplicativos, abusar do pacote Office e coisas assim, este híbrido não vai te deixar na mão. Joguinhos casuais também rodam sem nenhum problema. Só não espere agilidade para editar áudio e vídeo, nem mesmo em tarefas consideradas leves para um computador de mesa. Essa não é a praia dele.

A configuração, para um notebook, é bastante simples. Ele é equipado com processador de 1,8 GHz, memória de 2 GB e, seu ponto fraco, disco de estado sólido (SSD) de apenas 64 GB, com quase metade dele ocupado pelo sistema.

Em nosso teste, a bateria aguentou um pouco mais de sete horas em uso moderado no trabalho, com editor de texto rodando, algumas páginas web abertas, o acesso a um vídeo ou outro, de vez em quando, e música tocando na maior parte do tempo, tudo isso com o brilho da tela um pouco acima dos 50%.

No quesito conexões, tudo o que é mais necessário está lá. Porta HDMI, USB, microUSB e entradas para fone de ouvido e microfone. O volume fica à esquerda, junto com o botão que aciona o mecanismo de transformação do tablet em notebook. O liga/desliga e um botão que bloqueia o giro da tela ficam à direita.

Conclusão

Talvez ninguém tenha conseguido fazer ainda um híbrido redondo, desses que você olha e pensa: "É assim que todos deveriam ser". E o SlidePad, apesar de ter algum charme e funcionar bem para aquilo que se propõe, definitivamente está muito longe disso.

Até agora, os híbridos que parecem cumprir melhor a dupla jornada são aqueles cujo teclado se pode retirar, como o Asus Transformer Book Trio ou o Envy X2 , da HP. Assim, o design do tablet não fica prejudicado, quando separado, e também está resolvida a questão da fragilidade na hora de se conectar uma peça à outra.

Fora tudo o que foi dito nesta análise, também fica a impressão de que a máquina é cara. São R$ 2,5 mil, preço de notebooks bem melhores com Windows 8 e tela sensível ao toque. O preço alto é pago pela versatilidade. Mas como os maiores problemas da máquina da LG estão justamente no arranjo do abre-e-fecha, fica difícil justificar tal benefício.

Se um computador meio tablet, meio notebook realmente fizer sua cabeça, já nesta que se pode chamar de primeira geração dos híbridos, talvez o melhor caminho seja gastar cerca de R$ 400 a mais num HP Envy X2. Sua configuração é idêntica, mas a solução de hardware é bem melhor, pelo design e pela presença de um touchpad.

Ficha técnica

LG SlidePad

Preço: R$ 2.499
Configuração: processador Intel Atom Z2760 de 1,8 GHz, memória RAM de 2 GB, memória flash (SSD) de 64 GB, tela de 11,6 polegadas com resolução de 1.366 x 768 pixels, câmera frontal de 2 megapixels, HDMI, USB, microUSB e leitor de cartão microSD.
Dimensões: 28,6 x 19,2 x 1,6 cm
Peso: 1,05 kg
Autonomia de bateria: 7 horas de uso moderado.
O que vem na caixa: tablet/notebook, carregador da bateria, capa de couro e manual.

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