Aparelho da HP tem configuração poderosa e bateria com boa duração, mas alguns detalhes de design incomodam

Já foi mais fácil diferenciar um tablet de um notebook. Tablets eram retângulos pretos com telas sensíveis ao toque que rodavam Android ou iOS. Notebooks tinham teclado físico, tela sem sensibilidade, e rodavam Windows ou Mac OS.

VEJA TAMBÉM: Testes do Fonepad 7 , iPad Mini Retina e outros tablets

Atualmente essas diferenças sumiram e classificar um equipamento como tablet ou notebook é cada vez mais difícil. Principalmente depois do lançamento do Windows 8, o mercado foi inundado de aparelhos híbridos, que funcionam como notebook e tablet.

Quase todos os híbridos do mercado usam o Windows 8, sistema que se sai melhor em modo notebook do que em tablet. No caso do HP SlateBook x2, é o contrário. O aparelho usa o sistema Android, muito bom em tablets, mas nem tanto em modo notebook, como veremos a seguir. 

A favor:

- Configuração poderosa
- Espaço de sobra para arquivos (2 entradas de cartão + espaço na nuvem)
- Boa duração de bateria

Contra:

- Android tem algumas limitações no modo notebook
- Bateria não pode ser carregada por meio de USB
- Fone de ouvido somente no modo tablet
- Botões liga/desliga e volume na traseira podem não agradar a alguns usuários

Design

O design do produto tem altos e baixos. O acabamento em plástico fosco não é tão sofisticado quanto o de modelos em metal, mas dá um aspecto elegante ao aparelho, apesar de acumular impressões digitais com alguma facilidade. O teclado, considerando o tamanho compacto do produto, tem teclas bem espaçadas e é confortável. A trava usada para encaixar o tablet no teclado é firme e fácil de usar. 

Mas há também os pontos negativos. O fone de ouvido, por exemplo, só pode ser usado com o tablet destacado. Isso ocorre porque a saída do fone fica na parte do tablet que é encaixada no teclado. Por isso, no modo notebook, não dá para usar o fone de ouvido. Estranho.

SlateBook x2 tem acabamento em plástico fosco
André Cardozo/iG
SlateBook x2 tem acabamento em plástico fosco

Outro problema é que, como um notebook convencional, a bateria do SlateBook x2 só pode ser carregada usando uma fonte convencional de notebook. O produto não tem porta microUSB, mas apenas uma entrada proprietária, compatível apenas com sua fonte.

Por isso, mesmo que você vá usar apenas o tablet, terá que carregar a fonte trambolhuda para qualquer lugar se quiser carregar a bateria. É uma desvantagem em relação a tablets convencionais, que podem ser carregados de forma mais prática apenas conectando um cabo a um desktop ou notebook com porta USB. 

Também chama atenção a posição pouco comum dos botões liga/desliga e volume. Em um notebook convencional, eles normalmente ficam logo acima do teclado, para fácil acesso. Já no SlateBook x2 eles ficam atrás da tela.

LEIA TAMBÉM: Veja aplicativos para poupar bateria em aparelhos Android

Como todos os componentes de funcionamento ficam na tela, provavelmente essa era a posição mais fácil para incluir os botões, do ponto de vista da engenharia. Mas é estranho ter que por a mão atrás do notebook só para aumentar ou diminuir o volume.

No modo tablet a situação não melhora muito. Com o tablet na vertical, o botão de volume fica no alto do aparelho, na parte traseira, posição pouco intuitiva. A posição dos botões fica mais natural apenas com o tablet na horizontal. Nessa orientação, os botões ficam naturalmente abaixo dos dedos.

Configuração

Este é um ponto forte do SlateBook x2. O produto tem o poderosíssimo processador NVidia Tegra 4 de quatro núcleos e 2 GB de RAM, mais do que suficiente para rodar com folga qualquer aplicativo do Android. O iG testou o aparelho com benchmarks AnTuTu (28.600 pontos), Quadrant (7.527), Vellamo HTML 5 (2.594) e Vellamo Metal (1.093). Em todos os casos os resultados foram ótimos, acima de smartphones como o Galaxy S4 e abaixo apenas de aparelhos muito poderosos, como o Galaxy Note 3.

O iG também testou o aparelho com uma variedade de jogos, incluindo alguns "pesados", como Dead Trigger e Raging Thunder. Todos rodaram muito rápido e sem engasgos. A boa experiência de uso também ocorre no uso convencional do aparelho. Transições entre apps e carregamento de aplicativos também acontecem de forma rápida.

LEIA TAMBÉM: Comparativo com 6 baterias portáteis para smartphones e tablets

O aparelho vem com 12 GB livres para uso e tem duas entradas para cartões de memória (uma microSD no tablet e outra SD no teclado). Quem compra um também ganha 50 GB de espaço no serviço online Box. Em resumo, espaço não é problema. 

Com tecnologia IPS, a tela do SlateBook x2 tem bom ângulo de visão. A resolução de 1.920 x 1.200 é boa, mas está abaixo da de alguns tablets topo de linha, como o iPad Air e o Nexus 10. O mesmo vale para o brilho. Mas, no geral, a qualidade das imagens é boa. Quando o aparelho saiu de fábrica no fim do ano passado, alguns usuários reclamaram de um tom amarelado da tela. O problema foi corrigido a com uma atualização de software, que também atualiza o aparelho para a versão 4.3 do Android.

Sistema

O SlateBook x2 roda a versão 4.3 do Android, com pouquíssimas modificações de interface. No modo tablet, a escolha do Android é obviamente acertada, já que o sistema é o mais popular entre os fabricantes de tablets e tem excelente variedade de aplicativos. 

SlateBook x2 roda Android 4.3
André Cardozo/iG
SlateBook x2 roda Android 4.3

Já no modo notebook há alguns incômodos. Ao navegar na web, o Android é, naturalmente, identificado como um sistema de tablets e smartphones.

Por isso, os sites exibidos no SlateBook x2 são sempre as versões móveis, normalmente com menos recursos e design voltado para navegação na vertical. Quando o produto é usado como notebook, o resultado é uma navegação "capenga", com muito espaço em tela desperdiçado e acesso a versões menos poderosas de muitos sites. 

Também há que se ter em mente que os aplicativos do Android são concebidos para serem usados em tablets e smartphones. Alguns deles podem não funcionar adequadamente com o mouse.

Mas, de modo geral, a limitação na navegação é a que mais incomoda. Outras atividades comuns de quem usa um notebook a trabalho, como edição de documentos, são resolvidas com pacotes de escritório para Android ou os serviços do próprio Google.

Infográfico: Saiba prós e contras de cada tipo de fone de ouvido

Outro exemplo disso está no gerenciador de arquivos. A HP incluiu um aplicativo similar ao Windows Explorer para gerenciar documentos no SlateBook x2. Ele funciona bem, mas algumas operações não são intuitivas quando estamos no modo notebook.

Não dá, por exemplo, para selecionar um arquivo apenas clicando sobre ele com o mouse ou trackpad. Quando fazemos isso, o Android abre o arquivo, mas não o seleciona. Na verdade, a única maneira de selecionar um arquivo é pressionar a tela por algum tempo até que ele seja selecionado. Esse é o comportamento padrão do Android, mas quem está acostumado a selecionar arquivos apenas clicando sobre eles leva algum tempo para perceber que o "comportamento desktop" não vale nessa e em outras situações.

A HP incluiu poucos aplicativos além do pacote básico do Android, o que é bom. Entre os aplicativos mais úteis estão o já mencionado gerenciador de arquivos e o Box, que fornece 50 GB de espaço grátis. Além desses há aplicativos da HP voltados para impressão, o pacote Kingsoft Office e também um tocador de vídeo. 

Bateria

Nos testes do iG , em modo tablet (destacado do teclado), a bateria do SlateBook x2 mostrou bom fôlego. Foram 7h30 com vídeo Full HD em tela cheia, brilho no máximo e Wi-Fi ligado. Não chega a ser um valor comparável aos tablets da Apple, mas fica acima da média das 6 horas alcançadas por muitos tablets atualmente no mercao.

Vale ressaltar que essa duração pode ser maior ainda, já que o teclado do aparelho tem uma bateria extra. 

Conclusão

O SlateBook é praticamente o único híbrido com Android, em vez de Windows 8, à venda no Brasil (há também a linha Transformer, da Asus, mas ela não é distribuída oficialmente no País). Por isso, é difícil compará-lo diretamente com um ou outro produto.

Mas, de modo geral, pode-se dizer que, para quem quer um híbrido com tela pequena, abaixo de 12 polegadas, ele é uma alternativa mais barata do que seus principais concorrentes com Windows 8 (Dell Venue 11 Pro, Lenovo Yoga 11s, Sony TAP 11). Seu principal concorrente, em termos de preço, acaba sendo o LG Slidepad (com Windows 8), também na faixa dos R$ 2 mil. Vale observar também que com R$ 2.000 é possível comprar um iPad Air e um bom teclado da Logitech, outra opção para quem quer combinar teclado e tablet. 

O sistema faz com que o SlateBook x2 seja mais fácil de usar do que seus rivais em modo tablet. Já no modo desktop, há algumas limitações. Por isso, a compra do aparelho depende do perfil de cada usuário. Para quem vai usar o tablet com mais frequência e precisa do teclado apenas para digitar textos básicos e usar serviços online, o SlateBook x2 pode ser uma opção interessante.

Ficha técnica

SlateBook 10-h010nr x2

Preço: R$ 1.899
Configuração: Processador NVidia Tegra 4 de quatro núcleos e 1,8 GHz, 2 GB de RAM, sistema Android 4.3, 12 GB livres de armazenamento (+ 50 GB no Box e duas entradas cartões de memória), tela IPS de 10,1 polegadas com resolução de 1.920 x 1.200, câmeras de 0,9 MP (frontal) e 2,1 MP (traseira), portas USB 2.0 e HDMI (na base), Wi-Fi, Bluetooth.
Dimensões (L x A x P em cm):
Tablet - 25,8 x 18,2 x 0,9
Notebook (fechado) - 25,8 x 19,3 x 2,5
Peso: 598 g (somente tablet) // 1,25 quilo (tablet+teclado)
Bateria: 7h30 (modo tablet) com vídeo em tela cheia, Wi-Fi e brilho no máximo. Autonomia é maior com uso da bateria do teclado. 

CONTINUE LENDO:

Conheça 60 aplicativos úteis para iPhone e iPad

Nokia lança primeiro smartphone Lumia com dois chips

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.