Versão Lion incorpora alguns dos recursos que fazem sucesso no tablet da Apple

Por David Pogue

Deve ser difícil projetar uma nova versão de um sistema já maduro. Como você acrescenta novos recursos para atrair novos consumidores sem atrapalhar o que já funciona? E como fazer isso sem deixar de lado pessoas que não gostam de mudanças?

No Mac OS X 10.7, batizado de Lion, a Apple resolveu inovar. O sistema segue um padrão antigo da empresa: incorporar o que é novo e ousado e eliminar sem piedade o que a empresa considera antigo. Isso é ótimo se você adora coisas novas e ousadas, e péssimo se detesta mudanças.

Instalação só por download

Até a instalação do Lion é radical. O sistema pode ser baixado diretamente da loja de aplicativos para Mac da Apple por US$ 30. Não há como comprar um DVD com o Lion. Se a sua conexão à internet é lenta ou seu plano de dados é restrito, o jeito é esperar até agosto para comprar o Lion em um pen drive.

O sistema de atualização por download tem vários pontos positivos. Não há números de série para digitar. Nem planos de família (o valor cobre quantas instalações o usuário quiser). Também não há discos de instalação para guardar (ou perder).

Se dá para resumir a filosofia do novo Lion, a melhor forma é compará-lo ao iPad.

O que fez o iPad se tornar um sucesso? Dois fatores, na verdade. Fator 1: simplicidade. Sem janelas sobrepostas, todos os aplicativos rodam em tela cheia. Sem comandos para salvar arquivos. Tudo é salvo automaticamente. Sem arquivos nem pastas. Sem menus. Todos os aplicativos estão em um só lugar, a tela Home.

Fator 2: a tela multitoque. Você navega pelo iPad movendo os dedos sobre a tela de vidro e usando gestos de pinça e giro para mover elementos.

No Lion, a Apple se esforçou ao máximo para trazer esses recursos para o Mac.

iPad no Mac

O modo em tela cheia faz com que um programa preencha todo o espaço disponível, sem barras de rolagem ou menus. É um recurso inteligente e útil, principalmente em notebooks.

O salvamento automático de arquivos livra o usuário de ter que clicar em Save enquanto trabalha. Alguns comandos na barra superior dos aplicativos permitem voltar a versões anteriores, travar a versão ou gerar uma nova versão do documento.

Há até um novo programa, chamado de Lauchpad, que é um clone da tela Home do iPad, com ícones para aplicativos.

E sobre o fator 2, a tela multitoque?

Computadores com telas multitoque são uma péssima ideia. Pronto, falei. Passar o dia com o braço esticado pressionando ícones minúsculos em uma tela vertical é pouco prático e cansativo.

A Apple propões uma solução que considera melhor, uma interface multitoque horizontal. Na prática, ela é o trackpad (área sensível ao toque) dos notebooks da empresa, e a parte superior do mouse fabricado pela Apple.

O Lion suporta vários gestos multitoque parecidos com os do iPad. Há gestos de giro, rolagem de páginas, entre outros.

Aqui vale um aviso: no Lion, para rolar uma página para cima é necessário arrastar os dedos de baixo para cima, como no iPad. Faz sentido, mas é diferente do método adotado nos PCs, em que o mouse é arrastado para baixo quando se quer rolar uma página para cima.

E a iPadização do Mac funciona? Há boas e más notícias.

A boa notícia é que, depois que você aprende essas convenções novas, tudo funciona bem. A inversão dos gestos é intuitiva. O Lauchpad seria melhor se ficasse sempre à disposição, em vez de ter que ser aberto manualmente a cada sessão. Mas, fora isso, as inovações do Lion são boas e satisfazem o usuário.

Recursos novos ainda são limitados

A má notícia é muitas das promessas da Apple são apenas apostas no futuro. Recursos como modo de tela cheia, salvamento automático e suporte a gestos funcionam apenas em programas da Apple. Outros aplicativos, como Word e Photoshop, devem ser atualizados para incorporar esses novos recursos.

Mas a boa notícia final é que é possível ignorar todas as novidades. Se você não gosta de mudanças, não terá que usar um aplicativo em tela cheia ou gestos. Dá até para desativar o recurso de rolagem invertido das páginas. Pelo menos dessa vez, a Apple não está impondo suas novidades aos usuários.

Mesmo quem não estiver a fim de usar as novidades avançadas da Apple pode curtir outros recursos do Lion.

A janela AirDrop, por exemplo, mostra ícones de Macs próximos que também rodam o Lion. É possível transferir arquivos entre eles apenas arrastando o documento para o ícone do computador desejado. Não é necessário configurar permissões de compartilhamento. É só clicar em OK e a transferência é feita.

Muitos aplicativos ganharam um visual novo, mais parecido com o do iPad. Alguns, como o Mail, trazem boas novidades, como a possibilidade de marcar pastas como favoritas. Por outro lado, programas, como o iCal e o Address Book, escondem informações importantes, como grupos de endereços, sem motivo algum.

Outra novidade interessante: se você arrastar uma pasta sobre outra de mesmo nome, o Mac oferece a opção de combinar as duas. Agora também é possível redimensionar uma janela clicando em qualquer um dos cantos.

O recurso Resume abre todos os programas do mesmo jeito que estavam quando o computador foi desligado. A ferramenta Migration importa dados de computadores do Windows e coloca as informações nas pastas mais adequadas do Mac.

A princípio, US$ 30 parece ser um preço atraente para uma lista tão grande de benefícios. Mas há algumas boas razões para não adquirir o Lion agora.

A Apple dá, e a Apple toma. Dessa vez, a Apple acabou com o Rosetta, uma ferramenta que permitia rodar programas muito antigos nos chips Intel que equipam os Macs desde 2006. Alguns poucos programas não rodam sem o Rosseta e entre eles está o popular gerenciador de finanças Quicken.

Vale observar também que a atual versão do Lion tem alguns bugs. Tive vários problemas com o Resume, em alguns casos os menus dos programas desapareciam e, em um determinado dia, muito lentidão para abrir aplicativos. Segundo a Apple, esses problemas devem ser resolvidos com um update.

O upgrade para o Lion, em outras palavras, é o esquema clássico da Apple: inovador para alguns, dispensável para outros, muitos avanços, poucos retrocessos. Assim que as empresas atualizarem seus softwares e a Apple eliminar os bugs, o Mac OS X Lion pode se tornar um sistema rápido, bonito e  sem vírus, além de apontar caminhos para os sistemas operacionais do futuro.

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