Design elegante, câmera potente e processador de dois núcleos são diferenciais do aparelho

Com sua nova linha Xperia, a Sony pretende atingir todos os bolsos. Já avaliamos o Xperia U , modelo mais simples, e agora temos aqui o modelo de médio porte, o Xperia P (R$ 1.000).

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Ele é um aparelho poderoso, mas peca na bateria. Possui acessórios muito legais, e traz tanto a qualidade de design Sony como o sistema operacional da Google, o Android, finamente modificado. Veja a análise.

A favor:

• Bonito design;
• Tela com boa definição;
• Câmera de boa qualidade, filma em Full HD.

Contra:

• Sistema ainda é o Android 2.3 (Gingerbread);
• Bateria dura pouco;
• Não possui slot para memória adicional.

Design

Como sabemos, o design de aparelhos é um dos destaques da Sony, assim como a Nokia. O Xperia P é bonito, sóbrio, discreto, e seu material dá sensação de qualidade.

Seu corpo é todo prateado, feito de metal. A frente é dominada pela tela e a parte inferior possui uma faixa transparente de acrílico, juntamente a uma capinha de plástico que pode ser substituída - a que recebemos tem a cor prata.

Atrás, encontramos apenas a câmera, o flash e o logo da empresa. Embaixo, apenas o microfone, uma área vazia como o topo, que acomoda somente a conexão de áudio.

Xperia P tem botão dedicado para câmera
Stella Dauer
Xperia P tem botão dedicado para câmera

Do lado esquerdo ficam uma conexão USB, uma porta microHDMI e o slot para o chip SIM. Não é possível acessar a bateria. O lado direito conta com uma saída de áudio e os botões de energia, volume e um exclusivo para fotos.

O aparelho não é lá muito leve, mas seu peso de 120 gramas ajuda na pegada, uma vez que a traseira de metal pode escorregar da mão facilmente. Na frente, além da tela, ficam uma câmera frontal e um sensor de luz.

No Xperia U, também testado aqui, percebemos um bonito efeito que deixava os LED da faixa de acrílico da mesma cor que o tema escolhido, ou de acordo com a cor predominante de uma foto. Infelizmente, esse recurso não está presente no P.

Tela

A tela é bonita e brilhante. A Sony gosta de sistemas com elementos pequenos e letras finas, e por isso capricharam na definição, que é de 540 x 960 pixels e ótimos 275 ppi de densidade.

São 4 polegadas e 16 milhões de cores, com tecnologia capacitiva LED-backlit LCD. É quase impossível enxergar os pixels, e o sensor de toque aceita até quatro dedos de uma vez.

O preto é bem intenso graças à tecnologia Mobile BRAVIA Engine, que melhora a qualidade como um todo. Ela tem um bom brilho e cores fortes. O brilho máximo, entretanto, não é dos maiores e não se compara, por exemplo, à tecnologia AMOLED.

Hardware e processamento

Pelo seu valor, podemos dizer que a Sony caprichou no processamento, que nos agradou bastante. O conjunto de processamento Dual-core 1GHz Cortex-A9 com 1GB de RAM é bem satisfatório. Tanto em vídeos grandes como na multitarefa, ele mostrou que aguenta o tranco.

No aplicativo de benchmark Quadrant Standard ele obteve 1786 pontos, ficando acima do Nexus S, e abaixo do LG Optimus 2X, Galaxy Nexus e HTC Desire HD. Uma disputa um pouco injusta, na minha opinião.

Nos sensores, o básico: acelerômetro, gisroscópio, proximidade e bússola. Nas conexões sem fio, temos WiFi, GPS com A-GPS, Bluetooth 2.1, NFC, 3G, WiFi hotspot e DLNA. Há também suporte a USB On-the-go, que permite conectar teclados, mouses e outros periféricos ao aparelho, e usá-los normalmente. Isso é muito útil.

Vale lembrar que ele funciona com microSIM, cartão menor do que os tradicionais SIM usados em celulares mais básicos. Há suporte para Flash, HTML5 e a Java, por meio de emulador.

Sistema operacional e usabilidade

Um dos problemas do Xperia P é seu sistema operacional. Apesar da promessa da Sony de atualizar o modelo para o Android 4.1 (Jelly Bean), o modelo que recebemos para testes veio com o Gingerbread, o 2.3. Esse é um sistema bem antigo, embora ainda bem utilizado.

O 2.3 está bem popularizado no Brasil, mas é encontrado em smartphones de entrada, modelos mais baratos em com menor processamento. Um aparelho com o custo médio de mil reais poderia vir já com o Ice Cream Sandwich (4.0).

Ainda assim, essa é uma versão bem estável e já conhecida, e por isso tem fácil aprendizado. Ele conta, inclusive, com a possibilidade de montar pastas na home do aparelho, facilitando a organização. Na área dos aplicativos também há o recurso de dispor os apps de forma personalizada, alfabética, data de instalação ou mais usados. Realmente, isso é uma mão na roda.

Na tela, o sistema é disposto com ótima qualidade de resolução. Os mais observadores irão notar que isso se deve ao fato de todos os itens serem apresentados menores na tela, algo já corrente em aparelhos da Sony desde os tempos da parceria com a Ericsson.

Xperia P roda versão 2.3 do Android
Stella Dauer
Xperia P roda versão 2.3 do Android

Na conexão com o computador, nada de plug&play. Se você tem Windows, é necessário instalar o software PC companion para "poder aproveitar os recursos do sistema". Caso você tenha um Mac ou Linux, vai ficar chupando o dedo.

A interface é a mesma vista em outros aparelhos da Sony. Por cima do Android, a empresa coloca sua interface de usuário de nome Rachael, que deixa todos os aparelhos da marca com o mesmo visual interno.

São ícones pequenos, suaves; letras finas, informações discretamente inseridas nas telas. Tudo é muito leve e pensado para não gritar demais nas telas não tão grandes. Não é difícil de lidar com essa interface, e ela é bem agradável.

Na home, que possui cinco janelas, quando você realiza o movimento de pinça, todas os widgets das janelas aparecem juntos, flutuando em uma visualização muito prática. Na tela de bloqueio, mensagens que chegam podem ser conferidas diretamente com o movimento de arrasto.

O problema só aparece em uma função chamada Timescape. Quem lembra do Blur, interface da Motorola, lembra do esforço que a empresa tinha em integrar redes sociais sem a ajuda de aplicativos externos. O mesmo ocorre aqui, e o Timescape pode não ser muito prático, embora seja belo.

No Timescape os updates dos seus contatos são mostrados em uma pilha de cartões, por onde se navega tridimensionalmente. Não é prático ter de clicar em um por um, além de ter de ser levado a outra janela para visualizar mensagens grandes e imagens.

Aplicativos

Além dos apps básicos do sistema, a Sony traz diversos outros que deixam a área de aplicativos um pouco confusa. Entre os básicos, temos Play Store, Mapas, Gmail, GTalk, Navegador GPS, Locais, Latitude, YouTube, Google+, Chat em grupo e pesquisas.

Várias funções que poderiam estar nas configurações são colocadas em apps separados, como o Assistente de configuração, Dispositivos conectados, Update center, Alarme, Contador, Cronômetro, Relógio mundial, (esses quatro poderiam estar todos dentro do relógio), Gerenciador do LiveWire (gerencia acessórios conectados) e Economia de energia.

No pacote, também encontramos alguns apps mais comuns, fornecidos pela Sony: navegador, Music Player, Email, Agenda, TrackID, Álbum 3D, Música e vídeos (mostra o que seus amigos estão vendo e escutando), Notícias e clima, Câmera e álbum 3D, calculadora e Recomendações. Os aplicativos de terceiros são o WhatsApp, Flash player, Facebook, Office Suite, NeoReader (para ler códigos) e Last.fm.

Câmera

Assim como a Nokia, um dos destaques da Sony sempre foi a câmera (embora nunca tão boa quanto a empresa finlandesa), que possui boa qualidade até mesmo nos aparelhos mais simples – guardadas as devidas proporções. No P, não é diferente. Temos aqui um sensor de 8 megapixels, autofoco, flash de LED e gravação de vídeo em Full HD (1080p).

Ela funcionou sem problemas: mostrou boas soluções à luz do dia, e até que se deu bem em ambientes mais escuros, com granulação, mas sem muita perda de acuidade. Se aumentadas, as fotos à luz do dia mostram que vêm de uma câmera de celular; entretanto, na tela do aparelho elas ficam ótimas, assim como nas redes sociais.

São seis modos de fotos: cena automática, normal, câmera frontal, varredura de panorama 3D, varredura de ângulo múltiplo e varredura de panorama. São oito cenas diferentes e há também ajustes de compensação de luz, resolução, detecção de sorriso, timer, ISO, equilíbrio de branco, medição, estabilizador, método de captura e a escolha de quando a foto será tirada.

Câmera do Xperia P tem resolução de 8 MP
Stella Dauer
Câmera do Xperia P tem resolução de 8 MP

A função panorama tira fotos interessantes, mas é complicada de usar. É preciso encontrar a velocidade certa para conseguir fazer as fotos. Essa mesma função realiza a captura de fotos em 3D, e realmente funciona.

A câmera produz uma imagem em estereoscopia, que funciona tanto no aparelho – movendo o aparelho para esquerda e para direita – como em aparelhos que reproduzem 3D.

O P também tem um botão físico dedicado a fotos, o que é bem legal. Mas, como já vimos em outros aparelhos, o botão é tão duro que treme a foto, levando você a utilizar o disparador da tela, mesmo. Pelo menos, o disparo é super rápido. O foco pode ser automático, com detecção de rosto, automático múltiplo e através do toque na tela. Bem completo.

O foco durante o vídeo é contínuo, e o flash pode ser utilizado como lanterna na hora de gravar. A estabilização também funciona na hora do vídeo. O resultado fica similar ao da foto: durante o dia, faz bons vídeos, com qualidade que superou, e de noite fica com as cores um pouco alteradas, mas a lanterna garante o foco. Há também uma câmera frontal para vídeo chamadas, com qualidade VGA.

Música e mídia

O som estéreo não é dos melhores. A única saída de som na lateral direita deixa o som um pouco prejudicado, sem estéreo. Quando segurado na mão, até que não fica tão ruim. Os agudos são um pouquinho pronunciados, mas o equalizadfor embutido pode resolver isso.

Com os fones intra auriculares que acompanham o Xperia P, o som fica muito bom. Estéreo forte e agudos e graves equilibrados. Os fones foram feitos para ele. O P também conta com rádio FM e RDS, tecnologia que mostra qual a música e artista está tocando na estação.

O player de música é bem simples, mas bem cuidado e bonito, é possível alterar informaçnoes da faixa. 

No vídeo, sem problemas. Ele reproduziu conteúdo em Full HD sem qualquer engasgo. Parece que entretenimento e mídia é o forte desse aaprelho. As cores são ótimas, a tela representa bem o conteúdo. E, com a conexão HDMI do aparelho, é possível a conexão a uma TVHD para que você assista seu conteúdo diretamente na TV. Só faltava vir um cabo na caixa.

Bateria e armazenamento

Eis aqui um item difícil de compreender. Em stand-by, a bateria chega a durar um dia. Se você pega na mão e usa o aparelho para internet, jogos, fotos e filmes, ela fica nas oito horas. Não são números horríveis, mas de certa forma, incomodaram.

Incomodaram porque, de uma hora para outra, a bateria ia embora. Não são muitos os avisos de que é preciso recarregar, e quando você precisa do aparelho, ele nem permite mais que seja ligado. Se desliga e são necessários alguns minutos na tomada para que ele dê sinais de vida novamente.

O armazenamento interno é semelhante ao U: não há acesso à bateria, e por isso também não há slot para cartão de memória. Geralmente, esse é um artifício utilizado pelas empresas para garantir o melhor processamento possível ao aparelho.

Para compensar, são 16GB de memória interna, dos quais aproximadamente 13 GB ficam disponíveis ao usuário. Para os que utilizam o aparelho para jogos mais leves e internet, não há problemas. Mas aqueles que gostam de jogos gigantes ou de entupir o smart de filmes, vai fica um pouco chateado.

SmartWatch

Um dos diferenciais do P, assim como outros dessa nova linha, são os acessórios. Recebemos para testes dois itens bem interessantes, o SmartWatch e as SmartTags (vendidos separadamente). Vale lembrar que eles funcionam com todos os aparelhos da Sony, e até com alguns de outras marcas.

SmartWatch funciona em conjunto com celular
Stella Dauer
SmartWatch funciona em conjunto com celular

O SmartWatch segue o estilo 007, sendo um relógio de pulso com tela OLED que se comunica com o smartphone. Seu conjunto é bem similar a um iPod nano preso a uma pulseira de relógio (ele também pode ser usado sem a pulseira, preso à roupa).

O design dos dois é relativamente parecido, aliás. Um cabo especial carrega o SmartWatch, se encaixando muito bem no clipe que também segura o mini aparelho em sua pulseira.

Ele possui apenas 3,6 x 3,6 centímetros de tamanho, com espessura de 8 milímetros. Pesa só 15 gramas, e junto com a pulseira, totaliza 42 gramas. Funciona via Bluetooth 3.0, com alcance máximo de 10 metros. A pequena tela de 1,3 polegadas faz com que a bateria dure três dias com pouco uso, e 24 horas de muito uso. Infelizmente, ela tem baixo brilho, e pode ficar prejudicada sob o sol.

O SW não funciona de forma autônoma, e na verdade é como uma extensão do seu smartphone, quase um controle remoto. Ele já vem com alguns apps na memória, mas você pode instalar muitos outros, que mostram o Gmail, o Facebook, Twitter, Maps, Google+, Flickr, LinkedIn, Google Reader, 9GAG, orkut, last.fm, entre outros. A maioria é gratuita e pode ser instalada no aparelho através do telefone.

O aparelho é uma mão na roda quando, por exemplo, você quer mudar a faixa da música que está ouvindo dentro do ônibus. Ao invés de se espremer para pegar o smart, pode simplesmente mexer em tudo pelo "relógio" – que mostra as horas também, aliás. Para os corajosos, é possível conferir tweets, posts, notícias, SMS e agenda.

Ele é um pouco trambolhudo no braço, pode facilmente enganchar em algo. A tela, por ser pequena, não tem muita precisão, e às vezes erramos algumas coisas. É necessário aprender alguns gestos, com um e dois dedos, para navegar por todas as janelas.

Sua configuração inicial é bem trabalhosa e, levando em consideração seu preço médio de R$450, ele é um pouco caro para o que oferece. Entretanto, os que amam gadgets e tecnologia vão adorar ter um desses.

Smart Tags

Já as SmartTags são bem mais simples, mas não menos úteis. Essas pequenas pecinhas que pesam só 2 gramas pode facilitar sobremaneira a vida de quem vive correndo. Feitas para funcionar com a tecnologia NFC (presente no Xperia P e em muitos outros aparelhos), elas podem ser configuradas para modificar ajustes e aplicativos no aparelho.

Smart Tags permitem automatizar funções do Xperia P
Stella Dauer
Smart Tags permitem automatizar funções do Xperia P

Com a instalação de alguns apps no telefone, você acerta tudo nessas etiquetas. Com uma colocada em seu quarto, por exemplo, seu aparelho desliga Bluetooth, WiFi e o som, e entra no modo de economia de energia. Uma outra etiqueta colocada em seu carro ativa o GPS e o aplicativo de mapas.

Em cada etiqueta, é possível programar a abertura de URLs, ativar alarme, configurar Bluetooth, mudar papel de parede, direcionar chamada, enviar SMS, iniciar um app, configurar o som, acessar uma rede WiFi, reproduzir música, ler um texto, configurar tráfego de dados, volume e WiFi.

Tudo funcionou sem problemas, o NFC é muito rápido. E o melhor, funcionam em alguns outros aparelhos de marcas diferentes, desde que tenham Android e a tecnologia NFC. Com preço médio de R$75 pelo conjunto de três, não parecem muito baratas, mas podem facilitar sua vida.

O que vem na caixa

Uma caixa sucinta, mas bonita. Ela é achatada e os componentes ficam encaixados em compartimentos. Além do aparelho, temos também manuais rápidos, carregador de viagem, fones de ouvido e cabo USB.

Para quem é

O Xperia P é para os que procuram um smartphone que não seja muito caro, mas que também não tenha a cara e o processamento de um smartphone de entrada. Esse aparelho mid range tem design caprichado, bom espaço interno, câmera potente e processamento acima da média.

Ficha técnica

Sony Xperia P LT22i

Preço: R$ 1.000
Configuração: tela de 4 polegadas e resolução de 540 x 960 pixels, sistema Android 2.3 Gingerbread, processador Dual-core 1GHz Cortex-A9, 1GB de RAM, 3G, 16 GB internos para armazenamento (13 GB disponíveis para uso), câmera de 8 megapixels com flash LED, Wi-Fi 802.11 b/g/n, GPS com A-GPS, Bluetooth 2.1, WiFi hotspot, DLNA, USB On-the-go.
Dimensões: 12,2 x 6 x 1 cm
Peso: 120g
Autonomia de bateria: Até 72h em stand-by / Até 10h em conversação e internet

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