Primeiro 4G do Brasil, Razr HD tem bateria de fôlego e ótima tela

Smartphone da Motorola é um dos aparelhos mais sofisticados do mercado

Stella Dauer , para o iG Tecnologia |

Quando começou a fabricar aparelhos com o sistema Android, a Motorola passava por maus momentos e viu no sistema do Google uma salvação. Não poderiam estar mais certos. De início, os aparelhos não conquistaram o público, e muitas críticas vieram por causa de falhas no software e devido à interface criada pela marca para rodar nos aparelhos Android, chamada de Blur.

Veja mais análises de smartphones

Com o tempo, porém, a Motorola foi aprimorando seus aparelhos e parece estar no caminho certo. Um exemplo dessa evolução é o novo modelo da linha Razr, o Razr HD XT925 (R$ 1.700). Ele é o primeiro aparelho com suportes a redes 4G a chegar ao país. Além disso, tem bateria de excelente duração e tela extremamente nítida. Veja a análise.

A favor:

• Sistema Android modificado para melhor;
• Alta duração de bateria;
• Bom espaço interno e slot para cartão de memória;
• Primeiro smartphone 4G do Brasil;
• Tela de ótima definição.

Contra:

• Preço salgado;
• Pode esquentar demais quando em muito uso;
• Câmera melhorou, mas ainda precisa evoluir.

Design

O design do Razr melhorou conforme o lançamento dos novos modelos. O Razr HD é uma boa evolução, ainda seguindo o conceito de "lâmina", mas de forma mais suave.

As extremidades ainda são chanfradas, mas bem menos que os anteriores. Ele também é fino – 8 milímetros –, mas a moldura plástica ao redor da tela está menos presente. A principal diferença é que agora não existem mais espessuras diferentes, algo que deixava o primeiro Razr mais feio Agora é tudo uniforme, e isso deixou a traseira bem mais bonita.

O aparelho ficou ligeiramente mais grosso (o primeiro Razr tinha 7.1 milímetros) e 20 gramas mais pesado – são 146 gramas –, mas continua com seu aspecto original.

Stella Dauer
Traseira do Razr HD é coberta por kevlar

Sua traseira ainda é feita com fibra de Kevlar da DuPont, com acabamento emborrachado que ajuda na pegada e suja muito menos do que plástico brilhante.

Vale lembrar também que ele é resistente a borrifos de água, aguentando um café derrubado. Mas nada de ir à piscina com ele.

Não há acesso à bateria, e por isso o chip SIM e o cartão de memória ficam ao lado do aparelho, juntos em uma pequena e frágil moldura de plástico, que precisa de uma ferramenta (algo como um clipe) para ser aberta. Muito complicado.

Atrás do Razr HD ficam o flash, a câmera, uma saída de som, um microfone e o logotipo da Motorola; a frente é mais simples ainda: tela, sensores de luz, câmera frontal, saída de som e um LED de notificação.

No lado esquerdo, além da tampinha já citada, ficam as conexões microUSB e a microHDMI; no direito, os botões de volume e energia (que é texturizado para ser facilmente encontrado); por fim, na parte superior, encontramos a conexão para fones de ouvido.

Tela

A tela do Razr HD é de primeira. Muito próxima da tela do Galaxy S3, aqui temos 4,7 polegadas capacitivas multitoque, com tecnologia Super AMOLED Advanced, 16 milhões de cores e 720 x 1280 pixels de definição.

Ela sai na frente do S3 pois possui densidade de pixels maior do que o concorrente. São 321 ppi versus 308 ppi. Ambas são muito brilhantes, com definição superior, e protegidas por Corning Gorilla Glass.

Com esse tamanho e essa qualidade, ela é perfeita para jogos, filmes, leitura e todo tipo de entretenimento que possamos imaginar para um smartphone. Ela se sai bem debaixo de sol, embora não tenha 100% de visualização.

Hardware e processamento

O processamento desse aparelho surpreendeu. Não temos nada de muito especial aqui, com processador dual-core de 1.5GHz e 1 GB de RAM, mas os testes feitos com ele foram todos ótimos.

Os resultados no benchmark Quadrant Standard não poderiam ser melhores. No total, o XT925 somou 4.945 pontos, ficando em primeiro lugar na tabela, acima de outros como HTC One X, Atrix 4G, Asus Transformer Prime e Galaxy Nexus. O Galaxy S3, por exemplo, marcou 4.937. Muito empatados.

O Razr HD aguentou bem a multitarefa com mais de dez aplicativos abertos, e rodou bem jogos pesados como Blood and Glory: Legends e Batman: The Dark Knight Rises. Entretanto, é preciso admitir que ele esquentou mais do que o esperado; não tanto quanto o Galaxy S2, por exemplo, mas o suficiente para incomodar na mão.

A rede é quad-band e LTE, sendo o primeiro smartphone com suporte a 4G no Brasil. Por enquanto, o 4G no Brasil é oferecido apenas pela Claro nas cidades de Campos do Jordão (SP), Paraty (RJ) e Búzios (RJ). O aparelho funciona com o chip micro SIM, então para adquiri-lo é preciso consultar sua operadora.

Nas conexões sem fio, algumas novidades: Wi-Fi 802.11 a/b/g/n dual-band (aceita dois tipos de Wi-Fi ao mesmo tempo), 3G, 4G, DLNA, Wi-Fi hotspot, Bluetooth v4.0 com A2DP, LE e EDR.

O LE é uma tecnologia que funciona com menos energia e com menor alcance (como o NFC); já o EDR significa que essa conexão é três vezes mais rápida que as antigas; o AD2P já é conhecido, pois permite a conexão de periféricos como fones, hands free e teclados sem fio.

Há também um GPS aprimorado. Além do GPS normal, o RAZR HD conta com A-GPS (ajuda da rede celular), S-GPS (há dois sensores, um para A-GPS e outro par ao GPS, deixando sua posição mais precisa) e o Glonass, que é o sistema de satélites de geolocalização da Rússia.

E o NFC, sensor da moda entre os smartphones top, também está presente. Essa é a mesma tecnologia do Bilhete Único e de outros cartões que funcionam apenas pelo toque. Com ela, é possível realizar pagamentos e transferir arquivos e informações.

Acelerômetro, bússola, luz ambiente, proximidade e temperatura da bateria são os sensores do Razr HD. Entretanto, o de bateria parece não ser muito eficaz, já que o aparelho esquenta mais do que o normal.

Sistema operacional e usabilidade

O Razr HD conta com o sistema Android 4.0.4 Ice Cream Sandwich. Não é o mais novo, mas está prometido o upgrade para o 4.1 até o final do ano, segundo a Motorola Brasil. Não temos mais a Blur, interface da empresa que "cobria" o Android. Temos modificações, sim, mas elas vieram para melhor.

O aspecto geral do sistema Android não mudou muito por aqui. O que a Motorola fez foi aprimorar o que já existia. Difícil de acreditar? A home é um das partes mais afetadas. Em vez das janelas de sempre, temos diferenças: quando puxamos as páginas para a direita, encontramos uma área de configurações rápidas, algo parecido com a busca do iOS. Ela oferece vários ajustes muito práticos, que evitam a ação de ter de recorrer às Configurações.

Stella Dauer
Razr HD vem com versão 4.0 do Android

Puxando para o outro lado, abre-se a adição de páginas, que oferece modelos pré-definidos, como entretenimento, escritório móvel, mídia e ferramentas e utilidades; todos com um conjunto de widgets e aplicativos já escolhidos.

Na área de aplicativos há agora, além da aba de apps e widgets, uma terceira, de favoritos, onde você pode armazenar os aplicativos que mais utiliza.

O destaque dessas mudanças, já mostrado pela Motorola em outros produtos, são as Smart Actions. Elas são tarefas inteligentes, que além aprenderem com suas ações, também podem ser programadas ou sugeridas pelo sistema. Quando a bateria está baixa, por exemplo, o aparelho sugere uma Smart Action que ajuda a reduzir o gasto de energia.

Se você aceitar essa ação, toda vez que a bateria estiver baixa, uma série de coisas serão feitas, como desligar o GPS, abaixar o brilho da tela e desativar os dados em segundo plano.

No sistema também já vêm a Smart Action de direção inteligente: ele inicia o aplicativo do modo veicular, aumenta o volume do toque e ativa a resposta automática via SMS quando alguém liga. É possível também ativar ações inteligente de acordo com as horas e localização do usuário.

O sistema já vem com o teclado Swype. O teclado tradicional é bom: embora um pouco espremido, ele possui resposta muito confortável, evitando alguns erros. O navegador suporta Flash e HTML5, e o sistema aceita Java através de emulador.

O Razr HD se conecta ao computador de três maneiras: uma faz com que o cartão microSD abra como um pen drive; outra abre-o junto com um aplicativo de gerenciamento da Motorola, que deve ser instalado no desktop; e outro que o conecta como uma câmera, para que um aplicativo de fotos pré-instalado possa baixar as imagens.

Aplicativos

Mesmo com o Google dizendo que ainda não está interferindo nos assuntos da Motorola, até poderíamos dizer que sim, se olharmos para os aplicativos do XT925. Sem muita invenção, sem excessos, parece um sonho.

Nos básicos do Android, como Chat em grupo, Chrome, Drive, Gmail, Google+, Gtalk, Local, Mapas, Navegador GPS, Play Store, Tradutor e YouTube, vemos que há muitos dos apps do Google, fato que não é muito comum por aí.

Além deles, temos alguns que são padrão também: Calculadora, Calendário, Editor de filmes, Modo veicular, Notícias e clima. Alguns diferentes chama a atenção. O Comandos de Voz, por exemplo, é como a Siri da Apple ou o S Voice da Samsung, mas menos chique. Os comandos de ainda não totalmente entendidos, e as opções são um pouco limitadas (ele chama WiFi de "uífí", por exemplo).

O Guide Me é da Motorola, e é como um manual de instruções, mas muito mais interativo do que o normal, com interface bem amigável. Também temos Facebook, Netflix, QuickOffice, Saraiva Digital, ScanLife, Twitter e a demonstração dos jogos Shrek Kart e Plants vs. Zombies.

Câmera

A Motorola tem a fama de ser uma das menos prestigiadas quando o assunto é câmera de smartphone. Marcas como Nokia, Sony e até a Samsung costumam dar um banho nela. Se você achou que a coisa mudaria de figura aqui, a resposta é: quase.

Realmente a câmera do XT925 está bem melhor. Sensor de 8 megapixels, flash de LED, autofoco, estabilização de imagem e gravação de vídeos em Full HD. A qualidade melhorou, mas ainda fica um pouco aquém da de concorrentes.

As imagens, mesmo sob boa luz, ainda parecem um pouco lavadas, perde-se a acuidade com facilidade. O flash é bom. Não estoura demais as imagens, mas também não evita o ar "enevoado" das fotos. Ainda assim, é uma câmera rápida e tem um disparo muito alto. Se você silencia a câmera, nem sabe quando saiu a foto, não há confirmação visual.

Stella Dauer
Razr HD tem câmera de 8 megapixels

Ela também conta com foco por meio de toque na tela (não há botão exclusivo para captura, mas você pode configurar os botões do volume para isso), geotagueamento, reconhecimento de faces e modo panorama automático.

Há zoom digital de 4 vezes que não se saiu tão mal. Em boa luz, mostrou pouca acuidade, mas granulados mínimos.

Mas há um ponto interessante: a câmera conta com o modo HDR, que deixa as fotos mais intensas e com mais acuidade, e isso faz com que as imagens ganhem muito em qualidade. O HDR não se aplica a todos os casos, mas pode salvar muitas capturas. Existem também oito efeitos de cor, cinco cenas, cinco modos de foto e controle de exposição.

O vídeo, que chega até 1080p a 30 frames por segundo (e que também pode ser filmado em HD a 60fps), também não é especial. Em ambientes com pouca luz, granula; em boa luz mostrou bom foco e cores boas, mas um pouco fracas.

O áudio poderia ser bom, uma vez que o aparelho conta com dois microfones, gravando em estéreo, mas não há diminuição de ruído, e isso atrapalha muito. Há também uma câmera secundária na frente, de 1.3 megapixels, que é bem útil para vídeo chamadas.

Música e mídia

O som com os fones que acompanham é muito bom. Sem distorções e com ótimo estéreo. A qualidade em parte se deve às espumas que vêm nos fones, e por isso a Motorola manda um outro par reserva. Quase tão imersivo quanto fones intra auriculares.

O som externo é bem alto, com algumas distorções para o agudo. Há um equalizador para tentar contornar isso, mas não funciona muito, e o som pode ficar um pouco chato. Se você segurar o aparelho nas mãos, a qualidade melhora bastante. Mas não há rádio FM, por mais estranho que isso possa parecer.

Com conexão HDMI, cabo incluso e tela Super AMOLED Advanced, não é nem preciso dizer que filmes são reproduzidos com primor. Grandes arquivos de vídeo em Full HD rodaram sem qualquer problema, e as cores vivas e profundas da tela não decepcionaram. Com proporção próxima do widescreen, o Razr HD é ótimo para mídias.

Bateria e armazenamento

O carro chefe da linha Razr está na bateria. Cada vez melhor, todo novo aparelho supera expectativas. Enquanto testes de outros aparelhos revelam até 15, 18 horas, o Razr HD passa sem problemas de 24 horas de bateria. Nossos testes comprovaram 45 horas de duração!

E esse número não foi alcançado com o aparelho quieto no canto dele. Foram 45 horas de GPS, Bluetooth e WiFi ligados, com o smartphone puxando emails e recados de redes sociais o dia todo. Com a espessura do aparelho, é quase incrível essa duração. Em stand-by, são mais de três dias de bateria, mais um recorde. Até mesmo quando ele chegou nos últimos 10% críticos de bateria, ele ainda se manteve ligado por mais de 5 horas.

Sendo com certeza um dos aparelhos com maior duração de bateria do mercado, ele quase se equipara ao Razr Maxx, outro modelo da linha que possui uma bateria de 3000 mAh. O HD possui uma bateria de 2500 mAh. Imaginem então quando chegar o Maxx HD, que virá com bateria de 3300 mAh.

O armazenamento é satisfatório. São 16 GB internos (12 GB disponíveis ao usuário) e ainda há a possibilidade de expandir a memória com mais 32 GB por meio de cartão. Não há cartão incluso na caixa, mas em 12 GB já cabe muita coisa.

Concorrência com o Samsung Galaxy S3

Apesar de chegar com muito menos expectativa e glamour, dá para dizer que o Razr HD compete diretamente com o Galaxy S3 da Samsung. Sua tela, por exemplo, é praticamente igual, mas com densidade de pixels muito maior.

Veja a análise do Galaxy S3

A bateria do Razr HD também surpreendeu, aguentando praticamente o dobro que a do S3. Entretanto, o conjunto de processamento do aparelho da Samsung é bem superior ao do Razr HD, assim como sua câmera, que é relativamente melhor. Eles são similares, mas provavelmente atenderão preferências diferentes.

O grande defeito dos dois, na verdade, é o preço abusivo. Nos Estados Unidos, é possível encontrar o Razr HD por R$ 300 em contrato com operadoras. Aqui, não sai por menos de R$1000 com contrato.

O que vem na caixa

A Motorola costuma ser generosa nas caixas de seus produtos mais caros, e aqui vemos algo semelhante. Embora não venha um carregador veicular (que pode ser substituído por um USB muito facilmente), vem com um cabo HDMI/microHDMI, que é uma mão na roda, pois não é barato.

Além disso, o Razr HD vem com uma pequena ferramenta para que possamos acessar o chip microSIM (o que não é muito prático, diga-se de passagem), cabo USB, carregador de viagem, fones convencionais, reposição de espuma para os fones e um guia rápido.

Para quem é

Duração de bateria está se tornando um problema crítico entre os smartphones. A linha Razr é uma das primeiras no Brasil que conseguiu desviar isso. Dessa forma, o Razr HD é ideal para os que ficam muito tempo fora de casa, e não podem ficar na dependência de tomadas, mesmo tirando o máximo do aparelho.

E, com a tela HD, ainda entretém quem busca diversão. Esse smart é, com certeza, um grande concorrente do Galaxy S3.

Ficha técnica

Motorola RAZR HD XT925

Preço: R$1700
Configuração: tela de 4,7 polegadas e resolução de 720 x 1280 pixels, sistema Android 4.0.4 Ice Cream Sandwich, processador Dual-core 1.5GHz, 1GB de RAM, 3G/4G, 12 GB de armazenamento interno e entrada para cartão de até 32GB, câmera de 8 megapixels com flash LED, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n, GPS com A-GPS e Glonass, Bluetooth 4.0, WiFi hotspot
Dimensões: 13,2 x 6,8 x 0,8 cm
Peso: 146g
Autonomia de bateria: Até 72h em stand-by / Até 18h em uso contínuo
Itens inclusos: aparelho, carregador de viagem, fones de ouvido, espumas reserva, cabo HDMI, clipe e cabo USB.

    Leia tudo sobre: smartphones

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG