Novo aparelho é praticamente idêntico a seu antecessor, o S3, mas traz novidades interessantes na área de software

NYT

Por David Pogue

“Nós somos o número 2”, dizia o antigo slogan da locadora de carros Avis. “Por isso, nos esforçamos mais”.

Há muita sabedoria nesse slogan. Quando a Apple projetou o primeiro iPhone, ela não tinha presença nenhuma no mercado de celulares. A empresa não tinha nada a perder ao correr riscos. Como resultado, o iPhone veio cheio de novas e corajosas ideias.

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Mas, à medida que o iPhone se tornou mais importante para a Apple, a coragem da empresa para modificá-lo diminuiu. Por que mexer em time que está ganhando?

Essa timidez beneficiou a Samsung. Sua linha de aparelhos Galaxy , em especial os modelos Galaxy S, vieram com todas as armas atrás do iPhone e logo ganhou seu espaço no mercado.

Veja imagens do Galaxy S4

Quando estava em um distante segundo lugar, a Samsung não tinha nada a perder. “Vamos fazer uma tela gigante!”. “Vamos usar gestos com as mãos!” “Vamos tentar reconhecimento de retina!”.

Mas agora chega o Galaxy S4, a quarta versão do melhor aparelho da Samsung (o smartphone começa a aparecer nas lojas do Brasil nesta semana, por R$ 2.399 na versão 3G e R$ 2.499 na versão 4G). E, agora a ironia, a Samsung está começando a se tornar conservadora.

Configuração

O Galaxy S4 ainda é um lindo e poderoso aparelho com Android. Mas, basicamente, é um Galaxy S III atualizado. Se fosse a Apple, a Samsung teria chamado o aparelho de Galaxy S3S.

O S4 tem o mesmo tamanho do S3 (ok, ele é sete décimos de milímetro mais fino). Ainda é gigante. Bom para filmes e mapas, ruim para mãos pequenas.

E o S4 ainda tem corpo de plástico, leve e robusto, mas não tão “classudo” quanto o vidro usado no iPhone ou o corpo de metal do HTC One.

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No fim das contas, nenhum de seus amigos vai notar que você comprou o melhor aparelho do mercado.

Sim, a Samsung conseguiu incluir componentes melhores no aparelho sem aumentar seu tamanho. A tela brilhante e de excelente definição tem agora 5 polegadas, contra 4.8 polegadas do modelo anterior. Mas o corpo continua o mesmo, apenas as margens encolheram.

A bateria é 20% maior. Mas isso na prática não ajuda muito, pois a tela maior exige mais energia. Felizmente, ainda é possível remover a capa traseira e trocar a bateria, o que no iPhone é impossível sem um maçarico. Também dá para expandir a memória com cartões, outra impossibilidade no iPhone.

Software

A maior parte das mudanças do S4 vieram com o software. A abordagem da Samsung é “vamos incluir tudo e ver o que cola”. Não houve nenhum filtro. Também não há muita consistência.

Alguns exemplos:

Smart Scroll: esse é o reconhecimento de olhos. Como em seu antecessor, o S4 pode reconhecer a direção de seu olhar para, por exemplo, diminuir o brilho da tela quando você não está olhando para o aparelho. No aplicativo de vídeo, o filme para (na maior parte das vezes) quando você não está olhando para a tela.

Melhor ainda, páginas web e e-maisl se movem sozinhas quando você move o pescoço ou inclina o aparelho. Sem as mãos! É meio aleatório e “nerd”, mas ei, é inovação, certo?

Air View: aponte para a tela (sem tocá-la) para acessar uma prévia de algum conteúdo. Por exemplo, aponte para o ícone do calendário para ver uma prévia dos eventos do dia, ou para a miniatura de uma foto para vê-la em tamanho maior.

Infelizmente, esse recurso é inconsistente. Por que ele funciona no aplicativo de e-mail, mas não no do Gmail? Por falar nisso, por que o Android tem um aplicativo para Gmail e outro para serviços diferentes?

Air Gestures: um sensor detecta quando você está movendo as mãos. Um recurso que “é muito útil quando suas mãos estão engorduradas”, diz a Samsung. Dá para rolar uma página ou e-mail abanando a mão, ou aceitar uma chamada com um gesto. Quando o aparelho está em repouso, abanar as mãos ativa a luz da tela por poucos segundos, tempo suficiente para ver as horas e notificações.

S Translator: em teoria, esse aplicativo é o tradutor universal dos sonhos. Você digita ou fala em um idioma, e o aparelho mostra o conteúdo e “fala” em outra. Ele funciona bem quando você digita, de modo similar ao tradutor do Google. Mas o aparelho é muito ruim para reconhecer frases faladas.

Esses recursos avançados de reconhecimento de olhar e voz só funcionam em alguns aplicativos, e demora um tempo para saber quais são. E em alguns os recursos vêm ativados, enquanto em outros não. Parece meio aleatório.

Quando o aparelho é ligado pela primeira vez, uma lista de aplicativos é exibida, mas o S4 ignorou algumas das minhas seleções iniciais. E esse foi apenas um bug. Meu aparelho travou constantemente, em vários momentos e aplicativos diferentes.

Câmera

A câmera é muito boa, mas as fotos de 13 megapixels são meio “lavadas” e, com baixa luz, meio “pixelizadas”. O aplicativo de câmera também foi atualizado, seguindo a filosofia “vale tudo”.

Câmera de 13 megapixels produz fotos de boa qualidade
Getty Images
Câmera de 13 megapixels produz fotos de boa qualidade

É possível tirar fotos enquanto vídeos são gravados. Dá para filmar em câmera lenta ou rápida. Dá para aplicar filtros parecidos com os do Instagram a fotos e vídeos, e ver os efeitos antes de tirar a foto. Isso tudo fora os modos especializados, a saber:

Drama shot: o aparelho tira dúzias de fotos de um objeto em movimento. O celular então escolhe algumas fotos e monta uma composição do movimento.

Animated photo: você cria um filme e depois “pinta” partes que quer deixar paradas. O resultado é uma animação em que apenas um objeto se move e o resto do cenário fica parado.

Dual camera: ambas as câmeras (frontal e traseira) são ativadas. Você, o fotógrafo, também aparece na foto em um pequeno retângulo dentro da imagem ou vídeo capturado.

A maior parte das molduras do pequeno retângulo são meio bobas (coração, selo postal etc.). Mas um estilo é muito útil. Ele permite filmar o objeto e o operador da câmera com a tela dividida ao meio.

Easy Mode

Aqui está uma dica interessante. O melhor recurso do S4 é um recurso que esconde quase todos os outros. Ele se chama “Easy Mode” e fará muita gente feliz.

Nesse modo, a avalanche de recursos do S4 fica escondida. Há apenas três telas de aplicativo e os poucos ícones são grandes e fáceis de identificar, como câmera, internet, mensagens etc. Alguns aplicativos também funcionam em modo simplificado, como calendário, configurações e discagem.

A Samsung não diz com todas as letras que o Easy Mode é para pessoas de idade. Mas, claramente, é para pessoas que querem ícones e letras grandes e funções simples.

E por que não? Até agora, os avanços dos celulares (internet mais rápida, câmeras e telas melhores) sempre vieram acompanhados de programas mais complicados. Mas, será que eles precisam estar sempre unidos? Não seria legal ter um smartphone sofisticado com uma interface simples?

Conclusão

No fim, o Galaxy S4 é uma boa escolha para pessoas em campos opostos do conhecimento técnico: nerds que gostam de personalizar tudo e, graças ao Easy Mode, usuários que não gostam de variedade de recursos.

Para todos os outros, o S4 pode considerado um aparelho com algumas falhas e recursos incompletos. Mas, no fim das contas, o resultado é excelente: o aparelho ainda é rápido, leve e bonito. É um sucessor de respeito para o S3 e um rival de peso para o iPhone.

Da próxima vez, pode ser a vez de a Apple ser um pouco mais ousada.

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