Com configuração equilibrada, aparelho é boa opção no segmento de smartphones intermediários

A linha Razr tem sido a aposta da Motorola para se consolidar entre os fabricantes de smartphones com Android. Depois dos sofisticados Razr HD e Razr Maxx, a empresa aposta nos modelos D1 e D3 para conquistar espaço nos segmentos de aparelhos básicos e intermediários. Veja a seguir o teste do Razr D3 (R$ 800). 

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A favor:

• Funciona com chip de operadora mais comum (modelo SIM);
• Bom custo benefício;
• Câmera de boa qualidade.

Contra:

• Armazenamento interno é pequeno;
• Não permite instalação de aplicativos no cartão de memória;
• Áudio deixa a desejar (tanto interno quanto externo).

Design

O D3 segue a mesma cara da linha Razr, um retângulo com as bordas ligeiramente dobradas para dentro. À primeira vista ele parece tão poderoso quanto modelos como o Razr Maxx e o Razr HD. Na verdade ele não é tudo isso, mas é um aparelho muito bom.

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O D3 não é muito fino e sua traseira não é de kevlar como alguns outros aparelhos Razr. A carcaça é toda de plástico e pode ser preta out branca (modelo que recebemos). O branco é menos discreto pois deixa a tela mais perceptível e dá a impressão de que o aparelho é maior do que realmente é.

O formato do aparelho permite acessar a tela com o polegar, eliminando a necessidade de usar as duas mãos para interagir com o celular. O peso de 120 gramas é adequado, não é muito leve e ajuda a dar firmeza ao segurar o celular.

Razr D3 tem corpo de material plástico
Stella Dauer
Razr D3 tem corpo de material plástico

A cor branca deixa bem aparentes os parafusos expostos ao redor do aparelho, que dão  um ar mais industrial e despojado. Porém, eles também mostram que não é possível acessar a bateria, e justamente por isso há, na esquerda do celular, tampas que protegem o slot para cartão de memória e a entrada para chip SIM.

O modelo usado no teste é de um chip, mas há também um modelo dual chip. Por isso, mesmo no modelo com um chip, a tampa é comprida e o espaço para o segundo chip pode ser visto. Nesse mesmo lado há também a conexão microUSB.

No lado direito há apenas os botões de volume e o de energia; na parte superior, apenas a conexão de áudio 3,5 mm. Na traseira ficam a câmera, flash e uma saída de som. A frente é dominada pela tela e o discreto microfone abaixo dela, contando também com sensores, LED de aviso, saída de som e a câmera frontal.

A traseira possui uma textura similar à de um baú de palha, e o branco do plástico é ligeiramente perolado. Não passa um aspecto de topo de linha, mas pelo seu preço médio é um bonito aparelho.

Tela

Quando comparado com outros aparelhos da linha, a tela do D3 parece pequena, mas temos aqui 4 polegadas com resolução de 480 x 800 pixels, e uma densidade de 240 ppi. Os pixels são invisíveis a olho nu, e a qualidade da tela é bem interessante.

Ela é do tipo TFT multitoque comum, com 16 milhões de cores, mas não decepciona no uso. Não é muito brilhante, mas se saiu bem debaixo do sol, além de ter um bom ângulo de visão. Juntando isso a uma cobertura de Corning Gorilla Glass, temos aqui uma tela de cores vivas e equilibradas.

O toque responde bem, mas o vidro não é extremamente suave como é o do Nexus 4, por exemplo. Ainda assim, é bem fácil digitar com o teclado na horizontal. Além de o tamanho do aparelho ser perfeito para encaixar nas mãos, a tela responde bem e causa poucos erros.

Hardware e processamento

O aparelho tem uma boa relação entre custo e benefício. Mesmo não tendo o melhor processador do mercado, seu conjunto é similar ao do smartphone Galaxy X da Samsung. Temos um dual core de 1,2 GHz ARMv7 e GPU PowerVR SGX 531, tudo acompanhado de 1GB de RAM.

Algumas pessoas reclamam de seu desempenho, mas em nossos testes ele se saiu muito bem. Em um jogo bem exigente como Blood & Glory: Legends ele se saiu perfeitamente bem, sem lags em 90% do tempo. Apenas quando o Wi-Fi estava puxando alguma informação ele deu uma ligeira tropeçada.

A multitarefa é a mesma coisa: mais de dez apps ligados não fizeram com que ele apresentasse problemas. Escutar música enquanto se navega pela internet ou se checa os e-mails é algo simples para o D3.

Em nossos testes no benchmark AnTuTu ele obteve 7354 pontos e duas estrelas e meia (a pontuação é ligeiramente maior que a do Galaxy X). As estrelas baixas são devido à velocidade de leitura do cartão e a alguns gráficos em 2D.

Nas conexões o D3 surpreende, pois é bem completo. Além dos já esperados Wi-Fi 802.11 b/g/n, Bluetooth 4.0 (versão mais atualizada) e GPS com A-GPS, temos também Wi-Fi hotspot, Wi-Fi Direct e NFC, a tecnologia de transmissão de dados por proximidade.

Ele é 3G triband e 2G quadriband, e tem modelos de um e dois chips SIM. Entre os sensores, encontramos o acelerômetro, o de proximidade, o de luz e a bússola.

Sistema operacional e usabilidade

Dentro desse aparelho roda o sistema operacional Android, versão 4.1.2. A melhor notícia é que a Motorola, no dia do lançamento, já avisou que esse hardware está preparado para a próxima versão do sistema, seja qual for ela, e que trará o update para o D3.

Razr D3 roda versão 4.1 do Android
Stella Dauer
Razr D3 roda versão 4.1 do Android

Provavelmente esse update esperado não seja para o 4.2.2, e sim para um posterior, o que é muito bom. O sistema apresentado aqui, embora tenha a cara da Motorola, não é muito mexido. Ele é nativo na maior parte dos componentes, e as modificações que teve foram para melhor.

A home é um das partes mais afetadas. Ao invés das janelas de sempre, temos diferenças: quando puxamos as páginas para a direita, encontramos uma área de configurações rápidas, algo parecido com a busca do iOS. Ela oferece vários ajustes muito práticos e evitam que o usuário tenha que acessar o aplicativo completo de configurações.

Puxando para o outro lado, abre-se a adição de páginas, que oferece modelos pré-definidos, como entretenimento, escritório móvel, mídia e ferramentas e utilidades; todos com um conjunto de widgets e aplicativos já escolhidos. Na área de aplicativos, além da aba de apps e widgets, há uma terceira, de favoritos, onde é possível armazenar os aplicativos que mais utiliza.

O widget Círculos é exclusivo da Motorola e é muito bonito. Ele fica na home e mostra hora, alarme, clima e bateria.

Outra adição que faz a diferença são as Smart Actions. Com o objetivo de deixar o telefone mais esperto para o usuário, elas são ações pré-definidas (ou configuradas pelo usuário), executadas mediante algumas condições. Se a bateria estiver baixa, por exemplo, ele pode ser programado para baixar o brilho da tela, desligar o Wi-Fi e o Bluetooth.

As possibilidades com as Smart Actions são quase infinitas, e podem abranger qualquer aplicativo como o de música (começar a tocar uma playlist quando os fones forem conectados) e o de direção inteligente: ele inicia o aplicativo do modo veicular, aumenta o volume do toque e ativa a resposta automática via SMS quando alguém liga. É possível também ativar ações inteligentes de acordo com a hora do dia e a localização do usuário.

O Google já tem sua própria ferramenta para deixar os smarts ainda mais inteligentes, o Google Now. Funcionando como uma espécie de assistente virtual, ele entrega cartões com informação dependendo de certas ações, como as Smart Actions.

Se você pesquisou um caminho no Google Maps do seu navegador, o Now pega essa pesquisa e te informa no smartphone quanto tempo levará para chegar ao destino. Também há cartões lembrando aniversários, mostrando pontuação de modalidades de esportes, previsão do tempo, entre outros.

O aparelho se conecta ao computador de três maneiras: uma faz com que o cartão microSD abra como um pen drive; outra abre-o junto com um aplicativo de gerenciamento da Motorola, que deve ser instalado no desktop; e outra conecta o aparelho como se fosse uma câmera, para que um aplicativo de fotos pré-instalado possa baixar as imagens.

Nas ligações, o D3 apresentou alguns problemas. Embora a ligação normal funcione perfeitamente, no viva voz ele apresentou baixa qualidade e chegou a haver alguns cortes na ligação.

Aplicativos

São 33 aplicativos já embarcados no aparelho e, por incrível que pareça, a maioria é do Google. E os que não são do Google são bem úteis.

Entre os básicos temos Agenda, Calculadora, Câmera, Configurações, Downloads, Email, Galeria, Mensagens, Notícias e clima, Pessoas, Relógio, Rádio FM e Telefone.

Do Google, temos o pacote completo: Chat em grupo, Chrome, Configurações dos serviços do Google, Drive (armazenamento de arquivos na nuvem), Gmail, Google, Google+, Gtalk, Local, Mapas, Navegador GPS, Pesquisa por voz, YouTube e a coleção de loja/players Play Filmes, Play Livros, Play Music e Play Store.

De especial temos, além das SmartActions, a suíte Quickoffice, o editor de vídeos Estúdio de filmes e o Guide Me, que é um manual interativo do aparelho. Com instruções simples e navegação diferente, ele ajuda o usuário a entender mais sobre o sistema e o smart.

Câmera

No lançamento do aparelho, a Motorola de um super destaque à câmera. Não estamos falando de nenhuma câmera de Nokia aqui, mas, levando em conta o preço do aparelho, ela é excelente. A câmera possui sensor de 8 megapixels, foco automático, LED flash, foco por toque, geotagueamento e faz filmes em HD (720p).

Essas são configurações normais para os modelos atuais (e mais caros), mas o que interessa mesmo é o sensor BSI (backside-illuminated), já muito utilizado em handycams e máquinas fotográficas do mercado.

Câmera do Razr D3 tem bom desempenho com pouca luz
Stella Dauer
Câmera do Razr D3 tem bom desempenho com pouca luz

Nos sensores BSI há uma troca de elementos na estrutura da câmera, fazendo com que ela capte melhor os feixes de luz. Dessa forma, tanto a câmera do D3 como a do iPhone 4 em diante (que também possui BSI) são muito boas para fotos noturnas, pois absorvem mais informação do ambiente.

Em nossos testes, realmente a câmera do D3 se mostrou bem superior a outras quando o assunto foram as fotos noturnas. Mesmo em situações extremas de pouca luz ela consegui captar os objetos. Porém, essa sensibilidade do sensor BSI pode deixar as imagens um pouco lavadas ou estouradas quando a paisagem estiver iluminada por demais.

O disparo é rápido, assim como o foco automático contínuo, e isso é bom para quem gosta de registrar efemeridades da vida. No geral ela se mostrou bem nítida e com boa acuidade, deixando o usuário na mão apenas na vivacidade de cores. O macro também cumpre seu papel.

A filmagem é feita em HD (720p) e se mostrou apenas razoável. Além de serem poucos frames por segundo, o formato não é o conhecido mp4, e sim o 3gp, o que acaba deixando a qualidade prejudicada. A captação de áudio, entretanto, é de boa qualidade.

Nos ajustes, tudo bem simples. Temos HDR, foto panorâmica, flash, balanço de branco, exposição, detecção de sorrisos (dispara quando vê um) e quatro cenas. Há também uma câmera frontal de 1,2 megapixel, que quebra um galho para autorretratos mas é boa mesmo em chamadas por vídeo.

Música e mídia

O som externo é bem alto, mas não agradou muito na qualidade. Os agudos são muito pronunciados, e no volume máximo há muito chiado. Já o som interno, com os fones inclusos, tem bom estéreo, mas é baixo. Os fones ajudam como antena na hora de ouvir rádio FM.

O som é o suficiente para um volume que preserve os ouvidos, mas em locais mais barulhentos será difícil ouvir alguma coisa. Sem o equalizador, a qualidade não é muito boa, mas é só ligá-lo e realçar os graves junto ao efeito 3D para melhorar a qualidade. Ainda assim, o aparelho não está entre os melhores na categoria áudio.

Para exibição de vídeos, ele tem suas limitações. O D3 reproduziu um vídeo em Full HD (1080p), mas com alguns engasgos 4e com definição um pouco prejudicada, dando até para ver alguns pixels. Vídeos em definição alta, mas simples (720p) foram reproduzidos sem problemas.

A tela é widescreen, e muito boa para vídeos. As cores são acertadas e o preto é bem profundo. Infelizmente, o que acontece com a música se repete aqui: a qualidade do som externo deixa a desejar, e possui agudos muito pronunciados.

Bateria e armazenamento

A bateria de 2000 mAh é digna do nome Razr, linha conhecida justamente pela longa duração da carga. Em uso pesado, com aproximadamente cinco horas de jogo alternadas, ele chegou a 18 horas de bateria. Em uso mais leve, como o que fazemos no dia-a-dia, com checagem de e-mails e outras atividades básicas, a carga passa de 30 horas tranquilamente.

Armazenamento parece ser seu único problema mais sério. O D3 vem com 4GB de espaço interno, mas apenas 2,4 GB estão disponíveis ao usuário. Quem gosta de jogar sabe que apenas um título mais exigente e não cabe mais nada no smart.

Ele conta com slot para cartão de memória microSD de até 32 GB mas não vem com nenhum na caixa. Além disso, o cartão não pode ser usado para a instalação de aplicativos, apenas para arquivos como música e filmes. Isso pode criar problemas de falta de espaço para alguns usuários.

O que vem na caixa

A caixa do D3 vem com o necessário para seu uso. Além do aparelho, encontramos um cabo USB, carregador com fio e um par de fones de ouvido convencionais. Poderia have também um cartão de memória.

Para quem é

O custo benefício desse aparelho é excelente. Não é um smartphone de entrada e nem um topo de linha, mas possui um preço vantajoso para sua configuração. Aqueles que querem mais do que um smartphone simples, melhor tela e melhor processamento, e podem gastar entre R$500 e R$ 700, vão ver no D3 uma boa opção de compra.

Ficha técnica

Motorola RAZR D3 XT919

Preço: R$ 800 (modelo de um chip)
Configuração: tela de 4 polegadas e resolução de 480 x 800 pixels, Android 4.1 Jelly Bean, processador Dual core 1.2GHz, 1GB de RAM, 3G, 4GB de armazenamento interno, câmera de 8 megapixels com flash LED, Wi-Fi 802.11 b/g/n, Wi-Fi hotspot, Wi-Fi Direct, GPS com A-GPS, Bluetooth 4.0.
Dimensões: 12 x 6 x 1 cm
Peso: 120g
Autonomia de bateria: Até 2 dias em stand-by / Até 18h em conversação e internet
Itens inclusos: aparelho, carregador com fio, fones de ouvido, clipe para acessar o SIM e cabo USB.

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