Celular tem suporte a dois chips de operadora e TV digital

A Motorola percebeu que a linha Razr emplacou no Brasil e tratou de lançar novos aparelhos, mais compatíveis com o bolso do brasileiro. Além do Razr D3 , que é um pouco maior, a empresa trouxe o Razr D1 (R$ 450), aparelho com bom preço e configuração bem interessante, incluindo a versão 4.1 do Android. Confira o teste.

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A favor:

• Tela grande;
• Aceita dois chips SIM, com bom gerenciamento;
• Possui TV digital;
• Sensor da câmera se sai bem em pouca luz.

Contra:

• Não possui câmera frontal e nem flash;
• Possui apenas 4GB de espaço para uso interno;
• Tela com baixa definição.

Design

O design do D1 segue totalmente a linha do irmão mais poderoso, o D3, que por sua vez se mantém fiel às curvas da linha Razr. Tanto o D3 como o D1 possuem um aspecto mais simples e menos luxuoso do que aparelhos mais caros como o Razr i e o Razr HD , mas ainda assim parecem bem acabados.

O D1 é feito totalmente em plástico, que pode ser branco ou preto. Pesando 110 gramas, tem uma boa pegada na mão, parecendo até meio pesadinho e dando uma segurança maior. Como vantagem, o plástico é quase todo fosco, ganhando um detalhe brilhante apenas próximo à câmera.

Atrás há a mesma textura que imita uma peça de palha, mas não é de kevlar como em outros modelos da linha. Lá ficam também a câmera, saída de som e um espelhinho para autorretratos. Na frente, que é dominada pela tela, temos a saída de som, LED de aviso, o logotipo da Motorola, microfone e três botões capacitivos fora do display.

No lado esquerdo, apenas a conexão microUSB, enquanto o lado direito abriga o botão de energia e os de volume. Ambos os lados possuem parafusos aparentes, o que dá um ar mais descolado ao aparelho. Acima temos a conexão de áudio, e abaixo apenas a entrada para abertura da tampa traseira.

Tela

Para seu preço médio, temos aqui uma boa tela de 3,5 polegadas, TFT com definição de 320 x 480 pixels. Não é um display dos melhores, com apenas 165 ppi de densidade, mas seu tamanho é muito interessante. É possível ver os pixels a olho nu, mas a tela é tão sensível que reconhece o dedo milímetros antes dele encostar na tela, aceitando até toques com a unha.

Tela do Razr D1 tem 3,5 polegadas
Stella Dauer
Tela do Razr D1 tem 3,5 polegadas

Essa tecnologia é um pouco diferente do que estamos acostumados, e de início vamos digitar algumas coisas erradas.

Mas depois de um tempo ela se mostra bem útil, já que o teclado virtual não é muito grande. No geral, a tela é bem iluminada e tem boas cores, não se comparando, no entanto, a uma tela AMOLED.

Mesmo sob a luz do dia é fácil enxergar as imagens na tela, embora ela não seja ideal para vídeos.

Em alguns casos, o excesso de sensibilidade compromete: ao trazermos a barra de notificações para baixo, se puxarmos demais, o aparelho ativa botão home e anula a barra. É preciso sempre lembrar de não ir até o final com o deslizar de dedos.

Hardware e processamento

Não espere destaques aqui, pois esse não é o forte do D1, cujo objetivo é ser um smartphone simples e mais em conta. Seu conjunto é formado por um processador ARMv7 simples de 1 GHz, acompanhado de 1 GB de RAM. É uma configuração bem simples, e isso se reflete em seu desempenho geral.

No benchmark com o aplicativo AnTuTu, ele mostrou se tratar realmente de um aparelho de entrada. Seu conjunto geral marcou 6.460 pontos e duas estrelas e meia apenas, número um pouco acima de aparelhos mais antigos como o Samsung Galaxy S.

Nas tarefas comuns, de navegação no sistema e em aplicativos básicos do aparelho, ele mostrou uma boa rapidez. Na multitarefa, ele só começou a tropeçar após o décimo app ligado. Para jogos, testamos o Blood & Glory: Legends, um jogo que não é pesado no tamanho, mas que exige da máquina, e o resultado foi ótimo: rodou sem problemas até nos momentos de maior movimento.

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O chip SIM um pode ser GSM ou WCDMA, enquanto o chip SIM dois pode ser apenas GSM. Ele é 3G tri-band e 2G quad-band. O D1 funcionou bem com todos os chips que experimentamos. Entre os sensores, conta com acelerômetro, luz, proximidade e bússola. Não tem suporte a Flash, mas tem a Java, via emulador.

Nas conexões sem fio ele é completo: Wi-Fi 802.11 b/g/n, WiFi hotspot, GPS com A-GPS, Bluetooth 4.0 com EDR e 3G. Ele também vem com Wi-Fi Direct, um método de conexão muito rápido entre dois aparelhos, e isso é bem legal.

Sistema operacional e usabilidade

Seu sistema operacional é bem atualizado, contendo o Android 4.1.2, Jelly Bean. No lançamento, a Motorola também afirmou que eles está pronto para versões futuras, e deverá receber uma delas. Como é agora uma empresa do Google, a Motorola tem apostado em atualizar seus aparelhos rapidamente.

No caso do D1 há poucas alterações no Android, e as mudanças são positivas. Além do Widget círculos, que complementa bem a home com informações como clima, horário, alarme e baterias, há a renovação das homes.

Razr D1 tem boa ferramenta para gerenciar chips de operadora
Stella Dauer
Razr D1 tem boa ferramenta para gerenciar chips de operadora

Quando o usuário desliza o dedo para a esquerda até o final das janelas, o sistema sugere novas, pré-montadas. Se deslizar para a direita, acessa uma janela para ativar e desativar conexões e configurações básicas.

Muito prático. Outro recurso interessante, característico dos aparelhos Motorola, são as Smart Actions. Elas são ações pré-definidas (ou configuradas pelo usuário) executadas mediante algumas condições. Se a bateria estiver baixa, por exemplo, ele pode ser programado para baixar o brilho da tela, desligar o WiFi e o Bluetooth, etc.

O gerenciamento dos dois chips SIM pelo sistema é muito completo, embora ligeiramente confuso. Em vários tipos de configurações podemos encontrar alusões a funções dos dois chips SIM. Há uma área apenas para eles, onde você pode escolher deixar um outro ou os dois ativados, selecionar qual deles fará ligações e qual navegará na internet, entre outros.

Se você mantiver os dois ativados para ligações, o aplicativo de telefone exibirá um botão duplo, para cada SIM, na hora de fazer a chamada ou enviar mensagens. A internet, entretanto, só funciona com um ou outro. É possível escolher ícones e cores para cada chip, assim fica mais fácil lembrar quando você consultar as mensagens, por exemplo, já que ficam todas juntas.

Você também pode escolher qual o toque de cada chip, prefixo automático para cada um, ligações em espera, serviço de número de correio de voz, encaminhamento e bloqueio de ligações. É um gerenciador bem completo, embora fique muito espalhado.

Aplicativos

Sendo agenciado pelo Google, não há excesso de porcaria no D1. São 34 apps, o que é pouco se comparado com outros aparelhos, como os da Sony. E muitos desses 34 são os básicos do sistema, como Agenda, Calculadora, Câmera, Configurar, Downloads, Email, Estúdio de filmes, Galeria, Mensagens, Notícias e Clima, Rádio FM, Relógio e Telefone.

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O pacote do Android também está completo, contendo: Chat em Grupo, Chrome, Configurações de serviços Google, Drive, Gmail, Google (que também é o Google Now), Google+, GTalk, Local, Mapas, Navegador GPS, Pesquisa por voz, Pessoas, Play Filmes, Play Livros, Play Music, Play Store e YouTube.

De especial, só mesmo as SmartActions, a suíte Quickoffice e o manual interativo Guide Me, da Motorola. Esses poucos aplicativos são uma boa notícia, pois sobra espaço para você colocar os que realmente gosta, escolhendo entre mais de 700 mil apps na Play Store, a loja de aplicativos do Android. 

Câmera

Mesmo sendo um aparelho mais barato, a Motorola se esmerou na câmera do D1. O resultado não é competitivo com os modelos top, mas com certeza ele se sai melhor que muitos outros aparelhos de sua mesma categoria.

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Ela possui sensor de 5 megapixels, foco automático e por toque, geotagueamento e HDR. Essas são configurações relativamente acima de sua categoria, fazendo falta apenas o flash, mas o que interessa mesmo é o sensor BSI (backside-illuminated), já muito utilizado em handycams e máquinas fotográficas do mercado.

Câmera do Razr D1 tem 5 megapixels
Stella Dauer
Câmera do Razr D1 tem 5 megapixels

Nos sensores BSI há uma troca de elementos na estrutura da câmera, fazendo com que ela capte melhor os feixes de luz. Dessa forma, tanto a câmera do D1 como a do iPhone 4 em diante (que também possui BSI) são muito boas para fotos noturnas, pois absorvem mais informação do ambiente.

E isso se mostrou bem eficiente, já que a câmera do D1 fez um bom trabalho em ambientes com pouca luz, com pouco granulado e mais captura de informação, parecendo até que o local estava mais iluminado do que realmente estava.

Porém, essa sensibilidade do sensor BSI pode deixar as imagens um pouco lavadas ou estouradas quando a paisagem estiver iluminada por demais.

O disparo é rápido, assim como o foco automático contínuo. No geral a câmera se mostrou bem nítida e com boa acuidade, deixando o usuário na mão apenas na vivacidade de cores. O macro também cumpre seu papel. Como ele não tem botão específico para foto, o disparo é feito pela tela. Se você mantiver o botão apertado por mais de um segundo, ele vai tirando fotos uma atrás da outra.

Nos ajustes, tudo bem simples. Temos HDR, foto por sorriso (dispara quando vê um sorriso), balanço de branco, exposição, e quatro cenas. Não há câmera frontal. No vídeo, ela é apenas razoável, gravando em 480p e servindo apenas para registros simples. O HDR deixa as fotos mais iluminadas, acrescenta mais às imagens, mas também pode deixá-las mais lavadas.

Música e mídia

O áudio provido pelos fones de ouvidos convencionais é bom, embora não muito alto. O estéreo é bom, com graves e agudos bem equilibrados. O player do Android foi renovado e está muito bonito no D1. Para realizar mais ajustes, há um equalizador, com efeito 3D e realçar de graves. Ele também possui rádio FM.

O som externo não é muito alto e, embora não seja perfeito para música, se mostrou muito bom para vídeos. As cores, como já disse, são boas para ver vídeos, e em ambientes sem muita luz a intensidade do brilho fica ideal. Ele não reproduziu nada em Full HD, mas aguentou HD sem engasgos.

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O que diferencia os modelos XT918 e XT916, ambos no mercado brasileiro, é a presença da TV digital e analógica embutida no aparelho, presente no modelo XT918. Não há aquelas anteninhas que estamos acostumados a ver em outros smartphones, ela é um cabo que vem separado na caixa, e pode ser usado juntamente com os fones de ouvido.

Isso é ao mesmo tempo ruim e bom, pois fica menos prático ter de carregar um acessório extra na bolsa ou mochila, para poder ver TV. A vantagem é que essas antenas de aparelhos menores costumam ser muito frágeis e se quebram em pouco tempo, e o cabo é bem mais resistente.

Ele sintoniza TVs analógica e digital, e nos testes tivemos resultados diversos: em alguns momentos o aparelho não quis sintonizar nem dentro e nem fora de locais fechados. Em outros momentos, sintonizaram até mesmo em ambientes fechados. Ele realiza a busca de canais automaticamente, e encontrou 36 canais diferentes.

Bateria e armazenamento

A bateria pode parecer fraca, com "apenas" 1785 mAh, mas como sua tela é menor do que as outras da linha Razr, ela também acaba sendo bem duradoura. Mesmo funcionando com dois chips SIM, ela aguenta facilmente mais de um dia longe da tomada, com WiFi ligado e baixando emails durante o dia. Com uso mais pesado, com música, vídeos e jogos, podemos chegar a 10 horas.

O armazenamento poderia ser muito bom, mas não é. Os 4 GB de memória interna (dos quais apenas 2,46GB estão disponíveis para o usuário) seriam suficientes, se fosse possível instalar apps na memória externa, no cartão SD. Como não é, fica complicado lidar com apenas esse valor interno, se você é daqueles que gosta de instalar muitas coisas.

Se o seu foco fica apenas na mídia, é possível encher o cartão microSD de fotos, músicas e vídeos sem problemas. Você pode colocar cartões de até 32GB no D1, o que faz dele um bom reprodutor de mídia.

O que vem na caixa

Dentro da caixa temos o aparelho, sua bateria, fones de ouvido convencionais, carregador de viagem, um cabo adaptador de antena para os fones (assim, você não precisa ficar com os fones conectados para assistir TV) e cabo de dados USB.

Para quem é

Se você realmente procura um aparelho mais simples e por um bom preço, mas não abre mão de recursos de smartphone como internet Wi-Fi e 3G, além de um sistema operacional complexo, pode apostar no D1. Ele tem limitações, mas com certeza irá agradar os que precisam de um smartphone mais básico para o dia-a-dia. Resumidamente, ele entrega mais do que promete.

Ficha técnica

Motorola Razr D1 XT918

Preço: R$ 395
Configuração: tela de 3,5 polegadas e resolução de 320 x 480 pixels, sistema Android 4.1 Jelly Bean, processador de 1 GHz, 1GB de RAM, 3G, 4 GB de armazenamento interno + entrada para cartão, câmera de 5 megapixels (sem flash), Wi-Fi 802.11 b/g/n, Wi-Fi hotspot, GPS com A-GPS, Bluetooth 4.0.
Dimensões (cm): 11 x 6 x 1
Peso (g): 110
Autonomia de bateria: Até 1,5 dia em stand-by / Até 10h em conversação e internet
Itens inclusos: aparelho, carregador de viagem, fones de ouvido, adaptador de antena para os fones e cabo USB.

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