Aparelho da Motorola tem excelente configuração e preço acessível

Até um ou dois anos atrás, comprar um smartphone barato com Android era apostar em uma experiência de uso bem inferior à de aparelhos topo de linha. Neste ano de 2013, porém, os aparelhos intermediários passaram a oferecer experiência de uso bem mais próximas das de smartphones sofisticados.

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O Moto G é o maior exemplo dessa tendência. O celular tem configuração de respeito e preço acessível (a partir de R$ 600, na versão mais básica). O modelo testado pelo iG foi o Colors Edition, que leva esse nome por contar com três capinhas coloridas, além da preta, em sua caixa. Vamos ao teste.

A favor:

• Tela de bom tamanho e alta qualidade;
• Capinhas inclusas na caixa, e outras interessantes oficiais à venda;
• Sistema e apps próximos ao Android "puro", sem muita intervenção;
• Ótimo custo/benefício.

Contra:

• Não é 4G;
• Não possui slot para cartão de memória;
• Câmera abaixo do esperado;

Design

O Moto G tem um visual bem comum, mas caprichado. O velho e bom formato retangular com cantos arredondados é composto por todas as bordas arredondadas, melhorando a pegada. A traseira é ligeiramente abaulada. 

O Moto G lembra em muito o seu irmão maior, o Moto X, mas é mais simples. Seu corpo é todo em plástico preto brilhante, exceto pela tela de vidro e pela capinha traseira, que é fosca. A frente tem uma suave moldura, o que ajuda a navegação sem bordas. 

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No lado direito ficam os botões de energia e de volume. Acima, temos uma conexão de áudio e um microfone, item que também é encontrado na parte inferior, junto à conexão microUSB.

Edição Colors do Moto G vem com capinhas destacáveis
Stella Dauer
Edição Colors do Moto G vem com capinhas destacáveis

A traseira conta com câmera e flash centralizados, saída de som à esquerda e o logotipo da Motorola, afundado, abaixo do flash.

A novidade na edição Colors é que a caixa traz mais três capinhas traseiras coloridas, além da preta que já vem no aparelho. A capinha traseira é delicada e nas primeiras vezes que é retirada parece até que vai quebrar, mas é só impressão.

Na caixa temos capas amarela bem chamativo, vermelha que pende ligeiramente para o rosa e uma branca. O material é fosco, mas não emborrachado, embora tenha boa aderência. É um acabamento interessante, que não risca fácil, mas que suja facilmente com a gordura da mão.

Como já vimos, a capa traseira é removível, mas isso não significa que o usuário possa trocar a bateria. É possível apenas trocar os chips de operadora (padrão SIM), pois não há slot para cartão e a bateria não é removível. 

Tela

Esse foi um item em que o Moto G impressionou, e mostrou capricho da Motorola. A tela IPS LCD de 4,5 polegadas tem um bom tamanho e uma qualidade ótima. Com resolução HD (720 x 1280 pixels) e densidade de 326 ppi, é impossível enxergar os pixels na tela.

As cores são intensas, mas equilibradas. A tela é menos brilhante do que um display AMOLED, mas seu brilho é forte, e de modo geral as cores são equilibradas. Por ser IPS, seu ângulo de visão é bem amplo e até mesmo próximo dos 180º é possível ver a tela sem distorção de cores.

O toque na tela é suave e bem responsivo. Escrever no teclado padrão do Android é confortável quando ele está na horizontal. O vidro contém proteção contra quebras e riscos Corning Gorilla Glass 3. Mas, como sempre, película e uma capa são altamente recomendados.

Hardware e processamento

No coração bate um conjunto muito decente de processamento, que tropeça apenas no fato de o Moto G possuir apenas 1 GB de memória RAM. De resto, ele traz chipset Qualcomm Snapdragon 400, CPU quad core Cortex-A7 de 1.2 GHz e GPU Adreno 305. Não é um kit muito superior, mas com certeza ultrapassa os concorrentes na mesma faixa de preço.

Nos benchmarks realizados, os resultados foram diversos: no Antutu ele fez 17.284 pontos (similar ao LG Nexus 4); no Geekbench 3 ele marcou 1.157 pontos; e no Vellamo HTML5, chegtou a 1.955 pontos (logo abaixo do Galaxy S4).

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Sobre jogos, ele passou pelo benchmark Epic Citadel, onde chegou a 57.2 fps em high performance e pelo 3DMark, onde marcou 5.433 no Ice Storm (bem abaixo do Galaxy S4 mini), 4.405 no Ice Storm Unlimited e 2768 no Ice Storm Extreme (o mesmo que o Galaxy Mega 6.3).

Também testei com jogos reais e exigentes como Shadowgun: Deadzone (que funciona com multiplayer online) e Dead Trigger 2. O desempenho foi de acordo com o esperado, sem travamentos e tudo rodando bem. Para as outras tarefas do aparelho, não tivemos qualquer tropeço ou lag, tudo funcionou rápido e fluido.

Ele esquentou minimamente na hora de fotos contínuas, mas no processamento de jogos, se manteve bem. Nas conexões sem fio ele tem o que é necessário para um uso completo, mas não conta com os extras encontrados em tops como NFC, DLNA e mais protocolos ou dual band no WiFi. 

O Moto G é dual chip, sendo uma entrada WCDMA e GSM, e a outra apenas GSM, funcionando com microSIM. Ele também conta com USB Host, e a conexão pode ser utilizada com mouses, teclados e outros.

Sistema operacional e usabilidade

O Moto G ainda não traz a versão mais atual do Android, encontrando-se na Jelly Bean 4.3. Ainda assim, é bem nova, e a empresa já prometeu o upgrade para o 4.4 KitKat. Só não se sabe exatamente quando chega para os usuários brasileiros.

Moto G roda Android 4.3 com poucas modificações
Stella Dauer
Moto G roda Android 4.3 com poucas modificações

Depois que a Motorola foi comprada pelo Google, seus celulares passaram a vir com cada vez menos modificações do Android. O visual da interface do Moto G é bem próximo do Android "puro". 

É um sistema totalmente simples, apenas com as características que a própria Google implementou no Android. Por um lado isso é bom, pois há mais espaço para instalar os aplicativos desejados. Mas quem prerefe já receber um aparelho cheio de funções extras pode se decepcionar.

Na tela de bloqueio é possível colocar widgets de mensagens, horas e outros componentes. Se arrastar o dedo para o lado esquerdo, o usuário ativa a câmera sem precisar destravar o aparelho. A barra de notificações, se puxada com dois dedos, mostra atalhos para os ajustes mais usados, como brilho de tela, modo avião, WiFi e outros.

Há nas configurações uma área especial para gerenciar os dois chips SIM. Você pode desativar um ou outro, escolher ativar dados móveis, prioridade de conexão para voz ou dados, personalizar cada chip, escolher toques, entre outros.

Aplicativos

Agora que a Motorola é uma empresa da Google, a empresa faz apenas aplicativos que realmente complementem o Android. Isso faz com que encontremos apenas 33 apps na memória, o que é ótimo, uma vez que não há como aumentar o espaço de armazenamento.

O dedo da Motorola só aparece em quatro apps, como o BR Apps (pequena loja de apps brasileiros, para que o aparelho entre na Lei do Bem) e o Moto Care, que oferece ajuda e dicas para melhorar o uso.

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O Motorola Assist analisa sua agenda e pode deixar o telefone silencioso, inclusive respondendo ligações com mensagens, quando você estiver ocupado. Você também configura seu horário de dormir, e o telefone só toca se for alguém importante, ou que tente ligar mais de uma vez em pouco tempo.

O Migração Motorola transfere dados do seu smart antigo para o Moto G, como histórico de chamadas, SMS, vídeos, fotos, músicas e contatos do chip SIM. Funcionou sem problemas com um LG Nexus 4, basta baixar o app gratuito na Play Store.

Câmera

O resultado das fotos foram diversos mas, no geral, não é a melhor câmera da Motorola. Com sensor de 5 megapixels, foco automático, flash de LED, geotagueamento, foco por toque e detecção de faces, ela é apenas mediana.

As imagens (que podem ir até 2592 x 1944 pixels) não ficam muito bem quando ampliadas em seu tamanho natural, pois há falta de acuidade nas fotos. Imagens de ambientes internos, por mais bem iluminados que estejam, acabam sofrendo desse mal, e ficam parecendo uma pintura.

Câmera do Moto G tem 5 megapixels
Stella Dauer
Câmera do Moto G tem 5 megapixels

Para paisagens ela se sai bem melhor, e ambientes com boa iluminação externa também trouxeram melhores resultados. O zoom digital não é muito recomendado, assim como o flash. Mas, se bem utilizados, podem levar a fotos interessantes.

As fotos têm cores equilibradas, bem iluminadas (o modo HDR faz toda a diferença), mas falta também estabilização ótica, o que leva a muitas capturas borradas ou tremidas. A câmera resolve a necessidade de alguém que posta fotos em redes sociais, mas não agradará aos que buscam as melhores fotos em smartphones.

A interface do aplicativo da câmera é bem simples, e não há muitos ajustes a serem feitos, sendo a maioria automática. O menu é baseado em gestos. Um gesto de arrastar de dedos para a esquerda leva à galeria, para o lado oposto ativa uma meia roda de ajustes.

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A câmera filma em resolução HD (720p), com uma qualidade bem aceitável quando em boa luz, além de possuir dois microfones com redução de ruído, que trazem som estéreo. O modo de câmera lenta reduz a resolução geral, mas é extremamente divertido e com alto potencial de exploração. Há também uma câmera frontal, de 1,3 megapixel, que agradou nas fotos, respeitando-se suas limitações.

Música e mídia

O volume externo surpreende por ser muito alto e com qualidade até razoável. Os fones que acompanham a caixa são bem normais, brancos, de plástico. Possuem microfone e botão para atender chamada.

Os fones tiveram resultado satisfatório no teste, com bom estéreo, mas agudos muito ressaltados. Há um equalizador no player nativo do aparelho, mas nem sempre ele ajuda. Não é um fone exemplar, mas cumpre com seu dever. O Moto G possui rádio FM.

A tela de 4.5 polegadas é perfeita não apenas para navegar pelo sistema, como também para assistir a vídeos. Com as cores intensas, o bom brilho e a definição HD, qualquer filme ou seriado vai ficar bem na tela. O som externo acompanha bem, e ajuda a melhorar a experiência.

Bateria e armazenamento

Uma bateria de 2070 mAh poderia ser bem pouco para um aparelho como esse, mas como a Motorola otimizou o gasto no Moto G, ela teve duração muito boa. Em uso normal diário (brilho médio, WiFi, downloads, jogos, música, filmes e ligações) ele alcançou 28 horas de carga.

Com uso menor, ele passa tranquilamente de 40 horas, e em uso mais intenso, assistindo muitos vídeos ou jogando muito, temos até 8 horas de bateria.

O Moto G é vendido em modelos de 8 GB e 16 GB, sendo que o menor é indicado para quem não pretende realizar muitos downloads de aplicativos e nem carregar filmes, apenas músicas. O modelo aqui testado é o de 16 GB, mais aceitável para uso, uma vez que não há slot para cartão de memória.

Desses 16 GB, estão disponíveis para o usuário aproximadamente 12.9GB, o que não é nada mau. Será preciso escolher bem o que levar dentro do aparelho, pois o espaço pode acabar logo se você gosta de vídeos em HD e jogos pesados. Mas dá para o gasto de um usuário não muito exigente.

O que vem na caixa

A caixa do Moto G é sucinta, e tem apenas o necessário para o uso. Além do aparelho, encontramos quatro capinhas coloridas (branca, preta, amarela e vermelha), carregador de viagem, cabo USB / micro USB, fones de ouvido convencionais, brancos, com microfone e atendedor de chamada; e alguns manuais com guia rápido e informações.

Outras edições

Além da que testei aqui, a Dual Colors Edition, o Moto G está disponível em outras edições. A mais simples, que vem apenas com a traseira preta, 8 GB de memória e é Dual Chip, tem valores que começam em R$ 599.

A outra edição é a Music, que acompanha um fone de ouvido externo Bluetooth da Sol Republic. Essa não traz capinhas coloridas, mas é Dual Chip e tem 16 GB de memória interna. Pode ser encontrada a partir de R$790.

Para quem quer mais proteção para o aparelho, mas sem perder a praticidade do tamanho, a própria Motorola colocou no mercado capas diferentes, com tampa, emborrachadas e outras, que são encaixadas na traseira do Moto G, substituindo o plástico existente. Assim, mantém-se a cor vibrante e também o tamanho do smart.

Para quem é

O Moto G veio mesmo para balançar o mercado. Ele deixa para trás até mesmo outros modelos intermediários da própria Motorola, como o Razr D3 e o Razr i . Os concorrentes também devem se preocupar, pois as configurações do G são de um aparelho intermediário mais para topo de linha, e o preço é de um aparelho pouco acima do básico.

O maior defeito do aparelho é a ausência do 4G, mas esse recurso é importante apenas para algumas pessoas. Ele também não possui slot para cartão de memória, mas em compensação, apresenta ótima tela, bom tamanho e processamento decente.

Com poucos apps na memória e sem recursos especiais, o Moto G é uma tela em branco, que o usuário poderá pintar a seu gosto, com os aplicativos e recursos que preferir, sem frescuras. É ideal para quem não quer um smart top e nem os altos custos envolvidos nesse escolha, mas que deseja um celular de qualidade. A Motorola acertou na mosca com o Moto G, e dá para chamá-lo de Nexus barato.

Ficha técnica

Motorola Moto G Dual Colors Edition XT1033

Preço: R$ 800 (Colors Edition)
Configuração: tela de 4.5 polegadas com resolução de 720 x 1280 pixels, sistema Android 4.3 Jelly Bean, processador Qualcomm MSM8274 Snapdragon 400 quad-core Cortex-A7 de 1.2GHz, 1GB de RAM, 3G, 16 GB de armazenamento interno (12.9 GB para o usuário), câmera de 5 megapixels (frontal de 1.2 MP), Wi-Fi 802.11 b/g/n, WiFi hotspot, WiFi Direct, GPS com A-GPS e GLONASS, Bluetooth 4.0 com A2DP.
Dimensões: 13 x 6.6 x 1.2 cm
Peso: 144g
Autonomia de bateria: Até 28 horas em stand-by / Até 8 horas em uso intenso
Itens inclusos: aparelho, manuais, carregador de viagem, fones de ouvido, cabo USB e quatro capinhas coloridas.

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