Grande diferencial do aparelho, tela de 6 polegadas em formato curvado é boa, mas não impressiona

De alguns anos para cá, as telas curvas têm sido um dos assuntos mais comentados do mundo da tecnologia. Os benefícios dessa novidade ainda não estão claro, mas isso não impede que os fabricantes comecem a incluir telas curvas em uma variedade de produtos, incluindo os smartphones. 

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O G Flex (R$ 2.400) é o primeiro produto da LG com essa tecnologia. O smartphone tem uma configuração excelente e bateria de boa duração. Mas tecnologia de tela curva ainda ainda é muito nova e os benefícios no momento são limitados. Confira mais detalhes no teste. 

A favor:

- Configuração poderosa;
- Bateria com excelente duração;
- Leve, em comparação a celulares de tamanho similar.

Contra:

- Tela curva não traz benefícios relevantes;
- Não tem entrada para cartão de memória;
- Tela não é Full HD.

Design

Este é o ponto que diferencia o G Flex de todos os outros smartphones no mercado. O celular é o primeiro com tela curvada a ser vendido no Brasil (a Samsung também tem um smartphone com tela curva, o Curve, mas ele é vendido apenas na Coreia do Sul). 

A tela curvada traz algumas características curiosas. Ao usar o G Flex junto à orelha para fazer uma ligação, há uma curiosa sensação de que o celular está "abraçando" o seu rosto. Por outro lado, isso significa que a oleosidade de sua bochecha provavelmente passará para a tela com facilidade.

A tela curvada faz com que o G Flex não seja dos mais confortáveis de carregar no bolso da calça, principalmente para quem usa calças apertadas. Vale ressaltar que o aparelho tem alguma flexibilidade e pode até ficar reto com alguma pressão. Mas a LG recomenda que o usuário não teste a flexibilidade do aparelho com rigor.

Traseira do G Flex fica facilmente marcada por digitais
André Cardozo/iG
Traseira do G Flex fica facilmente marcada por digitais

A traseira do aparelho é de material plástico brilhante. Poucos minutos de uso bastam para que a traseira fique cheia de marcas de dedo. Por isso, uma capa é altamente recomendada para quem não gosta de marcas de digital no celular.

Segundo a LG, o plástico da traseira do G Flex conta com tecnologia Self Healing. De acordo com a empresa, isso faz com que pequenos riscos sejam apagados com o tempo. A empresa informa que a tecnologia Self Healing não corrige riscos mais profundos.

O G Flex  não tem botões físicos na parte da frente ou nas laterais. Como no G2, os botões liga/desliga e de volume ficam na parte traseira. É uma posição pouco comum e que pode desagradar ao usuário que troca de aparelho, já que é preciso algum tempo até se acostumar e achar os botões mais facilmente. Por outro lado, como o aparelho é muito grande, os botões no meio da traseira são mais fáceis de alcançar do que os laterais, dependendo da forma como se segura o celular.

Uma boa notícia aqui é que o G2 traz o recurso Knock On, que permite ligar a tela com dois toques rápidos em qualquer parte. Assim, o usuário não precisa ficar procurando o botão de ligar na traseira para ativar o smartphone. É um recurso presente também no G2 e em alguns celulares Nokia Lumia.

Com 177 gramas, o G Flex é um aparelho leve para seu tamanho. Para efeito de comparação, alguns aparelhos da linha Nokia Lumia com telas semelhantes pesam cerca de 220 g. 

Configuração

Aqui não há do que reclamar. O G Flex tem conjunto de processamento idêntico ao do G2, com processador Qualcomm Snapdragon quad core de 2,2 GHz e 2 GB de RAM. É uma configuração poderosa que, como era esperado, saiu-se muito bem em todos os benchmarks.

O iG testou o G Flex com os benchmarks AnTuTu (36.236 pontos), Quadrant (19.638), Vellamo HTML5 (2.981) e Vellamo Metal (1.252). Em todos os casos, foram marcas similares às do G2 e do Galaxy Note III, outros smartphones extremamente poderosos.

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O iG também testou o G Flex com vários jogos "pesados", incluindo Eternity Warriors 2, Galaxy On Fire 2 HD, Lawless, 300 e Dead Trigger 2. Em todos os casos, os games rodaram muito bem e sem engasgos.

O G Flex traz ainda 32 GB de espaço, dos quais 24 GB estão livres para o usuário. É espaço de sobra para games e aplicativos pesados. Mas há que se observar que o G Flex não tem entrada para cartões de memória. Esses 24 GB, portanto, são o total de armazenamento local disponível.

Tela

A forma em curva certamente é o maior diferencial desta tela de 6 polegadas. O formato curvo realmente reduz um pouco os reflexos da tela, mas os benefícios param por aí.

LG G Flex tem tela de 6 polegadas com resolução HD
André Cardozo/iG
LG G Flex tem tela de 6 polegadas com resolução HD

Para começar, a tela do G Flex tem apenas resolução HD de 1.280 x 720. É possível que esse valor seja devido a alguma limitação da nova tecnologia POLED, necessária para que a tela seja curva.

Ainda assim, é um pouco frustrante ver um aparelho de mais de R$ 2.000 e com uma tela gigante sem resolução Full HD, um quesito obrigatório em celulares deste nível.

Fora a questão da resolução, a qualidade das imagens é boa, ainda que a tela não esteja entre as melhores do mercado. Principalmente na reprodução de vídeos, foi possível notar imagens ligeiramente "lavadas". Mas não é nada que um usuário comum vá perceber no dia a dia. 

Um benefício teórico da tela curva seria uma sensação de profundidade maior ao ver filmes. Mas, pelo menos nos testes do iG , isso não aconteceu. Prestando muita atenção ao vídeo (e dependendo da cena exibida) é até possível em alguns momentos ter uma leve sensação de profundidade, mas nada além disso. 

Câmera

O G Flex tem câmera traseira de 13 megapixels, com flash LED. O iG comparou algumas fotos tiradas com o G Flex com imagens capturadas pelo Lumia 1520, considerado um dos celulares com melhor câmera do mercado. 

De modo geral, com ambos os aparelhos na configuração padrão e ajustes automáticos, as fotos tiradas com o G Flex ficaram um pouco mais escuras e com menos detalhes nas áreas de sombra. Mas, de modo geral, a câmera do G Flex pode ser considerada de bom nível, com boa fidelidade de cores. O aplicativo permite configurar manualmente ajustes como balanço de branco e ISO, além de trazer modos prontos para situações como fotos noturnas e de rostos.

Sistema e aplicativos

O G Flex vem com a versão 4.2.2 do Android, com uma interface modificada pela LG. De modo geral, o visual adotado pela LG é mais colorido e tem mais "firulas" do que o Android "puro". A transição de uma tela de aplicativos para outra, por exemplo, traz um efeito de profundidade, no lugar da transição simples do Android.

A interface da LG não chega ao nível de complexidade que a Samsung adota em seus aparelhos, principalmente os de ponta. Mas há alguns excessos que podem confundir quem não é um usuário avançado. A janela de notificações, por exemplo, traz nada menos do que 29 ajustes, entre configurações básicas e aplicativos QSlide.

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É possível diminuir radicalmente esse número, editando as configurações padrão e eliminando. Mas seria interessante que, por padrão, a tela trouxesse apenas ajustes mais frequentes e deixasse os mais específicos (como ativação de NFC ou Miracast) .

Recentemente, imagens não-oficiais do LG G3 foram divulgadas na internet com uma interface muito mais "enxuta". Isso pode ser um indício de que a LG poderia modificar sua interface nos seus próximos aparelhos. 

QSlide permite abrir vários aplicativos na tela
Reprodução
QSlide permite abrir vários aplicativos na tela

Na área de aplicativos, dois recursos interessantes são o QSlide e o Dual Window.

Ambos permitem aproveitar melhor a gigantesca tela do aparelho, rodando mais de um aplicativo ao mesmo tempo.

Os aplicativos compatíveis com o recurso QSlide podem ser rodados "por cima" de outros.

É possível, por exemplo, abrir uma janela de navegador que ocupe apenas parte da tela.

O tamanho da janela e sua posição podem ser ajustados. Já o recurso Dual Window divide a tela em duas partes iguais, permitindo rodar um aplicativo na parte inferior e outro na parte superior.

Bateria

Nos testes do iG , o G Flex saiu-se muito bem nesse quesito. A bateria durou cerca de 12 horas com vídeo em tela cheia, Wi-Fi ligado e brilho no máximo. Alguns celulares com telas de tamanho similar não chegam a 10 horas em testes semelhantes.

Conclusão

Do ponto-de-vista da engenharia, o G Flex não deixa de ser uma inovação. Mas a novidade da tela curvada traz poucos benefícios práticos e não compensa o preço de R$ 2.400 do aparelho. Por cerca de R$ 1.700 dá para comprar o LG G2,  que tem tela menor (5,2 polegadas), mas de melhor qualidade e configuração idêntica ao G Flex. Há ainda opções de outros fabricantes, como o Xperia Z1, com preço na casa de R$ 2.000. 

Ficha técnica

LG G Flex

Preço médio: R$ 2.400
Configuração: Processador Snapdragon 2,2 GHz quad core, 2 GB de RAM, sistema Android 4.2.2, 32 GB de armazenamento interno (24 GB livres), tela de 6 polegadas com resolução de 1.280 x 720, Wi-Fi, 4G, câmera traseira de 13 MP com flash LED, câmera dianteira de 2,1 MP, chip no padrão MicroSIM.
Dimensões (cm): 16 x 8,1 x 0,8
Peso (g): 177

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