Novo aparelho da Motorola realiza alguns dos principais desejos dos usuários brasileiros: bateria de longa duração, muito espaço para guardar arquivos e câmera de qualidade

Não é novidade para ninguém que quando uma empresa lança um produto no último trimestre do ano ela está mirando nas vendas de Natal. E, mais recentemente, até na Black Friday. O que a Motorola talvez não soubesse ao anunciar o Moto Maxx (R$ 2.199) no início de novembro é que além de ser uma ótima opção de presente, o robusto smartphone também se transformaria rapidamente em um forte candidato a Android do ano de 2014.

LEIA MAIS:  Mesmo com poucas novidades, novo Moto G é intermediário de destaque

O iG testou o aparelho e pode conferir de perto as características que fazem do Moto Maxx um competidor de peso pelo coração do usuário, e não só em tamanho, mas principalmente em especificações.

A favor:

- Bateria de longuíssima duração;
- Android puro com apps úteis;
- Excelente câmera traseira de 21 megapixels;
- 64 GB de memória de armazenamento.

Contra:

- Traseira sensível e escorregadia;
- Maior e mais pesado que o usual.

Design

O Moto Maxx é certamente o mais diferente dos aparelhos da era Google na Motorola, mas, ainda assim, respeita as mesmas diretrizes que o Moto X e o Moto G de segunda geração. Os cantos da borda são arredondados e há uma fina moldura ao redor da tela. Porém, o Moto Maxx traz de volta os botões físicos abaixo do display. No Moto X e no Moto G eles são virtuais, ou seja, ficam disponíveis somente na tela via sistema operacional. Com isso, o usuário do Moto Maxx tem toda a tela de 5.2 polegadas ao seu dispor.

Outra novidade do Moto Maxx é sua traseira, que lembra bastante os aparelhos da linha Razr da Motorola e é bastante robusta. Feita de nylon balístico Premium, tecido utilizado em malas e mochilas, a traseira possui ainda uma camada de Kevlar, material presente em coletes à prova de bala.

Sem dúvida nenhuma, é um aparelho que aparenta e oferece resistência, mas não deve agradar a todos. Primeiro porque a traseira se mostrou muito escorregadia e segundo porque após uma semana de uso alguns fios começaram a se soltar. São fiapos, quase invisíveis a olho nu, mas que podem chatear consumidores detalhistas e minuciosos.

A lateral emborrachada fortalece a imagem de robustez do aparelho. As laterais, aliás, são bem interessantes. Os botões de liga/desliga e volume estão na lateral direita. E, para ajudar o usuário a identificar os botões apenas com o tato, a Motorola acrescentou uma textura no botão de volume e no de liga e desliga.

Outra solução inusitada é que o botão de volume esconde a gaveta de entrada do chip, que no caso do Moto Maxx é do tipo nano SIM. Inicialmente, o usuário pode achar estranho tirar um botão do próprio celular, mas como a troca de chip não é algo que se faça com frequência, há poucas chances do procedimento danificar o aparelho.

Moto Maxx tem botões físicos abaixo da tela
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Moto Maxx tem botões físicos abaixo da tela

Um aspecto importante de se pontuar é que o Moto Maxx não é fino como seus irmãos. Com 14,3 cm de altura e 7,3 cm de largura, ele possui uma traseira curva que vai de 0,8 cm a 1,1 cm para comportar a bateria. É claro que suas medidas não são gritantes, mas para quem está acostumado com aparelhos cada vez mais finos, o Moto Maxx é um ponto fora da curva. Também por causa de sua bateria ele é um pouco mais pesado que os concorrentes, mas nada que atrapalhe seu manuseio: são 176 gramas.

Tela

A tela do Moto Maxx tem 5.2 polegadas, tecnologia OLED e é Quad HD, ou seja, tem uma resolução equivalente a 2560x1440 pixels e densidade de 565 ppi. Ambas as especificações se traduzem em uma tela de melhor qualidade, mais nítida e com cores mais vibrantes, na qual é quase impossível enxergar o pixel, mas a verdade é que a olho nu é quase impossível distinguir uma Full HD de uma Quad HD. Mas para quem gosta de especificações, Quad HD é o que há.

Lado a lado com um Xperia Z3 Compact, da Sony, a tela Quad HD do Moto Maxx não se sobressaiu sobre a HD do concorrente. Pelo contrário, nos testes feito pelo iG, foi apontada como a menos brilhante das duas.

No Moto Maxx, talvez para dar mais conforto na hora da leitura, o branco é mais sépia do que branco. Nada, porém, que comprometa a experiência. O brilho da tela no máximo não só gasta mais bateria como também cansa mais os olhos.

Outro detalhe interessante da tela do Moto Maxx é que além da proteção contra riscos da Corning, o Gorilla Glass 3, o aparelho traz um nanorevestimento repelente à água.

Configuração

Se por fora o Moto Maxx não chama a atenção porque é preto, sóbrio, robusto e discreto, por dentro ele reluz. A começar pelo seu núcleo, composto de um processador Qualcomm Snapdragon 805 com CPU quad-core de 2,7 GHz de 32 Bit e GPU Adreno 420 de 600 MHz.

O Moto Maxx conta ainda com um processador contextual, responsável por monitorar todos os sensores, entre eles acelerômetro, de luz ambiente, giroscópio, infravermelho e de proximidade, e também um processador de linguagem natural, que é responsável por identificar a frase de inicialização do recurso de voz do aparelho.

Fora isso, o Moto Maxx tem 3 GB de memória RAM e 64 GB de armazenamento, um valor muito acima dos padrões de mercado, mesmo para smartphones top de linha. Para o usuário resta um pouco menos: 52 GB. Ainda assim, bastante espaço para aplicativos, fotos, vídeos e músicas. Em termos de conectividade o Moto Maxx também não decepciona. Tem Bluetooth 4.0 LE, Wi-Fi 802.11a/g/b/n/ac (capacidade banda dupla), hotspot móvel, NFC e suporte a 4G.

Feito em peça única, o Moto Maxx não tem espaço para cartão de expansão de memória nem bateria removível, mas com 64 GB de armazenamento e bateria de 3.900 mAh nem precisa.

Nos testes de benchmark o aparelho foi muito bem: foram 46.699 pontos no AnTuTu, com CPU avaliada como boa e memória RAM, gráficos 2D e 3D como excelente. O valor encontrado pelo iG só é um pouco inferior ao do Galaxy Note 4.

No aplicativo Quadrant Standard, da Qualcomm, foram 22.335, pontuação comparável a de vários tablets. Já no Vellamo HTML 5, que analisa o desempenho do navegador nativo do sistema, o Google Chrome, o Moto Maxx ficou com 3812, acima de vários tops de linha como o Galaxy S5 da Samsung e do G3 da LG.

No Vellamo Metal o resultado também foi bem melhor do que os dois concorrentes citados acima: 1.758 pontos para a capacidade de processamento dos componentes de hardware, e 1.872 no teste Multicore do Vellamo. Ambos os valores são bem próximos dos encontrados com o Xperia Z3 Compact, da Sony, e acima do Galaxy S5 e do LG G3.

O mesmo desempenho admirável pode ser percebido enquanto jogávamos. No Epic Citadel não houve engasgo algum tampouco superaquecimento do aparelho. O AnTuTu, aliás, avaliou o Moto Maxx como um celular capaz de suportar fluentemente grandes jogos para dispositivos móveis.

Sistemas e aplicativos

O Moto Maxx engrossa o coro da Motorola pelo Android puro, ou seja, sem grandes modificações de fabricante como fazem Asus, LG, Samsung e Sony. O celular roda a versão 4.4.4 KitKat e deve receber o Android 5.0 Lolipop em breve segundo informações da Motorola.

Como o Moto X e o Moto G, o Moto Maxx é mais uma prova de que os bons tempos sob a asa do Google só fizeram bem à marca que agora responde à Lenovo. Além de trabalhar em sintonia com o hardware do aparelho, o software vem limpo: sem nenhum widget na tela inicial, com ícones tais como o Google desenhou, e apenas cinco aplicativos da Motorola pré-instalados. Além do app de Ajuda, que ensina o cliente a usar seu novo smartphone Android, estão o Alerta, o Connect, o Moto (que substitui o Assist) e o Migração Motorola, todos úteis.

O Alerta é um aplicativo para emergências, para configurar contatos e avisos com a localização do aparelho e do seu dono, por exemplo. Já o Connect, como o próprio nome sugere, permite que o usuário conecte dispositivos acessórios, como uma bateria portátil ou algo mais inteligente como o Moto 360. O Connect também pode ligar o smartphone ao computador do usuário por meio de uma extensão no Chrome que reproduz as mensagens recebidas no aparelho no PC (ou Mac) e avisa seu dono quando seu celular está tocando.

Já o Moto reúne algumas funções que estavam presentes no Assist e ajuda o usuário a automatizar tarefas realizadas diariamente no smartphone, como silenciar o aparelho à noite. Além disso, é o Moto que reúne os recursos de comando de voz, as notificações que aparecem na tela mesmo quando o aparelho está bloqueado, e as ações sensíveis a movimento. Ou seja, todos os recursos controlados pelo processamento contextual e de linguagem natural mencionado acima.

Com ajuda desse app, o Moto Maxx permite que o usuário configure uma frase de inicialização que poderá ser usada para que o assistente de voz leia notificações, ajude a tirar uma selfie ou envie uma mensagem para um dos seus contatos. No Moto também é possível ativar ou desativar os sensores de movimento, que já veem ativados: basta sacudir o aparelho para abrir o aplicativo de câmera ou, ainda, passar a mão na frente da câmera frontal para silenciar uma chamada ou colocar o despertador na soneca.

E para quem já é usuário da Motorola ou de Android, o Migração é excelente. Com ajuda de um QR Code, o app copia fotos, vídeos, mensagens de textos e até as chamadas recentes para o novo celular.

Bateria

Se você ainda não se convenceu de que o Moto Maxx é um dos aparelhos do ano, chegou o momento. Com uma bateria de 3.900 mAh, superior a todos os concorrentes, ele promete até 40 horas de uso misto.

Nos testes realizados pelo iG conseguimos chegar a 30 horas de uso um considerado normal, isto é, acessando a internet via 4G e Wi-Fi, tirando fotos e ouvindo música. No teste de uso intenso da bateria, o Moto Maxx também bateu recorde: foram 14h30 com um vídeo rodando com brilho máximo e Wi-Fi ligado. A média do teste fica entre 6h e 7h de duração.

Câmera traseira do Moto Maxx tem 21 megapixels e Flash de LED duplo
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Câmera traseira do Moto Maxx tem 21 megapixels e Flash de LED duplo

Câmeras

Também nas câmeras o Moto Maxx se sobressai. A frontal não tem os cinco megapixels de aparelhos para “selfies” que chegaram recentemente ao mercado, mas tem 2 megapixels mais do que suficientes, além de ser capaz de fazer vídeos em HD (1080p). Mas o destaque mesmo fica por conta da câmera traseira, de 21 megapixels em imagens feitas na proporção 4:3 e 15,5 MP na proporção 16:9. Com uma abertura de f/2.0, a câmera tem Flash de LED duplo, zoom digital de quatro vezes e vários modos possíveis graças ao software, como HDR e panorâmico, além de temporizador.

Os recursos de vídeos também são bastante satisfatórios. A câmera traseira do Moto Maxx captura vídeos em Ultra HD, o famoso 4k. Também é possível fazer vídeos em HD (1080p) e em câmera lenta com 720p, recurso muito divertido e disponível em poucos aparelhos.

Além disso, o software de câmera do Moto Maxx permite que o usuário faça foco onde deseja e capture a imagem apenas tocando na tela. As fotos feitas pelo iG saíram não apenas bem iluminadas, claras e límpidas, mas com cores fortes, bem definidas, e similares à realidade.

Áudio e acessórios

Ao contrário de outros aparelhos da Motorola, o Moto Maxx não tem duas saídas de som, mas nem por isso é menos potente em termos sonoros. A saída de áudio fica no topo do aparelho, em um friso antes da moldura. A entrada do fone de ouvido é de 3.5 mm.

O Moto Maxx também traz de fábrica o novo fone de ouvido da Motorola, com fio preto ao invés de branco, intra auricular, com microfone embutido e controle de volume. Sem dúvida alguma, um fone bem superior aos quase descartáveis que acompanham alguns smartphones vendidos atualmente no Brasil.

Um último destaque é o carregador de parede chamado Turbo Charge, capaz de dar até seis horas de duração a bateria em apenas 15 minutos.  Como os demais carregadores da Motorola, o Turbo Charge também vem com um cabo de sincronismo avulso, ou seja, que serve para conectar o aparelho, via entrada Micro USB, no próprio carregador ou em um computador, que também é capaz de carregar o celular, mas bem lentamente. Não se assuste se o aparelho esquentar quando você conectá-lo ao Turbo Charge: faz parte do show.

Conclusão

Forte candidato a Android do ano, o Moto Maxx é um smartphone acima da média. Mesmo vendido a R$ 2.199, um valor que pode parecer alto, é aparelho que vale o que custa e, mais do que isso, está mais acessível que muito concorrente topo de linha. Com uma bateria e um armazenamento sem iguais no mercado, deve conquistar muitos clientes que estão em busca de um aparelho para durar mais de um ano no bolso.

Ficha técnica

Moto Maxx

Preço: R$ 2.199
Configuração: Tela de 5,2 polegadas com resolução Quad HD, sistema Android 4.4.4 KitKat, processador Qualcomm Snapdragon 805 com 2,7 GHz quad-core GPU Adreno 420 de 600 GHz, 3 GB de RAM, 64 GB de armazenamento interno, câmera frontal de 2 megapixels, câmera traseira de 21 megapixels, Wi-Fi 802.11 b/g/n, Bluetooth 4.0 (BLE), NFC, entrada Micro USB e entrada para fone de ouvido de 3.5mm. Rede 4G.
Dimensões: 127 X 64,9 X 86 mm 14,3 com X 7,3 cm X Curva: 0,8-1,1 cm
Peso: 176 g
Bateria: 3.900 mAh
Alto falante: um frontal
Itens inclusos na caixa: um telefone preto, fone de ouvido preto com branco, cabo para sincronismo de dado na cor preta, carregador de parede na cor preta Turbo Charge, garantia e manual. 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.