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Outro ponto forte do smartphone da Huawei é a bela e funcional interface que roda em cima do Android

Depois das norte-americanas e das sul-coreanas, chegou a vez das fabricantes chinesas. Em recente passagem pela Brasil, Chris Anderson, ex-editor da revista “Wired” disse que não existe mais nada que os chineses não saibam fazer em termos de tecnologia. O conhecimento acumulado durante antes de produção para terceiros se transformou em um diferencial competitivo no disputado mercado de smartphones. Não por acaso a Huawei (se pronuncia ua-uei) é responsável por um dos mais interessantes intermediários no Brasil, o Ascend P7.

VÍDEO:  Ascend P7, da Huawei, é Android intermediário com cara de top

Um dos destaques do aparelho é, sem dúvida alguma, a câmera frontal de oito megapixels. De modo geral, todo o hardware é bom, sem configurações enganosas, exatamente o que se espera de um aparelho intermediário na casa dos 1 mil reais. Porém, o que mais surpreende no Ascend P7 é a sua interface. Diante do sucesso da Motorola com o Android puro, fica até difícil dizer que as modificações no Android são melhores do que a versão original do sistema. Entretanto, podemos afirmar que a interface Emotion 2.3 UI da Huawei é uma das adaptações mais bonitas e funcionais que já vimos.

A favor:

- Câmera frontal de oito megapixels;
- Conectividade 4G;
- Interface agradável para Android.

Contra:

- Corpo protegido por vidro, material delicado;
- Preço acima dos concorrentes diretos;
- Bateria não removível.

Design

Sofisticação é uma palavra que se aplica ao Ascend P7. A versão testada pelo iG veio na cor branca e ajuda a dar essa impressão. Em termos de design, o aparelho lembra bastante a linha Xperia Z da Sony, mas com a borda inferior arredonda. Tanto a traseira quando a parte frontal do aparelho são feitas de vidro, mais especificamente de Gorilla Glass 3, o que garante resistência ao aparelho.

Em seu site, aliás, a Huawei explica que o vidro traseiro do Ascend P7 foi feito com um tratamento de superfície de sete camadas e um processo que aumenta a transparência. No entanto, isso não impede que trinque após uma queda mais busca.

Na lateral, uma fita de metal fosco é o detalhe de personalidade que faltava.  Outra característica interessante do Ascend P7 é a discrição. Tanto a porta para o cartão SIM quanto para o micro SD que expande a memória são internas e precisam de uma chave específica – que vem na caixa – para serem acessadas.

O botão de liga e desliga que também bloqueia o aparelho é pequeno e redondo e fica logo abaixo do botão que regula o volume, ambos rentes à lateral do smartphone. A lateral esquerda é totalmente lisa. Na parte superior está a entrada para o fone de ouvido e um pequeno ponto que esconde um microfone para redução de ruído.  Na parte de baixo, estão a entrada para o cabo micro USB e o microfone.

Mesmo o hardware aparente é discreto. Logo antes do início da tela de cinco polegadas está, bem no centro, um dos alto falantes, o sensor de luz e a câmera frontal de oito megapixels. Na traseira, além do logotipo da empresa em prata, está a câmera traseira de 13 megapixels na parte superior esquerda, junto do flash LED. Do mesmo lado esquerdo, só que parte inferior da traseira, encontramos o segundo alto falante. E se não bastasse toda essa construção bem alinhada, o aparelho é leve, pesa apenas 124 gramas, e fino: são 139.8 mm de altura, 68.8 mm de largura e apenas 6.5 mm de espessura.

Detalhe da caixa do Ascend P7
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Detalhe da caixa do Ascend P7

A caixa é quase um item a parte: elegante, ela traz além dos acessórios básicos uma chave para abrir as portas do chip e do cartão micro SD e duas etiquetas NFC para o usuário colocar onde quiser. Todas as peças vêm distribuídas em outras duas caixas, muito organizado.

Configuração

As especificações de hardware do Ascend P7 estão bem de acordo com o que se espera de um aparelho intermediário. O processador é um quad core próprio da Huawei, o HiSilicon Kirin 910 Cortex-A9 de 1.8 GHz Quad Core e CPU Mali-450.

Nos testes de desempenho feito pelo iG com ajuda de aplicativos específicos, o Ascend P7 ficou acima de aparelhos importantes. No AnTutu obteve 28041 pontos, acima do Asus ZenFone 5, considerado  um modelo entre a categoria de entrada e intermediaria, e bem próximo do LG G3, top de linha da sul-coreana.

No Quadrant Standard, o Ascend P7 ficou com 7198 pontos, número próximo ao do Moto G 2014, também um aparelho intermediário. No teste do navegador feito com ajuda do Vellamo HTML 5, o aparelho ficou com 1837, próximo do seu concorrente direto Galaxy Gran Prime, da Samsung.

Já no teste chamado Metal, o smartphone ficou com 960 pontos, acima do Gran Prime e acima do Moto G 2014. No Vellamo Multicoe a pontuação foi de 1258, abaixo do Z3 Compact da Sony, que é um aparelho top de linha, e do Moto G 2014, mas acima do ZenFone 5 da Asus. O aparelho também rodou bem jogos mais pesados, por vezes esquentando a traseira, mas nada que possa ser considerado fora do normal.

O aparelho tem ainda 16 GB de armazenamento, valor compatível com sua faixa de preço. Além disso, o aparelho tem espaço para cartão micro SD de até 32 GB, que expande a memória.

A memória RAM também cumpre com as expectativas: são 2 GB. O mesmo acontece com a conectividade. O aparelho tem Wi-Fi 802.11b/g/n, Bluetooth 4.0 com BLE e compatibilidade com NFC. 

Tela

Com cinco polegadas, o Ascend P7 traz uma excelente tela IPS LCD. Full HD, o display tem 1.920 x 1.080 pixel, 445 ppi de densidade, 16 milhões de cores e proteção Corning Gorilla Glass 3. Além da nitidez e do brilho, a tela entrega para o usuário cores bem definidas e um branco mais inclinado para o sépia, mais indicado para a leitura.

Interface Emotion 2.3 UI, aplicada em cima do Android 4.4.2, é bonita, personalizável e com aplicativos realmente úteis
Divulgação
Interface Emotion 2.3 UI, aplicada em cima do Android 4.4.2, é bonita, personalizável e com aplicativos realmente úteis

Sistemas e aplicativos

O Ascend P7 da Huawei roda a versão 4.4.2 codinome KitKat e uma interface modificada do sistema operacional do Google que é realmente bem-vinda. Por aqui, o Android puro é uma das preferências, mas é preciso dizer que a Emotion UI 2.3 é muito simpática e que oferece recursos de personalização interessantes.

Logo de início percebemos que a Huawei quis dar aos seus aparelhos um toque pessoal, sem ultrapassar os limites do bom senso como outras empresas do setor.

De fábrica, o smartphone vem com pouquíssimo widgets ou atalhos de aplicativo na tela inicial. Um recurso bem bacana é poder mudar a transição entre as telas: as minhas, por exemplo, iam de uma para a outra imitando o movimento de um moinho. Os ícones são modificados, bem diferentes dos originais do Android, mas são bonitos e representativos.

Além disso, eles se alteram conforme o tema escolhido. Se o tema for mais sisudo, como o Gentleman, os ícones ficam mais sério, com o gerenciador de arquivos imitando uma pasta cinza, por exemplo. Se for mais divertido, como o Shangrilla, o ícone desse mesmo aplicativo se transforma em uma pasta amarela, com folhinhas dentro. São mudanças que parecem bobas, mas que podem realmente ajudar o usuário a deixar o aparelho com a sua cara. E não com a cara da fabricante.

O menu de acesso rápido na parte superior da tela desce como uma cortina em cima do que estiver na tela. De fábrica, ele vem com atalhos demais expostos, mas é editável. Alguns bons recursos também estão lá, como o de captura de tela. Em geral capturar uma tela em um aparelho Android é sempre uma incógnita, pois muda de versão para versão ou mesmo de fabricante para fabricante. Um atalho para essa funcionalidade, e várias outras, resolve tudo.

Os poucos aplicativos próprios também são bastante úteis, de modo geral, ajudam a gerenciar o aparelho, seus recursos de bateria e memória. Um deles, por exemplo, faz as vezes de espelho, e mostra o rosto do usuário dentro de uma moldura com a ajuda da câmera frontal.

Bateria

Com 2.500 mAh, a bateria do Ascend P7 está na média do mercado. Nos testes intensivo do iG, feito com Wi-Fi ligado e brilho máximo, a bateria durou seis horas, um valor mediano. Como já dito anteriormente, o aparelho é um dos mais finos do mercado, com uma traseira de vidro, logo, a bateria é embutida. Para fãs de bateria removível, é um ponto que depõe contra.

Emily do lado direito da imagem recebeu tratamento de beleza da câmera e parece um boneco de cera. A original estava cansada
Reprodução
Emily do lado direito da imagem recebeu tratamento de beleza da câmera e parece um boneco de cera. A original estava cansada

Câmera

A câmera é certamente um diferencial importante do Ascend P7. Primeiro porque o aparelho traz uma câmera frontal de 8 megapixels, especificação rara no mercado, mesmo com os recentes lançamentos de equipamentos ditos para selfies, que têm câmera de cinco megapixels. Com uma abertura de f.2, Flash de LED e 13 megapixels, a câmera traseira faz fotos de excelente qualidade, cores bem próximas das reais e imagens bem iluminadas.

O software de câmera do Ascend P7 tem vários modos de configuração, como selfie panorâmica e o mais engraçado modo beleza que eu já vi. De fato, o programa cumpre o que promete e deixa qualquer um sem olheiras ou imperfeições, mas com uma cara de boneco de cera que nem dá vontade de postar a foto modificada no Instagram.

Conclusão

Para uma marca que não é tão assídua na agenda de lançamento do ano, a Huawei acertou em cheio com o Ascend P7. O aparelho intermediário tem grandes chances de conquistar o usuário que está migrando de um Android de entrada para um de melhor desempenho e com um bom custo-benefício. E, mais do que isso, a fabricante chinesa provou que aprendeu com os mestres e que é capaz não apenas de fazer um ótimo hardware, mas de entender as necessidades de softwares de seus clientes em potencial e de surpreender com a maior câmera para selfie do mercado.

Ficha Técnica

Huawei Ascend P7

Preço médio: R$ 1.300

Configuração: Tela de 5 polegadas com resolução Full HD (1.920 x 1.080 pixels), 445 ppi de densidade, 16 milhões de cores e proteção Corning Gorilla Glass 3, sistema Android 4.4.2 KitKat com interface Emotion UI 2.3, processador HiSilicon Kirin 910 Cortex-A9 de 1.8 GHz Quad Core, 2 GB de RAM, 16 GB de armazenamento interno e entrada para cartão de até 32 GB, câmera frontal de 8 megapixels, câmera traseira de 13 megapixels, conexão 4G, Wi-Fi 802.11 b/g/n, Bluetooth 4.0 com BLE, NFC, entrada Micro USB e entrada para fone de ouvido de 3.5mm.
Dimensões (cm): 13,9 x 6,8 x 0,65 mm
Peso: 124 gramas
Bateria: 2.500 mAh
Itens inclusos na caixa: um aparelho celular, um fone de ouvido, um carregador, um cabo USB, um manual do usuário, um folheto de informações de segurança, uma ferramenta de ejeção de cartão, duas etiqueta NFC.