Com tela resistente e bateria de longa duração, Moto X Force é aparelho de peso

Por Emily Canto Nunes - @cantonunes | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Topo de linha da Motorola chegou ao Brasil com bons argumentos de venda que até justificam seu preço alto

Com a promessa de uma tela inquebrável, o Moto X Force chegou fazendo barulho no final do ano passado. Também, pudera: que fabricante tem hoje coragem de arcar com uma publicidade dessas e todas as expectativas que serão geradas? Sem falar nos clientes que vão fazer os mais esdrúxulos testes em casa, não é mesmo? Mas, bem, estamos aqui para falar não só sobre a tela supostamente inquebrável, mas também do aparelho como um todo. Afinal, com preço sugerido de mais de R$ 3.000 é bom que o Moto X Force seja mais do que um display de qualidade, certo?

A favor

- Tela com resistência acima da média
- Bateria de longa duração com carregamento rápido
- Android puro e pouquíssimos apps pré-instalados.

Contra

- Largura do aparelho um tanto exagerada
- Áudio decepcionante apesar dos três alto falantes
- Mesmo slot para segundo chip e cartão de memória.

O Moto X Force tem tela AMOLED de 5,4 polegadas com resolução Quad HD 1440p. Foto: Emily Canto Nunes/iGAlém dos 64 GB de armazenamento interno, o smartphone conta com suporte a cartão microSD de até 2 TB. Foto: Emily Canto Nunes/iGO sistema operacional instalado no Moto X Force é o Android 5.1.1 Lollipop. Foto: Emily Canto Nunes/iGJá a parte superior, apresenta entrada para fones de ouvido e entrada com espaço para dois chips Nano-SIM. Foto: Emily Canto Nunes/iGO aparelho tem 9,2 mm de espessura e pesa 169 g. Foto: Emily Canto Nunes/iGO smartphone conta com alto-falante frontal, cinco microfones com cancelamento de ruído ativo e fone de ouvido com plugue de 3,5 mm. Foto: Emily Canto Nunes/iGO Moto X Force tem proteção contra respingos d'água por meio de um nanorrevestimento. Foto: Emily Canto Nunes/iGO carregamento TurboPower garante 10 horas de uso da bateria com apenas 15 minutos na tomada. Foto: Emily Canto Nunes/iGAparelho apresenta câmera traseira de 21 megapixels e câmera frontal de 5 megapixels. Foto: Emily Canto Nunes/iGA câmera traseira grava vídeos em 4K e possui recursos como estabilização e ajustes de foco e exposição. Foto: Emily Canto Nunes/iGO aparelho tem suporte para carregamento sem fio Qi (acessório vendido separadamente). Foto: Emily Canto Nunes/iGO sistema operacional instalado no Moto X Force é o Android 5.1.1 Lollipop. Foto: Emily Canto Nunes/iGO aparelho possui processador Qualcomm Snapdragon octa-core e 3 GB de memória RAM. Foto: Emily Canto Nunes/iG. Foto: Emily Canto Nunes/iG

Design

O Moto X Force segue os preceitos de design dos demais aparelhos da Motorola. Por ser um smartphone com mais recursos, ele traz mais elementos visuais, especialmente na parte frontal, mas nada que modifique o padrão da fabricante. Acima da tela, centralizado, está um alto falante, enquanto o flash frontal fica do lado esquerdo, espelhando a câmera frontal, que ocupa o mesmo espaço, só que do lado direito. Como outros produtos da linha Moto, não há botões físicos abaixo da tela, apenas os dois alto falantes (sendo que um deles né é de fato alto falante, só parece com um). Os botões de liga e desliga e o de volume estão na lateral direita, no mesmo lugar de sempre, acessível ao dedão dos destros. 

A traseira é levemente curvada, com as extremidades mais finas, o que até ajuda na pegada, mas não soluciona totalmente. Com uma tela de 5,4 polegadas, o Moto X Force tem 7,8 cm de largura, um tamanho acima da média, o que em mãos menores – e olha que esse nem é o meu caso, ainda que eu seja mulher – pode se tornar um verdadeiro desafio. Confesso que tive dificuldades de segurá-lo e ainda mais de digitar com uma só mão. Meu polegar simplesmente não chegava em todos os cantos da tela.

Na traseira, a câmera principal e o flash são praticamente rentes ao corpo do aparelho, envoltos por uma moldura de metal que traz também o logotipo da Motorola. Ficou bonito. A traseira, que não é removível, é do mesmo nylon balístico encontrado no Moto Maxx e, como seu antecessor, possui o mesmo problema do fio que se abre em alguns pontos. Se você é detalhista, pode se incomodar com essa característica.

Um destaque da coleção 2015/2016 da Motorola é que seus aparelhos podem ser customizados graças à chegada do estúdio online Moto Maker, que permite que o usuário escolha as cores de traseira e até mesmo do detalhe metalizado. 

Configurações

Tal qual o preço sugere, o Moto X Force é o atual topo de linha da Motorola, com configurações que não decepcionam o usuário. O processador é um dos mais potentes da atualidade, o Snapdragon 810 da Qualcomm, composto por uma CPU feita de um Quad-core 1.5 GHz Cortex-A53 mais um Quad-core 2 GHz Cortex-A57. A GPU é Adreno 430. Além disso, o aparelho tem 3 GB de RAM e 64 GB de memória de armazenamento, o que para um usuário acostumado a usar a computação em nuvem para guardar fotos e vídeos e a escutar música em serviços de streaming como eu é mais do que suficiente. Mesmo baixando todos os aplicativos possíveis e imagináveis não cheguei nem na metade do espaço. Vale mencionar que o Moto X Force vem ainda com espaço para cartão microSD de até 200 GB.

Nos testes de benchmark que avaliam o desempenho do conjunto de hardware e também a um pouco da perfomance do software o Moto X Force não decepcionou, ainda que tenha ficado um pouco abaixo de concorrentes como o Galaxy Note 5 e o Galaxy S6, ambos da Samsung, e o G4 da LG. No AnTuTu, por exemplo, foram 48.350 pontos. Já no Quadrant Standart ficou com 26.196, acima do G4, mas abaixo do Galaxy Note 5. No teste de HTML do Vellamo o Moto X Force ficou com 2.984 pontos, acima do Xperia Z5. Já no Vellamo Metal e no Vellamo Multicore o smartphone da Motorola ficou melhor que o G4 da LG e também que o Galaxy Note 5: 2.451 pontos no Metal e 2.170 no Multicore.

De fato, o desempenho do aparelho com jogos, mesmo os mais pesados, e aplicativos como Netflix durante os dias de teste pode ser considerado normal e, é claro, muito bom. Afinal, o conjunto da obra é de um smartphone topo de linha. Joguei Asphalt 8 e Dead Effect e não tive nenhum problema de travamento ou de programas fechando repentinamente. Além disso, mesmo sendo equipado com um Snapdragon 810, linha de processadores da Qualcomm que ficou conhecida pelo superquecimento, o Moto X Force não esquenta tanto como outros aparelhos que trazem o mesmo conjunto, bem provável que em razão da traseira de nylon balístico.

Uma pena só a Motorola não ter aproveitado os três alto-falantes na parte frontal do aparelho para entregar um experiência de áudio estéreo para o usuário. Apesar da quantidade, apenas um dos alto falantes da parte de baixo reproduz o som de vídeos, jogos e músicas. Os outros escondem os cinco microfones com cancelamento de ruído ativo, o que sempre é bom. Aúdio estéreo em um aparelho com tela de 5,4 polegadas teria sido a cereja do bolo. Mas, para entar compensar, o Moto X Force possui também revestimento resistente a respingos d'água e poeira.

Um belo prato de comida fotografado com a câmera traseira de 21 megapixels e ajuda do HDR para aproveitar bem a iluminação
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Um belo prato de comida fotografado com a câmera traseira de 21 megapixels e ajuda do HDR para aproveitar bem a iluminação

Câmeras

Desde que a Motorola voltou à cena com o seu Moto G que a empresa vem prometendo melhorar suas câmeras. E conseguiu. No Moto X Force ambas cumprem muito bem seu papel. A frontal é de 5 megapixels, tem uma abertura de f/2.0 e vem acompanha de um flash LED, o que de fato faz diferença se você quer fazer selfies de qualidade. Já a traseira tem 21 megapixels, abertura de f/2.0 e flash LED de dois tons. Além disso, ela é capaz de fazer vídeos 2160p de 30fps ou 1080p de 30fps com High Dynamic Definition (HDR), recurso que funciona tanto para fotos quanto para vídeos. 

Ainda que não seja algo novo, o software de câmera do Android nos aparelhos da Motorola continua sendo um diferencial para mim. O recurso lançado em meados do ano passando que permite que o usuário, além do foco, ajuste também a luz da imagem, ou seja, a exposição da foto, é muito mais simples e libertador do que mudar, por exemplos, o ISO nas configurações. Claro que se você faz mais o tipo fotógrafo profissional essa ferramenta pode ser insuficiente, mas para a maioria das pessoas que, como eu, só querem melhorar a incidência de luz na cena esse é um recurso e tanto. Além disso, a já velha função de ativar a câmera com um simples balançar do aparelho é um dos meus recursos preferidos nos Motorola. 

Tela

Apesar das configurações de ponta e das câmeras melhores, o Moto X Force se destaca mesmo pela tal da tela inquebrável. Com 5,4 polegadas, a tela do aparelho é feita com a tecnologia AMOLED, tem resolução QuadHD (2.560 X 1440 pixels, com 540 ppi de densidade), além da chamada Moto ShatterShield, a tal da tecnologia que torna a tela inquebrável. 

A primeira camada da ShatterShield é a base rígida de alumínio. Depois, vem o display AMOLED flexível, seguido pelo sensor duplo de toque. Por fim, duas camadas mais de proteção, uma chamada de lente integrada, flexível e transparente, e a última, chamada de lente exterior, que protege a tela do aparelho contra riscos, dispensando a necessidade de película. Se algum dano acontecer, é essa parte que será trocada pela Motorola. Para o display ShatterShield, a Motorola dá quatro anos de garantia ao consumidor em quedas de até 1,5 metro, entre outros critérios. Para o aparelho como um todo, a garantia segue sendo de um ano.

Para testar a durabilidade da tela, nós obviamente jogamos o aparelho no chão. Mais de uma vez. Pelo menos umas dez vezes, e em diferentes tipos de superfície. Fizemos por aqui até um vídeo de algumas dessas quedas para provar que sim, apesar da dor no coração, jogamos um belo Moto X Force no chão.

Nos testes, sempre respeitamos os parâmetros da Motorola de altura. Até porque, convenhamos, por mais alto que você seja, é pouco provável que o smartphone caia de uma altura muito maior do que 1,5 metros. Ou seja, não, não jogamos o celular da janela, mas sim de uma altura que respeitasse uma situação factível, como ele escapar da orelha enquanto você fala ou da mão enquanto você digita no WhatsApp. A tela, de fato, não estilhaçou nem tricou. Ficou com alguns arranhões, é verdade, mas intacta no que diz respeito ao seu funcionamento. O mesmo, infelizmente, não podemos dizer do acabamento de metálico, que sofreu com as quedas, enchendo-se de marcas. 

Por fim, vale dizer também que em termos de cores, contraste e brilho da tela o Moto X Force também não decepciona. Como outros modelos da marca, o aparelho tem um branco menos azulado e mais opaco que é recomendado para a leitura, um dos tantos usos desse e de outros produtos que podem ser considerados phablets. 

Conectividade e sensores

O Moto X Force tem Wi-Fi (802.11 a/b/g/n/ac), Bluetooth 4.1, GPS e NFC, para pagamentos móveis no futuro e para outras conexões por contato. A entrada do micro USB é v2.0 enquanto a entrada do fone de ouvido é no padrão 3.5 mm. No que diz respeito a sensores, o Moto X Force tem acelerômetro, sensor de luz ambiente, giroscópio, efeito hall infravermelho, magnetômetro e sensor de proximidade. 

Além disso, compatível com a rede 4G, o Moto X Force é também dual-SIM inteligente. Ou seja, independente do slot em que forem colocados, o chip definido como conexão de dados desempenhará essa função enquanto o outro se tornará só 2G. No entanto, há um porém: o Moto X Force vem com uma gaveta para chips e cartões que é um pouco diferente. Se você quiser transformá-lo em dual chip terá que sacrificar o espaço para cartão de memória. É claro que nenhum usuário gosta de comprar um aparelho com "poréns", mas convenhamos que 64 GB até dispensa cartão de memória.

Sistema

Fã de Android puro que sou, não poderia estar mais contente do que com esse Moto X Force. Mais uma vez a Motorola optou por não modificar a interface do sistema operacional do Google, adicionando apenas algums aplicativos próprios – dá para contar nos dedos das mãos – como o Ajuda, Connect e o Moto, de voz, além dos programas do pacote Google.

O Moto X Force ainda roda a versão 5.1.1 do Android, mas esperamos que a Motorola, mesmo não sendo mais do Google, cumpra sua promessa de atualizar o mais rápido possível seus aparelhos para a próxima versão, neste caso, a sexta, chamada de Marshmallow. Já disse isso, mas não custa repetir: desde a quinta versão o Android está tão redondo e bonito que não vejo motivo para as demais fabricantes alterarem tanto a cara da plataforma assim.

Bateria

Outro grande destaque do Moto X Force é sem dúvida alguma sua bateria. Herdeiro do Moto Maxx, o novo smartphone topo de linha possui uma bateria de 3.760 mAh que é tão impressionante quanto a tela inquebrável. Nos testes feitos por aqui, com vídeo rodando na tela de brilho máximo e com Wi-Fi ligado foram dez horas de duração. No dia-a-dia, ele chegava em casa com uma folga pouco vista em outros aparelhos, durando até o início do dia seguinte. Além disso, o Moto X Force tem carregamento rápido e sem fio, embora o carregador que vem na caixa não seja wireless, é mais uma vantagem.

Conclusão

Grande como suas pretensões, o Moto X Force é um aparelho que merece atenção e também seu investimento se a ideia é adquirir um produto que possa durar mais. Além de trazer uma bateria acima da média, moda que já deveria ter chegado a todas as fabricantes, a Motorola sai na frente como uma inovação que realmente interessa ao usuário. Levanta a mão quem nunca estilhaçou ou trincou uma tela de smartphone ou conheceu alguém próxima que o fez? Pois então. Ele não é perfeito, é verdade, mas oferece ao usuário disposto a pagar mais bons argumentos, pouco vistos no mercado. 

Especificações

Configurações: processador Qualcomm Snapdragon 810 com CPUs octa-core (quad-core 2.0GHz + quad-core 1.5 GHz), GPU Adeno 430 de 600 MHz, tela AMOLED de 5,4 polegadas com 2560 x 1440 pixels de resolução e 540 ppi de densidade, 64 GB de memória de armazenamento expansível até 2 TB via cartão microSD, 3 GB de memória RAM, câmera traseira de 21 megapixels com zoom digital de 4x capaz de gravar vídeos 4K, câmera frontal de 5 megapixels, bateria de 3.760 mAh, Android OS, v5.1.1 (Lollipop), Dual Nano-SIM 4G, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth 4.1, GPS, microUSB. 

Dimensões: 14,9 x 0,78 x 0,92 cm
Peso: 169 g
Chip: dual Nano-SIM

Preço: em torno de R$ 2.999

Leia tudo sobre: moto x forcereviewmotorolasmartphone

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas