Bold 9900 tem muitas qualidades, mas não deve desbancar iPhone e Android

Por David Pogue

A RIM acaba de lançar mais um smartphone nos Estados Unidos, o BlackBerry Bold 9900 (nota do editor: o aparelho está disponível apenas nos Estados Unidos e não é vendido desbloqueado, apenas vinculado a planos de operadoras locais) . A pergunta é: e daí?

No momento, o cenário atual é de competição brutal. Há o iPhone, que tem 29% do mercado de smartphones e 110 milhões de fãs, além de uma loja de aplicativos com centenas de milhares de programas. Há ainda a possibilidade de um novo iPhone em breve. Ninguém vai perguntar “e daí?” para esse aparelho.

Há também o Google. O sistema Android tem 52% do mercado. Só um livro de magia de Hogwarts conseguiria deixar o Google ainda mais poderoso.

Será que a RIM tem chance?

Bold 9900: o melhor BlackBerry do momento
NYT
Bold 9900: o melhor BlackBerry do momento
A princípio, não parece. A fatia de mercado da empresa diminui à medida que os consumidores migram para a Apple e para o Google. A empresa vai demitir 2 mil funcionários, 11% de seu quadro.

As ações chegaram aos valores mais baixos desde 2006. Uma série de textos publicados na internet expôs caos e dúvida entre os funcionários. O adiamento de produtos é constante. Em abril, um dos chefes da empresa se estressou e abandonou uma entrevista da BBC.

Foi mais ou menos na época em que a RIM lançou seu clone do iPad, o Playbook. O produto chegou ao mercado cheio de falhas e sem recursos básicos (como programa de e-mail e calendário).

O aparelho

Mas, tudo bem. Vamos imaginar que ninguém sabe nada sobre isso. Vamos imaginar que o BlackBerry Bold 9900 existe no vácuo.

Como ele é?

Pra começar, muito bonito. O acabamento em aço faz sua primeira aparição em um BlackBerry. Os botões brilham no escuro, o que é útil em situações de pouca ou muita luz.

Também é o BlackBerry mais fino já produzido. É bem mais largo do que o iPhone, mas tem quase a mesma espessura. E é rápido também. E a bateria dura um dia inteiro, às vezes até dois, com uma só carga.

O Bold 9900 tem um teclado muito confortável, com a pressão das teclas perfeitamente reguladas. A opção usada no iPhone (digitação na tela) é mais eficiente quando é necessário digitar acentos ou trocar idiomas. Mas, no resto do tempo, não há dúvidas: o teclado do BlackBerry é superior. Especialmente o deste modelo

Apesar disso, pela primeira vez em um BlackBerry, o teclado é acompanhado de uma tela sensível ao toque de alta qualidade. A tela é mais “quadradinha” do que a do iPhone, no estilo das telas do BlackBerry. Por essa razão, ela fica devendo quando se usa o GPS ou o navegador. Mas tem bom brilho e responde bem ao toque.

BlackBerry OS 7

Outros dois modelos BlackBerry também estão chegando aos EUA este mês: um com uma tela grande e sensível ao toque, similar ao iPhone, e outro com teclado embutido. Assim como o 9900, eles vêm com o novo sistema BlackBerry OS 7.

Não é um grande avanço em relação ao BlackBerry OS 6, e certamente não é o sistema completamente novo que a RIM promete para o próximo ano (baseado no sistema QNX). Mas é um sistema fácil de usar, moderno e eficiente. A único senão fica por conta da precária tela de aplicativos (que só mostra ícones e não traz nomes para identificar os programas).

A faixa de aplicativos logo acima do teclado é bastante útil. Com um gesto você rola a tela e exibe seis ícones de cada vez. É uma forma interessante de reduzir o tempo necessário para acessar um recurso do aparelho.

Um toque no alto da tela ativa os ajustes de rede e o alarme. Um toque em uma faixa logo abaixo dessa ativa as notificações (novos e-mails e mensagens).

O BlackBerry OS 7 também traz navegação mais rápida (com gesto de zoom) e uma bússola.

Há também um botão físico para a câmera de 5 megapixels, que também grava vídeos em alta resolução (720p). Ela tem flash, mas não foco automático. Fotos e vídeos são de boa qualidade e é fácil enviá-los para amigos. Mas aqui a tela quadradinha também atrapalha um pouco.

O aparelho traz ainda 8 GB de memória e uma entrada para cartão que pode expandir essa capacidade para 40 GB.

O aparelho também tem um transmissor NFC. A sigla quer dizer Near Field Communications e, em tese, permite ações como pagar uma conta simplesmente aproximando o telefone do caixa, ou acessar mais informações de uma peça aproximando o telefone do cartaz.

Parece ótimo. Infelizmente, o NFC é uma daquelas tecnologias que “está para chegar” há vários anos.

Aparelho é bom, mas não o suficiente

Apesar de suas qualidades, o 9900 ainda não consegue competir com iPhone e Android. Não há câmera frontal, então não há como fazer chats com vídeo. Também não dá para fazer com que o aparelho funcione como roteador sem fio.

E a fraca loja de aplicativos do BlackBerry não chega nem perto das lojas concorrentes.

E sabe o que mais? O número de empresas envolvidas no mercado de smartphones encolheu recentemente, e isso é uma pena.

Apenas nas últimas duas semanas, a HP “matou” o seu tablet TouchPad e seus smartphones Pre. E o Google comprou a divisão de celulares da Motorola. Inovação é bom, competição é melhor ainda. Um mundo apenas com telefones da Apple e do Google seria menos emocionante.

É triste ver a RIM lutando para sobreviver. Sim, a empresa cometeu alguns erros graves: ela se dedicou apenas a aparelhos para usuários corporativos por muito tempo, ignorando a tendência de telas multitoque e design sofisticado. Ela perdeu muito tempo e gastou muito dinheiro para produzir o seu desastroso tablet Playbook.

Mas o excelente aparelho 9900 mostra que, quando pressionada, a RIM pode criar produtos vencedores. Esse aparelho é o melhor BlackBerry já produzido, mas, contra as gigantescas forças do iPhone e do Android, é um avanço pequeno. Espero que haja fãs do BlackBerry dispostos a comprar os novos aparelhos e que a empresa reaja antes de que a manchete seja “RIP RIM”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.