Versão Mango deixa o sistema da Microsoft no mesmo nível de iPhone e Android

Por David Pogue

Sabe da última? Um novo modelo de um smartphone retangular, preto e com tela sensível ao toque chegou ao mercado. Ele vem com centenas de novos recursos, diz a fabricante. O melhor deles é reconhecimento de voz: você pode falar com o aparelho e pedir para ele ligar para alguém, enviar SMS ou informá-lo sobre o trânsito.

Eu falo, claro, do novo sistema da Microsoft, o Windows Phone 7.5. Te peguei!

Sim, a Microsoft está claramente tentando competir com o iPhone e o Android com seu próprio sistema. Nos Estados Unidos, ele está disponível em aparelhos de fabricantes como Samsung e HTC ( nota da redação: a Nokia anunciou recentemente seus primeiros aparelhos com Windows Phone ).

Quadrados e retângulos são marca do Windows Phone 7.5
Getty Images
Quadrados e retângulos são marca do Windows Phone 7.5
O Windows Phone 7.5 é atraente, elegante, rápido e intuitivo. O design é inteligente, “limpo” e sem firulas. Nunca poderia imaginar que esse sistema é produzido pela mesma empresa responsável pelos confusos Windows e Office.

Design inovador

Mais impressionante ainda, o Windows Phone não é uma cópia descarada de seus concorrentes. A Microsoft criou conceitos de interface completamente novos que diferenciam seus aparelhos claramente do iPhone e de celulares Android.

A tela inicial tem duas colunas com ícones retangulares (“tiles” em inglês). Cada ícone funciona como um atalho para recursos do aparelho: aplicativos, número de telefone de um contato freqüente, página web, uma lista de músicas ou pasta de e-mail.

Além disso, o texto de cada ícone informa claramente seu uso, evitando que o usuário tenha que ativar o ícone para saber o que ele faz. Um número dentro do ícone informa o número de mensagens, e-mails ou atualizações de aplicativo. O ícone de música mostra a capa dos álbuns, o ícone do calendário exibe seu próximo compromisso.

Nova versão é avanço claro, mas tem algumas falhas

O Windows Phone foi lançado, ainda incompleto, há um ano. Não havia copiar/colar, nem a possibilidade de personalizar o toque do telefone com sua música favorita. Também não havia o recurso multitarefa, nem caixa de entrada única para várias contas de e-mail.

Na versão 7.5 (também conhecida como Mango), a Microsoft corrigiu todas essas falhas.

A maioria dos avanços foi feita de forma correta. Mas em alguns casos há falhas. Por exemplo, você entra no modo multitarefa pressionando o botão “voltar” do aparelho. Mas esse modo multitarefa funciona como no iPhone: quando você sai de um aplicativo, ele não continua rodando e consumindo bateria (com as exceções óbvias, como aplicativo de músicas e GPS, que continuam funcionando).

O aplicativo entra em um modo de hibernação e, em teoria, volta a funcionar assim que o usuário o ativa novamente. O problema é que, no caso do Windows Phone, os aplicativos têm que ser reprogramados para tirar vantagem desse recurso. Aplicativos mais antigos, ainda não preparados para o recurso, podem levar alguns segundos para serem reativados.

Além disso, ainda não há como criar pastas para organizar os aplicativos. Não há como enviar vídeos para outros celulares na forma de mensagens MMS. Não há aplicativo embutido para chamadas com vídeo. E, como no iPhone, não dá para ver vídeos em Flash na web.

Mas a lista de pontos negativos é bem menor do que a de qualidades.

Buscas por voz e imagens

O aplicativo de busca Bing agora aceita comandos de áudio e fotos para ativar buscas. Na prática, você pode usar o smartphone para detectar qual música está tocando em um lugar. Em poucos segundos, o Bing identifica a música e mostra os dados do artista. É um recurso igual ao aplicativo Shazam para Android e iPhone, mas já vem no aparelho.

Aplicativo do WP7 mostra atrações perto do usuário
Getty Images
Aplicativo do WP7 mostra atrações perto do usuário
A busca por imagens funciona de modo similar ao Google Goggles. Você mira a câmera do aparelho em um código de barra, capa de livro ou DVD, e o aparelho identifica o produto e dá mais informações.
Dá até mesmo para fotografar um bloco de texto e torná-lo editável no próprio aparelho.

O Bing converte a imagem em texto editável e ele pode ser usado em um documento do Word, por exemplo. Há até um botão de tradução. O texto fotografado pode ser instantaneamente traduzido para outras línguas. Isso é sensacional, por que não tem ninguém falando sobre isso?

Há ainda o recurso de comandos por voz. Basta pressionar o botão Home do aparelho para ativar um assistente digital, como o Siri do iPhone 4S ( nota da redação: o reconhecimento de voz não funciona em português, apenas em inglês e alguns outros idiomas ).

Bem, ok, não é como o Siri. O reconhecimento de voz fica longe do aplicativo da Apple nos quesitos precisão e quantidade de expressões reconhecidas. Não dá para ditar qualquer coisa em vez de digitar, como ocorre no Android e no iPhone. Só dá para ditar mensagens de texto (SMS), e-mails e termos de busca.

Mas o assistente reconhece bem quatro comandos importantes: ligar, enviar SMS, encontrar (na web) e abrir (um aplicativo). No iPhone, não é possível abrir aplicativos por meio de comandos de voz.
No Windows Phone 7.5 é possível agrupar seus amigos, o que facilita a comunicação e também o acompanhamento das atividades na web.

No aplicativo de agenda, cada contato tem um ícone com a história completa de conversas, não importando o meio (SMS, e-mail, Facebook etc.). Na verdade, uma conversa iniciada no Facebook pode continuar via SMS. O aparelho transita entre os dois meios de modo intuitivo.

Contatos podem ser reunidos em grupos
Getty Images
Contatos podem ser reunidos em grupos
Twitter e LinkedIn estão embutidos no Mango (embora não seja possível enviar uma DM no Twitter).

O Mango continua oferecendo tudo o que o Windows Phone original tinha a seu favor: teclado virtual preciso, integração com contas do Xbox e o serviço de música Zune (disponível apenas nos Estados Unidos).

Microsoft chegou atrasada ao mercado

Se esse sistema tivesse sido lançado antes do iPhone, muita gente sacrificaria pequenos animais para tê-lo.

Mas o atraso de três anos da Microsoft em relação a seus rivais será difícil de descontar.

O Windows Phone pode ser considerado uma pessoa estranha e esquisita. Ao contrário do iPhone, ele não tem uma quantidade de periféricos como caixas de som, adaptadores para carros, carregadores e outros acessórios.

A loja de aplicativos do Windows Phone tem 30 mil itens, o que é uma marca considerável. Mas o Android tem 10 vezes mais, e a Apple tem 16 vezes mais.

A Microsoft diz que é a qualidade dos aplicativos que interessa, e não a qualidade. Mas, infelizmente, muitos programas populares ainda não estão no WP7: Pandora, Dragon Dictation, Line2, Flight Track, Instagram, Hipstamatic.

Fora isso, a birra da Microsoft com o Google impede a publicação de vídeos no YouTube ou o uso do  Google para buscar algo na web.

Em outras palavras, a Microsoft pode entrar em um círculo vicioso. Não importa o quão legal seja, o Windows Phone não é popular porque não é popular.

A Microsoft já conhece essa história. Lembram do tocador Zune, que foi aposentado pela Microsoft recentemente? Ele era um tocador elegante, fácil de usar e com muitos recursos, mas ninguém comprou. Por que comprar um aparelho alternativo em vez do iPod, que todo mundo tinha?

Vamos torcer para que o Windows Phone não tenha o mesmo destino. O trabalho da Microsoft merece elogios e boas vendas. Talvez não seja tão maduro quanto o iPhone ou o Android. Mas o mundo dos aparelhos móveis fica mais interessante com o Windows Phone.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.