Tela Retina Display impressiona à primeira vista, mas processamento gráfico também surpreende os usuários mais exigentes

A terceira geração do iPad, com a tão esperada tela Retina Display, chegou ao Brasil . Apesar de a Apple não ter mudado muito o design e o novo iPad ter ficado até ficou um pouco mais gordinho, o processamento e a tela deixaram todos de queixo caído mais uma vez.

Ele ainda não tem – e nem deve ter – alguns itens muito pedidos, já presente em tablets Android. Mas o novo iPad (que não é chamado de iPad 3) se mantém como o rei dos portáteis.


Prós:

• Tela brilhante, bem definida;
• Gravação de vídeo em 1080p com estabilização;
• Processamento poderoso;
• Grande base de aplicativos disponíveis;
• Já possui suporte ao 4G (mas continua compatível com 3G).

Contras:

• Sem conexão HDMI nativa;
• Sem entrada para cartão microSD;
• Pode esquentar muito;
• Sem alto falantes estéreo;
• Mais pesado e grosso que o modelo anterior.

Design

O novo iPad não é muito diferente do modelo anterior, mas a nova geração do iPad é imperceptivelmente maior do que a anterior. Além do peso, que passou de 607 para 662 gramas, a espessura do tablet passou de 88 para 94 milímetros. Não dá para sentir isso facilmente, mas é interessante notar que a Apple abriu mão do "menor do que o anterior" para encaixar seus componentes com segurança. Isso não impede, porém, que o novo iPad esquente muito mais do que o iPad 2.

Também não dá para falar do design sem citar a capa especialmente desenhada para o iPad. A Smart Cover não protege em nada a traseira do tablet, mas se liga – de forma quase mágica – a ele através de ímãs, ligando o iPad automaticamente quando ela é aberta. Suas dobras também permitem que ele seja colocado em dois ângulos: em pé, como um portarretratos, ou deitado, como em uma máquina de escrever.

Tela

O grande destaque do novo iPad está na tela. A tecnologia Retina Display, que traz maior definição e brilho, agora está no tablet. E é impressionante mesmo: se tornou impossível ver os pixels da tela sem a ajuda de uma lupa e as cores e o brilho dão um "up" em qualquer foto, vídeo ou aplicativo. A definição superior deixa aplicativos bem desenhados com um ar mais realista e mais bonito. É como se tivessem "passado um Photoshop" em tudo.

Ela é capacitiva, multitoque, retroiluminada por LEDs e possui tecnologia IPS – melhor para ver em ângulos mais agudos. São 9,7 polegadas com 16 milhões de cores e resolução enorme, 2.048 por 1.536 pixels, com definição de 264 pixels por polegada (ppp). A Apple afirma que a tela tem revestimento resistente a impressões digitais e oleosidade, mas não funciona na prática. A tela também é resistente a riscos mas, na dúvida, é melhor comprar uma película.

Hardware e processamento

O processamento, no geral, melhorou. Embora use a mesma CPU que o iPad 2 – processador Apple A5X 1GHz com dois núcleos –, agora ele vem com o dobro de RAM, 1 GB. Mas a unidade de processamento gráfico (GPU) faz a diferença, rodando em ambiente de quatro núcleos (quad-core).

Em testes realizados com aplicativos de benchmark (Gensystek, LinpackBenchmark, PawaMark) o novo iPad se saiu bem. Em relação ao primeiro modelo do iPad ele dá um banho, principalmente no que se diz respeito ao processamento de jogos, mostrado pelo aplicativo  PawaMark. Infinity Blade, jogo de RPG que usa a engine Unreal para rodar, teve ótimo desempenho.

Estão presentes todos os sensores: bússola, giroscópio, luz ambiente e acelerômetro. Em conexões, ele é praticamente completo, mas fique de olho no modelo. Ele possui WiFi, Bluetooth 4.0 – sem transmissão de dados –, 4G (no qual o 3G funciona perfeitamente) e GPS com A-GPS (modelos apenas com WiFi não possuem GPS). Dependendo da operadora, agora também é possível usar a função de Wi-Fi Hotspot.

Sistema operacional e usabilidade

Pra quem já conhece o iOS, nem preciso explicar. Para os que nunca tiveram contato, eu digo: mexer nesse sistema é simples. As transições são suaves, o visual é bonito e você encontra tudo o que precisa com poucos cliques. As configurações de cada aplicativo ficam nas preferências gerais do aparelho, todas juntas.

A única coisa que fica realmente faz falta são widgets na home, como o Android tem. Eles deixam mais fácil o acesso a certas informações. O Flash ficou de fora mais uma vez, mas tudo indica que ele não irá durar muito tempo. Com o iOS 5 há também um sistema de notificações, tarefas, entre outros. Pena que o Siri – sistema de funcionamento por voz – não está presente.

No quesito físico, dá para dizer que ele poderia ser melhor. A traseira de metal precisa de uma capa, pois além de escorregar com facilidade das mãos, também risca muito. A tela com vidro brilhante pode incomodar na luz do dia, e as marcas de dedos surgem com facilidade. Seu peso não é dos melhores para usar na cama. Mais pesado do que muitos livros, ele pode se tornar um incômodo. O mesmo vale para assistir a vídeos.

Aplicativos

Os mais interessantes são os que utilizam as câmeras do tablet. Temos o FaceTime, um programa de chat por meio de vídeo que funciona muito bem – apenas entre quem possui Mac ou outros dispositivos da Apple. Não poderia faltar também o Photobooth, programa já muito conhecido entre usuários de Mac. Ele permite tirar fotos com efeitos bonitos ou engraçados. Dá pra brincar por mais de uma hora com seus amigos.

E por último, o iMovie. Ele não vem com o iPad, mas é um aplicativo indispensável. Com ele você pode filmar com o iPad e rapidamente já ir editando tudo, de forma bem simples. Quer adicionar mais uma cena? Filme direto no programa e insira no filme. Com alguns efeitos disponíveis, o resultado final fica muito interessante.

Algumas pessoas sentirão falta de alguns apps que o antigo iPad tinha e esse não: clima, bolsa de valores, relógio, calculadora, lembretes de voz. São mesmo importantes, mas a Apple deve ter imaginado que existem aplicativos de terceiros muito melhores do que os que oferecia.

Não dá para esquecer da super base de aplicativos que a Apple possui: atualmente, são quase 600 mil (parte deles foi originalmente desenvolvida para o iPhone, mas é compatível com o iPad). A desvantagem em relação à loja do Android é que muitas coisas são pagas, e se você já teve um tablet da Apple e quer passar para o sistema da Google, vai ficar com o coração doendo em perder todos o dinheiro que gastou com aplicativos na App Store.

Câmera

Tivemos uma grande atualização. O iPad 2 tinha apenas 0.7 megapixels na câmera traseira e o novo vem com 5 megapixels. A câmera frontal continua a ser VGA, mas funciona perfeitamente para o Photobooth e para conversas via vídeo. O foco é automático, e há também estabilização de imagem. Se preferir, escolha o foco com o toque.

Agora o iPad também grava em Full HD (1080p) com até 30 quadros por segundo, áudio e estabilização de vídeo. Nenhuma das duas funções substitui uma câmera compacta – aliás, nem é muito confortável filmar ou fotografar com o tablet – mas se saíram bem em condições de pouca luz e muito bem em condições de boa luz.

Música e mídia

Assim como a tela já mostra, o iPad é perfeito para mídias. Seu alto falante externo não é fantástico, já que não é estéreo, mas dá para ver filmes sem problemas. E também nada impede você de comprar um par de caixas de som de qualidade para ver seus vídeos. Ele não vem com fones de ouvido, então se você quiser ouvir música de forma discreta, vai precisar pôr a mão no bolso (mais uma vez).

Se estiver na casa do amigo e quiser mostrar os filmes da viagem, tenha em mãos o adaptador AV digital da Apple (vendido separadamente) e plugue o iPad na TV de alta definição, com até 1080p. Ele reproduz vídeos e áudio em qualquer formato, basta ter o aplicativo correto para isso. E para os que têm o Apple TV, ele faz espelhamento até 1080p.

Ele não é muito confortável para apenas escutar músicas – um dispositivo menor é melhor –, mas para um acompanhamento enquanto você realiza outras tarefas (como escrever ou jogar) serve bem, e possui ótimo som interno. Se você é adepto da compra de músicas, tem acesso à loja do iTunes, que também serve para alugar filmes.

Bateria e armazenamento

A Apple promete 10 horas de uso com Wi-Fi, vídeos ou música e 9 horas com o uso da internet por meio da rede 3G/4G. Durante os testes, chegamos a 8 horas com o uso do 3G e 9 horas com Wi-Fi, mas isso obviamente pode variar de acordo com os sites que você visita, aplicativos que utiliza, entre outros. A média é boa, embora o ideal seria contar com uma bateria com duração de 12 horas.

O armazenamento não mudou em nada. A Apple ainda não disponibiliza – e nem deve fazer isso qualquer dia – entrada para cartão microSD (embora exista um adaptador que aceite cartões SD), mas em compensação oferece um bom armazenamento interno. Nosso modelo para testes possui um respeitável espaço de 64 GB, mas também há versões com 32 GB e 16 GB. O de 16 GB exige atenção quanto ao que você coloca no tablet: filmes ou revistas demais podem acabar rapidamente com o espaço.

O que vem na caixa

Se é Apple, é minimalista. Nada de fones de ouvido ou manuais de uso. Dentro da sucinta caixa do iPad você encontra o tablet, o cabo conector, o adaptador de energia e uma pequena documentação básica, além de dois adesivinhos da maçã.

Para quem é

Quem procura o melhor tablet do mercado, não tem jeito, acaba escolhendo o iPad. Quem chega perto dele é o Samsung Galaxy Tab 10.1 , a opção para os que preferem Android. Mas se você procura o melhor, o iPad ainda continua dominando nos quesitos de qualidade, design, processamento, tela, aplicativos e outros.

E se você é fã da Apple, pode realizar a troca do seu modelo anterior do iPad com a segurança de estar comprando um aparelho melhor. A tela melhorada e o processamento fizeram diferença, e a versão 2012 do tablet da Apple é quase tudo aquilo que você sempre quis (sempre fica faltando algo).

Ficha técnica

Apple iPad 4G

Preço:
a partir de R$ 1.550 (versão de Wi-Fi com 16 GB de memória)

Especificações: tela de 9,7 polegadas com resolução de 2.048 x 1.536 pixels, sistema operacional iOS 5.1.1, processador A5X de 1 GHz com dois núcleos, memória de até 64 GB, câmera de 5 megapixels sem flash, conexão Wi-Fi, 3G/4G e Bluetooth 4.0, GPS

Dimensões:  24,1 x 18,5 x 0,94 cm
Peso: 662g
Autonomia de bateria: até 9h em uso intenso
Itens inclusos: aparelho, cabo conector, adaptador de energia e documentação básica.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.