Tablet do Google é desafiante de peso para o iPad

Nexus 7 tem design elegante, é barato e rápido

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Por David Pogue

Você pode amar ou odiar a Apple, mas uma coisa é certa: o jogo favorito da empresa é liderar a indústria. E o jogo favorito da indústria é seguir o líder.

Steve Jobs odiava imitações. O software Android, do Google “roubou completamente as ideias do iPhone”, ele disse ao seu biógrafo, Walter Isaacson. “Vou destruir o Android, pois é um produto roubado”.

Mas a imitação também tem seu lado positivo. Dá para argumentar que os copiadores da Apple preenchem mercados que a empresa não quer. Ou que eles oferecem uma alternativa ao mundo totalmente controlado da Apple.

Nexus 7 é o primeiro tablet com a marca Google. Ele tem tela de 7 polegadas e é fabricado pela Asus. Foto: ReutersVersão mais simples do Nexus 7, com 8 GB, custa US$ 199; versão com 16 GB é US$ 50 mais cara. Foto: ReutersNexus 7 foi distribuído de graça a participantes da conferência Google I/O. Foto: Getty ImagesTablet do Google tem tela de 7 polegadas e design elegante. Foto: Getty ImagesNova versão do Android, chamada de Jelly Bean, é uma das novidades do tablet. Foto: Getty ImagesAparelho é integrado a serviços do Google, como Gmail e YouTube. Foto: Getty ImagesNexus 7 é quase tão fino quanto o iPad. Foto: Getty Images

Sob esse aspecto, os novos produtos do Google são uma enxurrada de boas notícias. Primeiro, o Google abriu uma loja que reúne aplicativos, livros, filmes, séries de TV e músicas, projetada de forma semelhante à iTunes.

Semana passada, o Google apresentou o Nexus Q, uma esfera negra que se conecta a TVs e reproduz música e vídeos, de forma semelhante à Apple TV.

Kindle Fire na mira do Google

Mas, acima de tudo, o Google apresentou o Nexus 7, um tablet que pretende desafiar o iPad e o Kindle Fire, da Amazon (nota da redação: o Kindle Fire não está disponível no Brasil).

O maior atrativo do Kindle Fire é o preço: US$ 200. É um belo atrativo quando o tablet dominante custa US$ 500 ou mais. Mas é claro que o Fire está longe de ser um iPad. A tela de 7 polegadas é bem menor e ele é mais espesso. Não tem câmera, microfone, GPS, Bluetooth nem entrada pra cartão de memória. A principal função dele é reproduzir conteúdo comprado na Amazon.

E é por isso que o tablet do Google, fabricado pela Asus, é uma baita novidade. Ele também tem uma tela de 7 polegadas e só custa US$ 200. Mas não passa a sensação de que cortaram recursos para diminuir o preço. O aparelho é fino, elegante e tem bordas arredondadas (diferentes do visual “tijolão” do Fire). Ele pesa 70 gramas a menos do que o Fire e é pouco mais espesso do que o iPad.

Mais importante, o Nexus é um tablet completo. É quase tão bom para criar conteúdo como para consumir. É rápido e capaz de rodar qualquer aplicativo do Android.

Por isso, o tablet do Google simplesmente deixa o Fire no chinelo. E ele também é melhor do que seus competidores com Android. Por exemplo, um tablet similar da Samsung com Android (com tela de 7 polegadas e 8 GB) custa US$ 250.

Como o Google pode oferecer um tablet de primeira pelo mesmo preço do basicão da Amazon? Perguntei à equipe do Nexus se a empresa estava perdendo dinheiro com o tablet para ganhar na compra de livros, músicas e vídeos. O Google admite que não ganha dinheiro com vendas do tablet no seu site (e, portanto, deve perder dinheiro quando o produto é vendido em lojas).

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Nexus 7 tem boa configuração e visual elegante

O importante é que o Nexus 7 tem uma boa configuração para um tablet de US$ 200. Ele tem Wi-Fi, Bluetooth, bateria com duração de nove horas, uma tela com bons brilho e contraste, um alto-falante razoável e GPS. Aliás, um tablet de 7 polegadas é um excelente navegador GPS.

Na parte de hardware, faltam apenas alguns recursos. Há uma câmera frontal para chamadas com vídeo, mas não há câmera traseira para fotos. Não dá para remover a bateria. Não há conexão 3G, só dá para conectar o aparelho à internet por meio de Wi-Fi. E, como não há entrada para cartão, os 8 GB de memória são tudo o que você terá (há um modelo com 16 GB que custa 50 dólares a mais).

Nova versão do Android

Um diferencial do Nexus 7 em relação a outros tablets é a versão mais recente do Android (4.1 ou Jelly Bean). Parte da vida no mundo do Android é não saber quando uma nova versão do Android estará disponível para seu aparelho. Ter a versão mais recente, portanto, é um grande benefício.

O sistema Jelly Bean oferece dezenas de novos recursos. Por exemplo, um gesto para o alto da tela exibe a tela do Google Now: pequenos “cartões” com informações que o aparelho “acha” que são úteis, baseadas em local, histórico de locais, agenda e buscas no Google. Por exemplo, se você fez uma busca recente por um time ou um voo, você vê os resultados dos últimos jogos e informações sobre o voo. Informações sobre clima, trânsito e compromissos também são parte desse recurso interessante, mas ainda imaturo.

Agora é possível salvar mapas de uma cidade inteira no aparelho. Assim, não é necessário ter uma conexão à internet para navegar.

O recurso de ditar para digitar do Android agora também funciona sem internet (no iPhone e no iPad isso não acontece). Ele funciona melhor quando se está online, mas pelo menos o básico dá pra fazer sem conexão.

Mas a maior mudança, sem dúvida, é a velocidade. Os engenheiros do Google se esforçaram bastante para que o tablet da empresa respondesse tão bem aos gestos como “aquele outro tablet”. As animações rodam bem a 60 quadros por segundo. O Google diz que o sistema tenta adivinhar onde será o próximo toque e antecipa algumas animações.

E funciona muito bem. O tablet do Google é equivalente ao iPad em sua resposta ao toque. Todos os outros fabricantes de tablets devem observar isso.

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Jelly Bean é rápido, mas faltam aplicativos

Infelizmente, o Jelly Bean traz vários recursos, mas tira outros. O sistema não tem suporte a vídeos em Flash, uma vantagem que já foi importante. Além disso, estranhamente, no Jelly Bean não é possível usar a tela principal de aplicativos (Home) no modo horizontal.

No Nexus 7, os aplicativos do Google para ler livros, tocar música e ver vídeos estão em destaque. Claramente, o Google quer reproduzir uma vantagem dos tablets da Apple e Amazon, suas lojas bem integradas de conteúdo.

Falta de conteúdo é problema

Infelizmente, a loja do Google está em seu início e tem muito menos variedade de conteúdo do que seus concorrentes. Por exemplo, o catálogo de revistas e jornais da Amazon tem mais de 600 publicações. O do Google tem cerca de um terço disso.

A loja de música não tem nada da Warner, então nada de Green Day, Linkin Park, Regina Spektor, Led Zeppelin, e por aí vai. Nas lojas da Amazon e da Apple, uma música comprada pode ser baixada inúmeras vezes. No Google, isso só pode ser feito duas vezes.

Na loja de vídeos, o Google não tem nada da Fox, CBS, Warner, HBO, BBC, MTV, Showtime, Discovery, History, A&E.

Pior do que a falta de conteúdo de música e vídeo, há pouquíssimos aplicativos criados especificamente para o tablet do Google. No iPad há mais de 200 mil.

Mas o Nexus 7, como aparelho, é muito bom. A integração entre hardware e software é tão boa quanto a da Apple, e seu design humilha o Kindle Fire. Resumindo, esse tablet pode resolver o problema “ovo e galinha” do Google. Talvez, se ele ficar popular, mais desenvolvedores criem aplicações interessantes para ele. E mais empresas de música e vídeo ofereçam seus conteúdos.

Até lá, o iPad ainda traz um pacote mais atrativo (hardware, software, loja). Mas, com uma tela de 9,7 polegadas, não cabe no bolso da calça. Se um produto menor, mais leve e barato é mais interessante para você, o Nexus 7 pode ser uma boa opção. Ainda que leve algum tempo para que ele tenha tudo o que você quer ler, ouvir e ver.

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