Com conteúdo da plataforma Playstation, aparelho é uma opção interessante para quem usa o tablet para jogar

As vitrines virtuais e reais estão cheias de tablets idênticos, com pequenas mudanças no acabamento traseiro, na falta ou presença de um botão frontal, câmeras etc. Quem se arrisca a mudar pode se dar bem?

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A Sony lançou seus modelos de tablets muito depois de outras marcas, e um dos primeiros modelos a chegar é o tablet Sony S. Se depender de sua performance, ele será um concorrente de peso no mercado brasileiro, onde chega por R$ 1.465.

A favor:

• Já vem com o sistema Android 4.0;
• Funciona com cartão SD, padrão;
• Suporte a periféricos USB;
• Teclado preciso e boa tela;
• Certificação Playstation.

Contra:

• Câmera frontal de apenas 0.3 megapixel;
• Não acompanha cabo USB, fones ou manuais;
• Não grava em HD, não possui conexão HDMI;
• Pouca adaptação do sistema ao Brasil.

Design

É muito fácil reconhecer o Sony S entre outros tablets, uma vez que o design dele se diferencia bastante dos demais. Em vez da placa retangular reta, temos aqui um tablet que parece uma revista dobrada. E é esse mesmo o objetivo da Sony: com esse formato de revista dobrada, o peso maior do aparelho – que não é muito leve, pesa 600 gramas – fica na palma da mão, dando uma sensação de leveza quando você está segurando o tablet no formato de leitura.

Já na horizontal, o volume tem outra função: deitado na mesa, ele fica ligeiramente inclinado, facilitando a digitação e o uso. Não é uma cara muito normal, e algumas pessoas podem estranhar, mas que é uma ideia interessante, isso é.

Formato de cunha é um dos diferenciais do aparelho
Stella Dauer
Formato de cunha é um dos diferenciais do aparelho

A frente é dominada pela tela, e a traseira inclinada tem plástico prateado fosco e plástico brilhante texturizado na maioria do espaço. A textura ajuda a segurar o S nas mãos, e o aparelho tem também uma corda que lembra os consoles de mão como o Nintendo DS e o PSP. Tudo bem diferente.

Na parte traseira ficam a câmera e pés emborrachados para apoio na mesa. Na frente, além da tela, estão uma outra câmera e os sensores de luz.

No lado esquerdo fica a entrada para fones de ouvido, saída de som externo e uma tampa plástica que protege a conexão microUSB e a entrada para cartões de memória. No lado direito estão o botão de energia, botões de volume, reset e saída de som externo. Na parte de baixo fica a conexão para carga, que é proprietária da Sony, e em cima fica apenas um discreto microfone.

Tela

Sony geralmente é sinônimo de mídia, e para não perder esse posto, a empresa garante uma boa tela no Sony S. Ela possui 9,7 polegadas, é TFT capacitiva e possui resolução de 800 x 1280 pixels, com 16 milhões de cores. A resposta ao toque é muito precisa, e a tecnologia TruBlack traz pretos escuros e cores vibrantes para a tela, que mesmo não sendo AMOLED arrasa.

Hardware e processamento

Dentro do Sony S há um hardware sem surpresas, padrão para modelos assim. Há um processador NVIDIA Tegra 2 1 GHz Dual Core com 1 GB de RAM, acompanhado por conexões como Wi-Fi 802.11 b/g/n, DLNA, GPS, Bluetooth 2.1, USB e infravermelho. Não há modelo com 3G disponível no Brasil. Os sensores também são os mesmos: acelerômetro, giroscópio, bússola e de luminosidade.

O desempenho do S em jogos foi ótimo. Os jogos já disponíveis no hardware rodaram sem problemas, e títulos mais pesados como Blood and Glory, Frontline Commando e GTA 3 não apresentaram lags. A multitarefa só apresentou algum problema após mais de 15 aplicativos abertos ao mesmo tempo.

Sistema operacional e usabilidade

Uma boa vantagem do Sony S é seu sistema, Android já atualizado para a versão 4.0 Ice Cream Sandwich. Enquanto outras marcas ainda estão aprontando suas versões do ICS, a Sony já vende seu tablet com essa novidade. Em tablets ele é muito parecido com o Honeycomb, versão 3 do Android exclusiva para esses dispositivos.

Sony S roda o sistema Android 4.0
Stella Dauer
Sony S roda o sistema Android 4.0

O menu agora é representado por três pequenos pontos que podem aparecer em qualquer lugar de um aplicativo. Outra mudança está no menu de widgets, que agora fica junto aos aplicativos, e você navega por eles como se navegasse pelos apps.

E é possível organizar seus aplicativos dentro de pastas, no mesmo estilo de arrastar um app e soltar em cima de outro, já utilizado no iOS do iPhone. A pasta é redonda e não muito bonita, mas dá para dizer que é bem útil na home.

A Sony sempre dá seu toque pessoal e os ícones do sistema, assim como a interface em geral, possuem um ar escuro, elegante, sóbrio.

Já a área de aplicativos tem fundo branco, deixando mais fácil a tarefa de encontrar os apps, que podem ser mostrados em ordem alfabética ou pelos mais recentes.

Há suporte a Java e Flash, e o Sony Link permite a conexão do Sony S com outros produtos da empresa, para troca de arquivos, fotos, vídeos, etc.

Aplicativos

Em seus notebooks a Sony tem o costume de encher a memória de aplicativos, nem todos eles muito úteis. O mesmo acontece no Sony S. São muitos aplicativos pré instalados, e a falta de cuidado da filial brasileira fez com que alguns incompatíveis com o país fossem mantidos, como o leitor de eBooks. Outros, como o Music Unlimited, o Video Unlimited e o Personal Space também não funcionam no Brasil.

Há outras dezenas de aplicativos que a Sony inseriu no aparelho, alguns deles duplicados com o que o Android já oferece, como reprodutor de vídeo e de música, galeria de fotos e email. Aplicativos do Google também estão presentes, como Gmail, Gtalk, YouTube, Latitude, Google+, Chat em grupo, Mapas, Navegador GPS, Play Store, Street View e Pesquisa.

Outros que merecem menção são: um aplicativo que serve para controlar TVs, o PS Store oferece jogos exclusivos da Sony, o Social Feed Reader abriga atualizações dos amigos do Facebook e Twitter. O SelectApp leva a um site que oferece aplicativos exclusivos para a Sony, e também outras sugestões gerais, muitas delas otimizadas para o Sony S. O Transferência de Arquivos permite passar dados do SD para a memória interna e vice-versa. 

Playstation + Tablet = Jogos melhores

Um dos grandes diferenciais do Sony S está nos jogos. Dona de um dos três melhores consoles do mundo, a Sony viu brilhar a oportunidade de levar o Playstation aos portáteis multiuso. Primeiro veio o Sony Xperia Play, smartphone com pad especial para jogos. E agora as portas se abrem ainda mais para o Sony S e para o Sony P, outro tablet da marca, com duas telas e dobrável.

O Sony S é Playstation Certified, ou seja, é preparado para jogos da plataforma. Há uma loja especial, a PS Store, que já vende alguns jogos no Brasil para o tablet, por US$5,99 cada. E muito mais deve vir, com títulos que saem para o PS Vita (console de mão da Sony) chegando ainda esse ano. Outra função matadora é o suporte aos jogos da primeira geração da plataforma e aos jogos do PSP. Saudosistas vão ficar animados em jogar Crash Bandicoot e Pinball Heroes, títulos que fizeram sucesso alguns anos atrás.

Logicamente, a jogabilidade na tela não é nem de perto tão boa quanto um controle real nas mãos, mesmo com a Sony colocando todos os botões necessários na tela. E, por isso, há a função de USB host no aparelho, permitindo que sejam conectados controles do Playstation (DualShock3) ao S, mediante adaptador. Genial! Também é possível a conexão do controle via Bluetooth, para os modelos sem fio. Isso, realmente, coloca o Sony S em um patamar diferente dos demais tablets.

Câmera

A Sony tentou caprichar na câmera do S, e conseguiu. Aqui temos um sensor de 5 megapixels, com autofoco, estabilização de imagem e tecnologia Exmor R, sensor retro-iluminado que garante que mais luz seja emitida para as áreas de recepção, proporcionando maior sensibilidade, principalmente em comparação com os sensores que utilizam iluminação frontal.

Câmera traseira tem 5 megapixels
Stella Dauer
Câmera traseira tem 5 megapixels

Nos testes, a câmera se mostrou razoável. O sensor capta bem imagens com pouca luz, com ruídos bem suavizados na imagem. Em boa luz ela é melhor ainda.

Além do touch focus que permite usar o dedo na tela para a função, ela também tem detecção rostos e sorrisos e função panorama. Infelizmente não tem flash, mas o vídeo pode ser gravado em HD simples (720p).

O aplicativo para fotos da Sony é básico, embora seu visual seja cheio de frescuras. Há ajustes de cenas e de branco, geolocalização, tamanho da foto e outros recursos.

Há também uma câmera frontal VGA (0,3 megapixel), que foi muito mal no teste de luz. Em um ambiente razoavelmente iluminado, ela mostrou imagem muito escura. Serve apenas para conversar via vídeo em locais muito bem iluminados.

Música e mídia

Infelizmente, a Sony não manda fones de ouvido junto com o tablet, e por isso fica a cargo do usuário adquirir um de qualidade. Em nossos testes, o tablet apresentou som razoável externamente para músicas. Não é muito alto, mas o estéreo é bom. Com fones da redação, um som ótimo.

A tecnologia TruBlack para manter o preto bem escuro é boa, mas não se compara à da Nokia, em modelos como o N9 e o Lumia 800. Ainda assim, a tela é ótima para vídeos, reproduzindo conteúdo com qualidade. Não aceita vídeos em Full HD, já que nem tem conexão HDMI, mas as cores são intensas e a qualidade não é perdida. O som estéreo vindo das duas saídas de som compensa isso, já que é muito bom e garante realidade a jogos e filmes.

O infravermelho presente serve para a função de controle remoto, como já vimos estar presente entre os aplicativos. Universal, ele pode controlar diversas marcas de TVs e outros eletrônicos, inclusive projetores.

Bateria e armazenamento

Para aguentar essa alcunha de "tablet para jogar", foi necessária uma bateria guerreira. Além disso, a Sony também é conhecida pela qualidade de reprodução de mídia, então também teriam que segurar até 30 horas de música. O resultado é uma bateria competente. Entre stand-by e uso mínimo, ela chega a três dias sem recarga. Já no uso contínuo de internet, jogos e GPS, aguentou mais de 9 horas, um bom número.

Quanto ao armazenamento, mais novidades. O tablet está disponível com 32 GB no Brasil – embora haja também uma versão com 16 GB no exterior – e vem com entrada para cartões SD. Não o microSD, geralmente utilizado em tablets e smartphones, mas o cartão padrão, mesmo. Isso facilita para quem utiliza máquinas fotográficas ou quer reaproveitar cartões que já tem.

O que vem na caixa

Sony manda apenas o básico
Stella Dauer
Sony manda apenas o básico

Muquirana poderia ser um adjetivo bem aplicado ao caso da Sony e seu tablet.

Sem consumir mais do que um parágrafo, podemos dizer que dentro da caixa encontramos o tablet, uma alça de mão e o carregador – que, aliás, é enorme, parece ser de notebook.

A empresa poderia fornecer, ao menos, um cabo USB para conexão com o computador, ou fones de ouvido. Manuais também são úteis para algumas pessoas.

Para quem é

Quem procura um tablet bem diferente dos outros, mas ainda assim preza um sistema Android bem atualizado, pode considerar o Sony S. Quem sabe do potencial de um tablet para jogos, mas que odeia a tela de toque para certos títulos, vai amar esse modelo e a capacidade de conexão com controles do console Playstation. O preço não é dos mais convidativos, mas ele concorre tranquilamente com os melhores modelos do mercado.

Ficha técnica

Sony S SGPT112US/S

Preço: R$ 1.465
Configuração: tela de 9,4 polegadas e resolução de 800 x 1280 pixels, sistema Android 4.0.3 Ice Cream Sandwich, processador 1 GHz Dual Core Cortex-A9, armazenamento 32 GB internos + SD de até 32GB, câmera de 5 megapixels com flash, Wi-Fi 802.11 b/g/n, DLNA, GPS, Bluetooth 2.1, USB.
Dimensões: 24 x 17,4 x 1,2 cm
Peso: 600g
Autonomia de bateria: Até 72h em stand-by / Até 9h em uso
Itens inclusos: aparelho, carregador e alça de mão

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