Galaxy Note 10.1 é o tablet "faz tudo" da Samsung

Aparelho vem com caneta para desenhar e fazer anotações

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Por David Pogue

O assunto do momento nas rodinhas de advogados do Vale do Silício é a ação da Apple contra a Samsung. A Apple argumenta que a Samsung copiou produtos como iPhone e iPad em sua linha de celulares e tablets.

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É uma ação importante. Bilhões de dólares estão em jogo. E a ação já está tendo efeito. A Samsung está fazendo um esforço grande para evitar ser acusada de copiar a Apple.

Um exemplo disso é o novo Galaxy Note 10.1, da linha Samsung Galaxy , um rival do iPad que chegou aos Estados Unidos na semana passada. Seria legal se a Samsung não chamasse todos os seus produtos de Galaxy. Se você diz, “comprei um galaxy”, ninguém sabe se comprou um smartphone, um tablet ou uma lavadora de pratos.

Canetinha está de volta

A mensagem do aparelho é: “Ok, o iPad é muito legal pra consumir conteúdo, ler livros, ver vídeos, navegar na web. Mas nosso novo tablet também é bom para criar coisas, por uma razão simples: vem com uma caneta. Viu como somos diferentes da Apple?”.

Lançar um aparelho com caneta digital (stylus) hoje em dia parece ser uma decisão um pouco ultrapassada. O PalmPilot tinha caneta. O Apple Newton tinha caneta. Todos aqueles computadores/tablet horríveis com Windows tinham canetas. Quando o iPad saiu, dispensando a caneta, elas viraram relíquias de um passado distante.

Mas o primeiro Galaxy Note, um aparelho com um tamanho esquisito de 5 polegadas e caneta, vendeu muito bem, ao menos na Europa. A Samsung torce para que o fenômeno se repita com o aparelho maior, com tela de 10 polegadas.

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Nos Estados Unidos, o modelo básico com apenas Wi-Fi e 16 GB sai por US$ 500, o mesmo preço do iPad. O aparelho tem 2 GB de memória RAM, o dobro da encontrada no iPad.

O novo tablet é recheado de recursos. Câmeras frontal e traseira (1,9 megapixel e 5 megapixels, com flash LED). Entrada para cartão de memória (o iPad não tem isso). Um sensor infravermelho para controlar TVs. Alto-falantes estéreo com som bem melhor do que o alto-falante único do iPad.

Mesmo com todos esses recursos, o Note é um pouco mais fino (8,9 milímetros) e leve (589 gramas) do que o iPad.

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Traseira do Galaxy Note 10.1 é coberta por material plástico

Quando segurei o aparelho, percebi o motivo na hora. A carcaça é de plástico e parece frágil. O plástico da traseira é tão fino que dá pra senti-lo tocar nos circuitos traseiros do aparelho. A caneta de plástico é ainda mais frágil, parece aquelas que vêm em caixas de cereal.

A posição padrão do tablet parece ser a horizontal. É nessa posição que o logotipo da Samsung fica na posição correta, no alto da tela. E a entrada do carregador também fica num dos lados mais longos do aparelho. Mas, é claro, ele também pode ser usado em modo retrato.

Dois aplicativos na tela

Um dos recursos mais bacanas do Note é a capacidade de exibir dois aplicativos ao mesmo tempo na tela. Dá para manter uma página web ao lado de uma página de anotações e arrastar conteúdo de uma para a outra na tela. Isso serve também para vídeos e documentos de texto (escritos em um clone mais simples do Office, chamado Polaris Office).

Esse recurso é uma mudança importante. Deixa o tablet mais perto da flexibilidade (e complexidade) de um PC.

No momento, apenas seis aplicativos podem dividir a tela: e-mail, web, player de vídeo, bloco de notas, galeria de fotos e o Polaris Office. Esses são os aplicativos mais comuns, mas seria legal se fosse possível dividir a tela com qualquer aplicativo (segundo a Samsung, o calendário e outros aplicativos serão adicionados com o tempo).

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A Samsung também adicionou a opção de ativar aplicativos em janelas de tamanho reduzido na parte de baixo da tela. São widgets que mostram informações de calendário, músicas etc.

A caneta às vezes é útil em tarefas comuns, como tocar em botões ou teclas nas tela. Mas ela se sai bem realmente no S Note, um aplicativo especial criado para uso com a caneta. Nesse aplicativo você pode escrever notas com a caneta ou fazer desenhos simples, daqueles que costumamos fazer em guardanapos.

Em um dos modos do aplicativo, você pode desenhar à mão livre e perceber como o software ajeita seus garranchos em formas geométricas perfeitas. No outro modo, é possível escrever palavras. O Note converte as letras em texto editável. Há até um modo de fórmulas matemáticas para estudantes, que reconhece as formulas escritas e resolve as equações.

Caneta poderia ser mais útil

Esses recursos impressionam, mas não são muito úteis na prática. Pra começar, o reconhecimento de escrita é péssimo. Ele funciona em qualquer aplicativo, o que é bom. Mas o recurso frequentemente omite o espaço entre as palavras. Pior, não há uma forma fácil de editar o texto convertido, mesmo com a caneta na mão. Quando a caneta toca a tela, ela não ativa o cursor, mas apenas coloca um ponto no texto.

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Caneta do Galaxy Note 10.1 permite desenhar e fazer anotações

No momento, há apenas alguns sinais do potencial da caneta. O aparelho vem com o software Photoshop Touch, um editor de fotos bem confuso. Dá pra adicionar mensagens escritas com a caneta a e-mails, documentos do Polaris e compromissos de agenda.

Além disso, os designers de software da Samsung devem ter trabalhado em filmes de ficção científica. Os aplicativos são identificados por ícones bizarros e enigmáticos.

Nenhum ícone tem um texto explicativo (rótulo), e os logotipos são tão confusos que não ajudam em nada. Você adivinharia que, para habilitar o reconhecimento de escrita, precisa tocar em um ícone que mostra um círculo na frente de uma montanha?

Alguns dos ícones do aplicativo S Note chegam a mostrar um menu diferente cada vez que são ativados. Não estou brincando.

O Note carrega várias tecnologias conhecidas da Samsung. Dá para enviar fotos direto do tablet para algumas TVs da marca. Também dá para espelhar o tablet na TV por meio de um adaptador HDMI. Um recurso chamado “smart stay” usa a câmera frontal para saber se o usuário está olhando para o aparelho. Quando o olhar é desviado, o brilho da tela diminui para economizar bateria. Muito legal.

No fim, um tablet inconsistente

No todo, porém, o Note parece uma lista de compras mal ajambrada. Ele tem mais recursos do que qualquer outro tablet, mas esses recursos são reunidos num aparelho pouco coerente e às vezes confuso.

Claramente, a Samsung não tinha um Steve Jobs para vetar recursos. Aplicativos que não funcionam bem são misturados a outros muito bons. Recursos pouco úteis são misturados a outros extremamente importantes. Por que, além dos três botões principais do Android (Home, voltar e aplicativos abertos), agora há um para capturar telas? A Samsung acha que as pessoas capturam telas com a mesma frequência que usam o botão Home?

No geral, a Samsung vive um bom momento. Seus smartphones Galaxy são os principais rivais do iPhone. A empresa tem a coragem de apresentar designs inovadores, como acrescentar uma caneta a um tablet. A quantidade de acessórios para seus aparelho também vem aumentando.

Mas o Galaxy Note 10.1 mostra que a combinação de hardware mais poderoso com longa lista de recursos não leva, necessariamente, a um aparelho melhor. Em alguns momentos, a discrição é tão importante quanto o exibicionismo.

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