Kindle Fire HD traz avanços em relação ao modelo anterior, mas também alguns dos antigos problemas

NYT

Por David Pogue

Não sei exatatamente o que estão jogando na água dos bebedouros da Amazon, mas os executivos da empresa andam meio malucos.

Eles dizem que o novo tablet da empresa, o Kindle Fire HD, é “o melhor tablet, independentemente do preço” (nota da redação: o aparelho está disponível apenas nos Estados Unidos).

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Vejamos. O Kindle Fire HD não tem câmera para tirar fotos (traseira), não tem GPS nem reconhecimento de voz, nem aplicativos de agenda. Perde para o iPad em espessura, tamanho e resolução de tela, velocidade, qualidade de software e aplicativos. Não chega nem perto do iPad em termos de acessórios.

Agora, leia com atenção: o Kindle Fire HD não é uma decepção. Não é! Ou não será assim que a Amazon der os retoques finais no software.

Nos EUA, os preços são muito baixos. US$ 200 pelo aparelho de 7 polegadas, US$ 300 pelo de 8,9 polegadas, US$ 500 pelo de 8,9 polegadas com conexão 3G (que custa US$ 50 no primeiro ano e US$ 15 mensais depois disso). Os preços aumentam em US$ 15 se o usuário quiser remover os anúncios dos aparelhos.

Em todos os casos, o preço é menor do que o de rivais com hardware equivalente. E o Kindle Fire HD é melhor do que outros aparelhos com preço semelhante. O aparelho com 7 polegadas chega aos EUA no dia 24/9. Os outros modelos chegarão no fim de novembro.

As novidades

Os aparelhos da Amazon trazem alguns bons recursos. A meior novidade é a tela HD, bem melhores do que as telas da primeira geração de tablets da empresa.

Entretanto, apesar do nome HD, a tela não exibe filmes em alta resolução. Ela tem pixels para isso, mas boa parte deles é desperdiçada em faixas pretas, já que o formato da tela é diferente do usado em filmes. E não é possível aumentar o tamanho do vídeo para preencher toda a tela, como se faz no iPad.

Os novos Fire também têm saídas HDMI. Com o cabo adequado (vendido separadamente), é possível enviar áudio e vídeo com excelente qualidade para TVs. Funciona muito bem.

O som do Fire é excelente. O aparelho tem saídas de som estéreo e com qualidade bem melhor do que tablets similares com saída de áudio mono. A duração de bateria também é boa, mais de 8 horas, de acordo com a Consumer Reports. Quase todos os modelos vêm com 16 GB de memória, o dobro dos rivais Google Nexus 7 e Nook Tablet (apesar de o Nook Tablet vir com entrada para cartão de memória).

A Amazon consertou alguns dos problemas do software do primeiro Kindle Fire. A tela Home – uma espécie de carrossel com ícones dos conteúdos mais vistos recentemente – agora se move de forma mais natural e rápida. O toque dos dedos agora normalmente é registrado logo na primeira tentativa.

E ler revistas, algo antes complicado, agora é uma experiência gratificante. Na maior parte das revistas, dá para ativar o zoom para aumentar as letras ou tocar duas vezes na tela para deixar as revistas apenas com rolagem vertical (infelizmente, algumas revistas usam um sistema de navegação próprio e não respondem a alguns comandos).

Os Fires têm como principal característica a forte integração com o conteúdo da Amazon (livros, filmes, músicas etc.). Filmes e livros “se lembram” de onde você parou ao ler e, caso o usuário mude de aparelho, a leitura continua do ponto onde se parou.

Além disso, nos EUA, uma assinatura de um serviço da Amazon (o Prime, por US$ 79 ao ano) dá direito a um livro grátis por ano, 5 mil filmes de graça e envio de graça em compras no site.

Os filmes da Amazon não vêm com legendas. Alguns deles, porém, oferecem um recurso chamado X-Ray. Ele permite ver biografias de autores em ação durante o filme. De vez em quando é legal.

Os pontos fracos

Esses são alguns dos pontos positivos do Kindle Fire HD. Há, infelizmente, os negativos.

Por exemplo, a Amazon se gaba de ter incluído duas antenas Wi-Fi para melhorar a qualidade do sinal de redes sem fio.

Tudo bem. Mas a navegação no Kindle FIre HD ainda é mais lenta do que no iPad. Em meus testes, o tablet da Amazon demorou um segundo a mais (7 contra 6) para baixar os sites do NY Times e da ESPN. Essa lentidão se repetiu em outros sites, incluindo o da própria Amazon.

Há ainda uma câmera frontal, mas não há aplicativos para ela. Até que alguém crie um aplicativo, não dá pra tirar fotos ou gravar vídeo. Segundo a Amazon, o único aplicativo que usa a câmera no momento é o Skype.

O mais grave de todos. A Amazon precisa urgentemente resolver o problema dos aplicativos. O Fire HD ainda não tem aplicativos incluídos para anotações e alarme, entre outras funções básicas.

Segundo a Amazon, há mais de 30 mil aplicativos para o Kindle Fire. Mas eles não incluem muitos dos mais populares. Não achei, por exemplo, Dropbox, Flixter, Voxer, Google Search e outros.

Por último, há os bugs. Mais uma vez, a Amazon parece ter criado um produto ainda inacabado para as compras de fim de ano, e deixará uma atualização de software para depois.

Tudo é um pouco lento no Fire HD. Alguns aplicativos demoram sete ou oito segundos para abrir. O aplicativo do Gmail tem falhas. No Draw Something, a tela aparece de cabeça para baixo e não gira. Ao mudar de página em livros e revistas, o aparelho produz uma imagem borrada durante a transição.

Algumas tarefas exigem que o usuário cumpra muitos passos. Não dá para abrir a lista de favoritos a partir de uma página qualquer, mas apenas da tela inicial do navegador. Chegar ela exige quatro passos.

Uma novidade extremamente útil simplesmente não apareceu: contas individuais para crianças, com limites de tempo para cada atividade (filmes, jogos, leitura etc.). Só no mês que vem, diz a Amazon.

Um aparelho mediano

No geral, o tablet é elegante. Mas ele ainda traz algumas das esquisitices de hardware que acompanham a Amazon desde seu primeiro leitor de livros, o Kindle. Por exemplo, os pequenos botões de liga/desliga e volume são pretos como o corpo do aparelho. Eles não trazem nenhuma identificação e são embutidos no corpo, então são difíceis de se notar somente com o toque dos dedos. Se tiver que aumentar o volume, você terá que realmente olhar o aparelho, de preferência com uma lanterna.

Na semana passada, a Amazon também apresentou novas versões do seu tradicional leitor de livros Kindle, todas muito boas. O Kindle PaperWhite tem iluminação embutida, como o leitor da Barnes & Noble. O modelo da Amazon, porém, é mais elegante e barato (US$ 120, com anúncios). O Kindle basicão agora custa US$ 70, o menor preço da história do aparelho. O Kindle lançado no ano passado ainda pode ser comprado, por US$ 160 em uma versão melhorada.

E, claro, há outros tablets pequenos bem bacanas de empresas como Google, Samsung e, em breve, Apple (se os rumores estiverem corretos).

Mas o Kindle Fire HD é bom para ver filmes, shows de TV, livros e páginas web. O aparelho é bem integrados ao vasto acervo da Amazon e, acima de tudo, vale o que custa.

Mas, “o melhor tablet, independentemente do preço”?. Humm. Alguém deve dar uma olhada nos bebedouros da Amazon.

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