Com preço de R$ 999, aparelho da Asus tem bom processamento, mas pouco espaço para instalar aplicativos

Os mais jovens não devem se lembrar, mas havia um tempo em que as pessoas usavam o celular para falar, e não para ficar de bate-papo no Facebook ou no WhatsApp. Mas certos comportamentos mudam rapidamente e basta olhar no ônibus ou no metrô para perceber que há muito mais pessoas olhando para a tela do celular do que falando com alguém.

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É esse o raciocínio que levou a Asus a apostar no Fonepad, lançado no início do ano passado, e no seu sucesso, o Fonepad 7 (R$ 999), que acaba de chegar ao Brasil. Já que passamos a maior parte do tempo olhando para a tela, por que não ter um só aparelho com tela maior e que também funciona como celular quando necessário?

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O raciocínio faz sentido, mas há um problema. Se você realmente tiver que usar o tablet como celular, será difícil não parecer ridículo segurando um tijolo de mais de 300 gramas colado na bochecha. Há formas de evitar esse desconforto, usando fones de ouvido com microfone ou um fone sem fio Bluetooth. Mas isso implica em um gasto extra, além do fato de ter que encaixar os fones para atender ligações, algo que pode não ser muito prático em ônibus ou trens lotados. No fim das contas, o Fonepad 7 é uma opção interessante? Confira o teste.

A favor:

- Tem conexão 3G. 
- Tela de boa qualidade.
- Bom processamento para aplicativos mais pesados e games.

Contra:

- Pouquíssimo espaço para instalar aplicativos.
- Recurso de telefone tem apelo limitado.

Design

O Fonepad 7 não se destaca pelo visual. Ele segue a mesma proporção alongada de quase todos os tablets de seu tamanho. A maior diferença é que os alto-falantes ficam na parte da frente da tela, acima e abaixo dela. A maioria dos tablets têm alto-falantes na traseira ou na parte inferior.

Fonepad 7 tem traseira de material plástico com brilho
André Cardozo/iG
Fonepad 7 tem traseira de material plástico com brilho

Como o tablet também é usado como celular, dá pra entender o alto-falante na parte superior, já que ele também serve para que o usuário ouça o som da ligação quando está com o tablet enconstado na orelha.

Mas os alto-falantes na parte frontal trazem uma desvantagem. Quando você segura o tablet na horizontal, suas mãos acabam cobrindo boa parte dos alto-falantes. Até dá para contornar o problema mudando um pouco a posição das mãos ao segurar o aparelho, mas não é muito cômodo fazer isso. 

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Curiosamente, o acabamento traseiro de plástico do Fonepad 7 é inferior ao do Fonepad original, que tinha traseira de metal. A traseira do Fonepad 7 é de plástico preto com brilho uma discretíssima textura com pequenos pontos brilhantes. O efeito é bonito, mas a traseira é um ímã para impressões digitais e fica com muitas marcas de dedo logo nos primeiros minutos de uso. Muita gente não liga para isso, mas quem tem obsessão com superfícies sem marcas de dedo vai se incomodar. 

Configuração

Assim como seu antecessor, o Fonepad 7 é equipado com chip Atom, da Intel. O modelo usado aqui é o Atom Z2560 com dois núcleos e velocidade de 1,6 Ghz e o tablet traz ainda 1 GB de memória RAM. 

Fonepad 7 tem processador Intel Atom
André Cardozo/iG
Fonepad 7 tem processador Intel Atom

O aparelho foi bem nos benchmarks, com 18.080 pontos no AnTuTu, 5.813 pontos no Quadrant e 1.756 no Vellamo HTML. São bons valores para um tablet intermediário, superiores aos de outro tablet recente da Asus, o MemoPad HD7, e pouco abaixo dos obtidos pela versão 2013 do Nexus 7.

O iG também testou o aparelho com uma variedade e jogos, como Temple Run 2, Eternity Warriors 2 e Dead Trigger, além de aplicativos mais tradicionais como Facebook e Kindle . De modo geral o desempenho do tablet foi muito bom e houve apenas ligeiros engasgos em alguns jogos quando havia muitos objetos na tela.

É no item armazenamento que fica a maior falha do Fonepad 7. O aparelho tem 8 GB de memória, mas apenas 4 GB livres para instalar programas. É bem menos do que o Fonepad original, que tinha 16 GB de memória total. 

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O tablet tem entrada para cartão de memória. Mas esse espaço extra não pode ser usado para instalar aplicativos, já que o Android permite instalar apps apenas na memória do sistema. Por isso, o usuário terá que se contentar com apenas 4 GB para instalar programas, valor mais comum em tablets de R$ 400.

O problema é mais grave ainda quando levamos em conta que uma das razões para comprar um Fonepad 7 seria justamente se livrar do celular e usar todos os apps em um só aparelho. Outro ponto fraco do aparelho são os alto-falantes, que tem um som muito baixo.

Tela

A tela do Fonepad 7 tem a mesma resolução de 1.280 x 800 do Fonepad original. As medidas são de 15,2 cm por 9,5 cm, o que resulta na proporção 16:10,  ligeiramente mais alongada do que o formato widescreen convencional.

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De modo geral, a qualidade da tela é boa. Mesmo com o aparelho bastante inclinado é possível ver com clareza as imagens, graças em parte à tecnologia IPS. A fidelidade de cores também é boa. O nível de brilho não chega a ficar no mesmo nível de tablets topo de linha como o iPad Mini, mas é satisfatório.

Sistema e aplicativos

O Fonepad 7 testado pelo iG chegou com a versão 4.2.2 do Android, mas logo uma atualização deixou o aparelho com a versão 4.3. A Asus não costuma modificar muito o Android, e esse também é o caso aqui. A interface é limpa e sem transições 3D ou outras firulas encontradas em tablets de outros fabricantes.

De cara, a mudança mais aparente é a inclusão do botão para os miniapps, que fica no canto inferior esquerdo, ao lado dos três botões padrão do Android (Voltar, Home e aplicativos abertos).

Fonepad 7 roda versão 4.3 do Android
André Cardozo/iG
Fonepad 7 roda versão 4.3 do Android

Os miniapps são aplicativos abertos em uma janela menor e que ficam "por cima" dos aplicativos principais. Dessa forma dá para acessar vários aplicativos na mesma tela, sem ter que revezar entre eles.

Entre os aplicativos que podem ser executados como miniapps estão calculadora, player de áudio e vídeo e navegador. Esse tipo de recurso também está presente em produtos de outros fabricantes.

A Asus inclui poucos aplicativos além dos originais. Kindle, Flipboard e Facebook estão entre os poucos apps já instalados no Fonepad 7. Há ainda alguns aplicativos de serviços da Asus, mas nenhum realmente brilhante ou sem similar no mercado.

Bateria

Nos testes do iG , o aparelho aguentou 6 horas e 50 minutos com vídeo do padrão Full HD em tela cheia, com brilho no máximo e Wi-Fi ligado. É uma boa marca para um aparelho dessa categoria.

Conclusão

No fim das contas, o Fonepad 7 acaba sendo mais interessante justamente para o público a quem se destina, ou seja, pessoas que querem carregar um só aparelho e valorizam o tamanho da tela em vez das chamadas no celular. O problema é que os smartphones com telas na casa de cinco polegadas já cumprem bem esse papel para muita gente, com a vantagem de serem mais portáteis. 

Como tablet, o Fonepad 7 tem bom desempenho, mas a pouca memória para aplicativos diminui seu apelo, principalmente levando em conta que há opções com desempenho similar na casa de R$ 700, como o MemoPad HD7, da própria Asus, e alguns modelos da linha Galaxy, da Samsung. Assim, o Fonepad 7 pode achar seu público, mas não tem apelo para a maioria dos usuários.

Ficha técnica

Fonepad 7

Preço: R$ 999
Configuração:  tela de sete polegadas com resolução de 1.280 x 800, tecnologia IPS e densidade de 213 ppp; processador Intel Atom Z2560 com dois núcleos e 1,6 GHz, sistema Android 4.3, 1 GB de RAM, 8 GB de armazenamento (4 GB livres), entrada para cartões de memória microSD, entrada para cartão de celular Micro SIM, conexão 3G, Wi-Fi b/g/n, GPS, câmera dianteira de 1,2 MP, câmera traseira de 5 MP, porta microUSB.
Dimensões (cm): 19,6 x 12 x 1
Peso (g): 328

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