Base cilíndrica permite que tablet seja colocado de pé em mesas sem auxílio de capas

Reza a lenda que o significado da expressão "Ovo de Colombo", usada para designar um problema aparentemente difícil, mas de fácil resolução, remonta ao navegador Cristóvão Colombo. Ele teria desafiado um grupo de pessoas a colocar um ovo de pé. Após todos terem falhado, ele quebrou uma pequena parte da base do ovo e, então, colocou-o de pé.

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Não se sabe ao certo se a história é verdadeira. Mas, com o Yoga Tablet, a Lenovo pode se orgulhar de ter criado o "Tablet de Colombo". Diferentemente de todos os seus rivais, o Yoga Tablet 10 fica de pé sem auxílio de capas ou outros acessórios. A base cilíndrica que faz com que isso seja possível é o grande diferencial do produto, que de resto é razoável. Confira o teste.

A favor:

- Design versátil e inovador;
- Bateria com boa duração;
- Bom custo/benefício.

Contra:

- Tela tem baixa resolução para seu tamanho;
- Software tem aspecto antiquado e falhas de tradução.

Design

O grande diferencial do Yoga Tablet em relação a seus concorrentes é sem dúvida o design. Em uma das laterais, o aparelho tem um cilindro metálico que engloba diferentes funções. Para começar, o cilindro abriga uma bateria de 9.000 mAh, de maior capacidade do que a encontrada em outros tablets. Além disso, há dois alto-falantes, muito úteis para ver filmes.

O cilindro serve também como base de apoio para o tablet, permitindo apoiar o aparelho sobre a mesa de duas formas diferentes. Na primeira forma, o tablet é apoiado sobre a mesa como um porta-retratos. É o modo ideal para ver filmes.

Base cilíndrica facilita digitação no tablet
André Cardozo/iG
Base cilíndrica facilita digitação no tablet

O segundo modo permite que o tablet seja apoiado na horizontal, mas com um apoio que o deixa inclinado. É um modo prático para escrever textos no tablet, pois facilita o apoio das mãos.

Outros tablets com o formato padrão necessitam de capas vendidas a parte (e muitas vezes com preço salgado) para serem apoiados sobre mesas. Além de tudo isso, o cilindro na lateral ainda serve como bom apoio para segurar o tablet com uma só mão. 

O design do Yoga Tablet é sem dúvida uma grande sacada da Lenovo e mostra uma evolução interessante no já manjado formato retangular dos tablets em geral. Há apenas um ponto negativo, o peso. O cilindro adiciona alguns gramas ao produto e o peso de mais de 600 gramas é superior aos de seus concorrentes, que ficam na casa de 450 gramas. Entretanto, como tablets de 10 polegadas costumam ser usados com algum apoio (colo, perna ou mesa), a diferença de peso pode não ser relevante na maioria das ocasiões. 

Configuração

O visual do Yoga Tablet 10 certamente passa a sensação de um produto topo de linha. Mas a configuração do aparelho é apenas intermediária. Por um lado, isso é bom pois ajuda no preço. Por outro, pode decepcionar um pouco quem se deixar levar somente pelo visual.

O tablet da Lenovo tem processador MediaTek quad core de 1,2 GHz e 1 GB de RAM, uma combinação mediana. Nos benchmarks executados pelo iG , o aparelho teve números similares ao Galaxy S3 (celular lançado pela Samsung há dois anos) e inferior ao Moto G, smartphone intermediário lançado pela Motorola no ano passado. Foram 14.700 pontos no AnTuTu, 8.280 no Quadrant, 1.439 no Vellamo HTML5, 578 no Vellamo Metal e 1.160 pontos no Vellamo Multicore.

Yoga Tablet 10 tem 16 GB de armazenamento
André Cardozo/iG
Yoga Tablet 10 tem 16 GB de armazenamento

O Yoga Tablet 10 pode não ser o campeão nos benchmarks, mas no uso comum a configuração deu conta do recado. O iG testou o aparelho com alguns jogos pesados, como Dead Trigger 2, Iron Man 3, Lawless e Thor: O Mundo Sombrio.

Todos eles rodaram bem. Houve alguns leves engasgos em situações com muitos objetos na tela, principalmente no jogo Thor, mas nada que realmente atrapalhasse os jogos.

Outro diferencial interessante proporcionado pela base cilíndrica é o par de alto-falantes frontais com tecnologia Dolby. O iG testou esse recurso com alguns filmes e arquivos de música. O áudio frontal tem bom volume e nitidez, sendo ideal para ver filmes e demonstrar vídeos corporativos em salas de reunião.

O tablet da Lenovo tem ainda 16 GB de memória (12 GB livres) e entrada para cartão, o que permite expandir facilmente o armazenamento.

Tela

Aqui está um ponto fraco do Yoga Tablet 10. A tela de 10,1 polegadas do aparelho tem resolução HD (1.280 x 800), muito baixa para seu tamanho, e densidade de pixels de 160 ppp. Para efeito de comparação, tablets mais sofisticados com telas de tamanho semelhante costumam ter telas com resolução Full HD e densidades de 250 ppp ou mais.

O resultado prático da baixa resolução da tela é visível em ícones gigantes e textos ligeiramente borrados em alguns apps. O problema da baixa resolução não é um fator que tire completamente o atrativo do tablet. Também é verdade que, ao usar uma tela de menor qualidade, a Lenovo reduziu o custo do tablet.

Nos Estados Unidos a empresa vende o Yoga Tablet 10 HD+, com tela Full HD, mas essa versão não é vendida no Brasil. Assim, quem comprar o Yoga Tablet 10 empolgado pelo design sofisticado pode se decepcionar ao ligar a tela, que também não tem um brilho muito forte.

Sistema e aplicativos

Tela de aplicativos do Yoga Tablet 10
Reprodução
Tela de aplicativos do Yoga Tablet 10


O Yoga Tablet 10 testado pelo iG saiu da caixa com Android 4.2, mas foi atualizado para a versão KitKat (4.4.2) assim que se conectou à internet. A Lenovo alterou vários aspectos do Android "puro", e o resultado é desigual.

Por um lado, há algumas alterações discretas, mas muito úteis, como a informação do tempo restante da bateria logo na barra de notificações. Outro bom exemplo é uma configuração que permite ligar e desligar o tablet em horários programados, o que ajuda a poupar bateria.

O aspecto visual, no entanto, deixa a desejar. Os ícones arredondados, com relevo e estilo um pouco infantil dão à interface um aspecto antigo. Isso é evidente principalmente quando comparamos com interfaces com convenções mais modernas de design, como o iOS 7, o novo Android L (a ser lançado em breve) e a interface usada pela LG no G3. Essa, porém, é uma questão que pode não incomodar a maioria dos usuários. Além disso, no Android é fácil mudar o visual do sistema por meio de aplicativos.

Falha de tradução no software do Yoga Tablet 10
Reprodução
Falha de tradução no software do Yoga Tablet 10

Alguns pequenos erros de tradução podem incomodar os usuários mais exigentes. É possível encontrar o termo ecrã (usando em Portugal) em algumas opções.

Pior, na janela que mostra o download de apps, a palavra "left" que pode ser traduzida como "restando", foi erroneamente traduzida por "esquerda" (também left, em inglês). Assim, ao baixarmos algum app, vemos mensagens do tipo "10 minutos esquerda". Lamentável.

Bateria

Esse é outro diferencial do Yoga Tablet 10 em relação à concorrência. Além de servir como apoio, a base cilíndrica do aparelho tem uma bateria de 9.000 mAh, com maior capacidade do que as baterias de 6.000 mAh de tablet com telas semelhantes.

Nos teste intensivo realizado pelo iG a bateria foi bem, mas não excepcional. Rodando um vídeo em tela cheia com Wi-Fi ligado e brilho no máximo ela durou 8 horas, mais do que as 7 horas do Xperia Z2, mas menos do que as 10 horas do iPad Air. Entretanto, no teste da "vida real", com uso moderado de jogos, vídeos e apps ao longo do dia, ela durou 3 dias, um excelente valor. 

Conclusão

Em um mercado inundado por tablets de 7 polegadas, quem quer um aparelho maior sem gastar muito dinheiro tem poucas alternativas. Nesse contexto, o Yoga Tablet 10 é uma opção interessante, por aliar design versátil e bateria de longa duração a um preço mais acessível. 

Com preço médio de R$ 1.200, o Yoga Tablet 10 não concorre com tablets mais sofisticados, como o Xperia Z2, iPad Air e Galaxy Tab S. Seu maior concorrente direto acaba sendo o Galaxy Tab 4 10.1, com mesmo tamanho de tela e configuração semelhante. O tablet da Samsung pode ser encontrado por cerca de R$ 950, mas não tem o design diferenciado do Yoga Tablet.

Dessa forma, o Yoga Tablet 10 é uma opção interessante para quem quer um tablet versátil e de boa bateria e não exige a melhor tela ou o melhor software do mercado. Mas, se você não se importa em ter uma tela menor, os mesmos R$ 1.200 podem ser usados para comprar um tablet um pouco menor, mas com configuração mais robusta.

Ficha técnica

Lenovo Yoga Tablet 10

Preço médio: R$ 1.200
Configuração: tela de 10,1 polegadas com resolução de 1.280 x 800 e densidade de 160 ppp, processador MediaTek quad core de 1,2 GHz, 1 GB de RAM, 16 GB de armazenamento (12,5 GB livres + entrada para cartão de memória), Android KitKat 4.4, bateria de 9.000 mAh, câmera traseira de 5 MP e frontal de 1,6 MP, Bluetooth, Wi-Fi b/g/n.
Dimensões (cm): 26 x 18 x 0,5
Peso (g): 605 

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