Aparelho traz avanços em tela, bateria, câmera e internet, mas não apresenta nenhum recurso revolucionário

Por David Pogue

O novo iPad começa a chegar às lojas de dez países hoje. Se você está em um desses países, certifique-se de pedir pelo nome: iPad .

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Se você pedir pelo iPad 3, os funcionários da Apple vão dar risada. O modelo do ano passado era chamado de iPad 2 , mas esse terceiro modelo se chama simplesmente iPad (porque não continuar com os números? “Seria muito previsível”, diz Phil Schiller, executivo de marketing da Apple).

Novo iPad traz avanços em câmera, bateria e tela
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Novo iPad traz avanços em câmera, bateria e tela

Na verdade, o novo iPad deveria se chamar iPad 2S. No passado, a Apple adicionou a letra S para novos modelos de iPhone que não eram exatamente novos, mas tinham avanços consideráveis (iPhone 3GS, iPhone 4S ).

É exatamente isso que ocorre com o novo iPad. As novidades deixam o aparelho novamente no topo do mercado de tablets, um pouco à frente de seus rivais com Android, mas o aparelho não explora novas possibilidades de uso.

Tela

A maior novidade é o que a Apple chama de Retina Display. Como a tela do iPhone 4S, é uma tela extremamente nítida. Tem quatro vezes o grau de nitidez da tela do iPad 2. Na verdade, é a tela mais nítida de qualquer aparelho móvel. Essa tela tem 3,1 milhões de pixels, 1 milhão a mais do que uma TV com resolução Full HD (pelo menos é isso que diz a Apple, parei de contar os pixels após três dias).

Em tese, essa avalanche de pixels quer dizer que fotos, vídeos, mapas e textos são exibidos de forma detalhadíssima. E, nos aplicativos que já foram atualizados para a nova tela, isso realmente acontece. Os aplicativos da própria Apple, como Photos, Maps e iBooks, são incrivelmente detalhados.

Isso se repete nos outros aplicativos pagos da Apple, iMovie, GarageBand, Numbers e Pages. E o novo aplicativo iPhoto é sensacional.

Mas os aplicativos que não foram recodificados não aproveitam os recursos da tela. Em boa parte dos aplicativos o texto é automaticamente reajustado para a nova resolução, mas isso não acontece em todos eles. Depois de ler um texto incrivelmente nítido em aplicativos como Mail e Safari, dá um certo desânimo ler texto com fontes convencionais, como no aplicativo do Kindle (a Amazon está criando uma versão otimizada para a nova tela).

iPhoto é um dos programas que aproveita a nova tela do iPad
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iPhoto é um dos programas que aproveita a nova tela do iPad

De modo similar, vídeos em alta resolução são mostrados com incrível grau de detalhe. O novo iPad é o primeiro tablet que consegue mostrar vídeos em resolução de 1.080p. Mas os vídeos da Netflix, por exemplo, ainda não chegam ao iPad nesta resolução.

Há ainda um preço a pagar pela nitidez da tela: armazenamento. Testes realizados pela Macworld.com revelam que os aplicativos otimizados para a tela Retina consomem entre duas e três vezes mais memória. Para atualizar seus aplicativos para a nova tela, os desenvolvedores têm que aumentar a resolução dos gráficos, o que exige arquivos maiores.

Pior, cada aplicativo normalmente tem uma versão única para todos os iPads. Por isso, aplicativos recriados para a tela Retina vão ocupar mais espaço também em iPads antigos, sem a nova tela. Ou seja, nesses casos, o aumento de tamanho dos aplicativos não trará nenhum benefício.

Redes 4G

O aumento da resolução não é a única novidade que chama a atenção. Outra grande mudança é o suporte a redes 4G do padrão LTE. O novo iPad pode navegar em alta velocidade em lugares onde há redes 4G disponíveis ( nota do editor: não há previsão para a chegada de redes 4G ao Brasil ). Usando meu iPad nas cidades de San Francisco, Boston e Nova York, consegui velocidades de download entre 6 Mbps e 29 Mbps.

O suporte a redes 4G consome muita bateria. Mas a Apple queria que a vida útil da bateria do novo iPad fosse pelo menos igual à do modelo anterior, entre nove e dez horas de uso contínuo. Em meus testes, a duração foi de cerca de nove horas.

Para conseguir essa duração, a Apple adotou três medidas. A primeira foi criar ou adaptar componentes que usam menos energia (Bluetooth 4.0, por exemplo). A segunda foi criar uma série de truques de software e circuito.

A terceira foi incluir uma bateria maior. O novo iPad é 1 milímetro mais espesso, e 50 gramas mais pesado. É uma diferença pequena, mas será notada por quem usou bastante o iPad 2.

O suporte a redes 4G pode ser desabilitado nas configurações do iPad, o que melhora a duração da bateria.

Então, o que mais há de novo? Uma câmera de 5 megapixels que tira fotos muito melhores do que a do iPad 2 (o que não quer dizer muita coisa). A câmera também filma em resolução Full HD (1.080p) e tem um estabilizador para evitar fotos tremidas.

Recursos de voz

Um ícone de microfone foi incluído no teclado virtual do iPad. Um toque nele permite que você use a voz para ditar e-mails, anotações e outros textos para o iPad.

Ícone de microfone ativa reconhecimento de voz do novo iPad
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Ícone de microfone ativa reconhecimento de voz do novo iPad
Para muita gente, esse é um avanço considerável. Digitar numa tela de vidro nunca foi muito agradável.

O reconhecimento de voz é rápido e preciso, pelo menos quando há uma boa conexão de internet (a transcrição da voz para texto na verdade é feita remotamente, em servidores da Apple, e enviada para o iPad).

Mas, estranhamente, o recurso de ditar mensagens é apenas uma parte do Siri, o assistente digital do iPhone 4S.

O novo iPad não suporta outros recursos do Siri, como configuração de alarme, envio de mensagens de texto e respostas sobre tópicos diversos, como clima. A falta do Siri completo no iPad me parece mais uma decisão de marketing do que uma limitação técnica.

Conclusão

O mundo mudou desde que o iPad 2 chegou ao mercado. Tablets menores e menos poderosos, como o Kindle Fire e o Nook Tablet, custam apenas US$ 200 (provavelmente é por isso que a Apple baixou o preço do iPad 2 para US$ 400).

Dúzias de concorrentes do iPad apareceram e, em alguns casos, desapareceram (um minuto de silêncio pelo TouchPad e pelo agonizante Playbook ? Não.).

Mas os rivais que sobraram vendem muito pouco comparados ao iPad, e isso não deve mudar agora.

O novo iPad não apresenta nada que não tenhamos visto antes no iPhone ou em tablets rivais. Não há um momento “one more thing” de Steve Jobs. A Apple simplesmente pegou o excelente iPad 2 e aprimorou o aparelho nos quesitos tela, bateria e redes de celular (4G).

Se você quer comprar um tablet, aqui vai o lado bom: pelo mesmo preço de antes, você pode comprar um iPad melhor do que todos os seus rivais.

E, se você tem o iPad 2, há uma coisa melhor ainda: pelo menos dessa vez você não vai ficar tão atrasado.

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