Novos termos de uso permitem cruzamento de informações coletadas por diversos serviços. Saiba como impor limites

Os novos termos de uso dos serviços do Google entraram em vigor na última quinta-feira (1). O novo documento unifica as regras pelas quais o Google trata as informações pessoas e de navegação, fornecidas pelos internautas quando se cadastram em algum serviço do Google, como Gmail, YouTube, Google Docs, entre outros.

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As principais mudanças dizem respeito a como o Google tratará as contas dos usuários, únicas para acessar todos os serviços. Com termos de uso únicos para todos os serviços, a empresa poderá combinar dados fornecidos pelos mesmos usuários em serviços distintos. “Com a nova política estamos deixando claro que podemos cruzar alguns dados”, diz Félix Ximenes, diretor de comunicação e assuntos públicos do Google no Brasil. “A tendência é que a experiência de uso da internet se torne cada vez mais pessoal.”

Por meio do cruzamento dos dados, o Google poderá oferecer serviços cada vez mais personalizados para os usuários, porém os dados também serão usados para direcionar os anúncios de publicidade exibidos pela empresa em todos os seus serviços. “Nós já temos essas informações e as usamos para direcionar anúncios, mas nunca venderemos os dados coletados para terceiros”, garante Ximenes.

Google Dashboard permite controlar privacidade de dados nos serviços usados pelo internauta
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Google Dashboard permite controlar privacidade de dados nos serviços usados pelo internauta
Sem escolha

Ao continuar usando os serviços após 1º de março, os internautas aceitam automaticamente os novos termos de uso. Como os termos de uso são únicos para todos os serviços oferecidos pela empresa, não é possível concordar apenas com parte das mudanças.

Ainda assim, o usuário pode limitar a coleta de informações pelo Google, por meio dos controles de privacidade, disponíveis por meio do Google Dashboard .

Ao fazer login na página, o internauta tem acesso a um painel onde pode ver informações sobre todos os serviços do Google que usa. A partir desta página, é possível acessar links para gerenciar a privacidade dos dados coletados pelo Google na maioria dos serviços. Entre as funções disponíveis, o usuário pode controlar, por exemplo, se o Google armazena conversas de bate-papo no Google Talk ou dados de localização por meio do Google Latitude.

Usuários de vários serviços do Google têm uma lista grande de controles de privacidade para verificar, mas o esforço vale a pena para saber quais informações pessoais a empresa pode armazenar. “Queremos que os usuários tenham noção de que estão expostos na internet, mas podem controlar esta exposição”, diz Ximenes.

Outras alternativas

Contudo, os controles de privacidade oferecidos pelo Google podem não ser suficientes para aqueles que discordam dos novos termos de uso do Google. Neste caso, há outras alternativas. Confira algumas dicas abaixo:

Google History permite bloquear armazenamento de atividades na busca
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Google History permite bloquear armazenamento de atividades na busca
Privacidade na busca
Para controlar o armazenamento de dados como termos de busca e histórico de sites acessados é preciso acessar outro site, o Google History . Lá, o usuário verá uma lista de todos os termos de busca e páginas acessadas na busca do Google quando o usuário está conectado.

Para impedir que as atividades sejam registradas, basta pressionar o botão azul “Pausar”, no topo da página, ou "Remover todo o histórico da web".

Ainda assim a atividade do usuário nos serviços do Google será monitorada anonimamente por meio de cookies, arquivos instalados pelos sites no navegador. Para impedir que isso aconteça, o usuário pode acionar a opção “Do not track” que impede a instalação desses arquivos. O recurso está disponível no navegador Mozilla Firefox, no Internet Explorer e no Safari. O Google Chrome deve ganhar o recurso nos próximos meses.

Uma identidade para cada serviço
Uma alternativa mais trabalhosa para continuar mantendo os dados segregados, apesar da nova política, é criar uma conta para cada serviço – uma para o Gmail, outra para o YouTube e assim por diante.

O problema é gerenciar diversos e-mails usados em cada um dos cadastros e evitar acessar um serviço enquanto está conectado em uma conta diferente da determinada para visitar aquele site.

Adeus anúncios personalizados
O Google mantém uma página de preferências de anúncios , onde o internauta pode desabilitar a personalização dos anúncios. Ao fazer isso, o usuário deixará de ver anúncios personalizados de acordo com os dados coletados pelo Google.

A opção, no entanto, só vale na máquina em que o usuário estiver conectado naquele momento. É preciso repetir a ação em todos os computadores usados para acessar a web. Vale lembrar que o recurso não impede o Google de mostrar publicidade, mas os anúncios se tornarão menos personalizados.

Google Takeout exporta dados armazenados em formatos compatíveis com outros serviços
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Google Takeout exporta dados armazenados em formatos compatíveis com outros serviços
Exporte seus dados para outros serviços
Se depois de seguir todos os passos, o internauta ainda estiver insatisfeito com os novos termos de uso, sempre é possível migrar os dados para outros serviços.

O Google criou o Data Liberation Front, um projeto que facilita a retirada de dados armazenados nos serviços da empresa. “Os dados pertencem ao usuário, não ao Google”, diz Ximenes.

Para exportar os dados pessoais armazenados pelo Google, basta acessar a página do Google Takeout . Atualmente, o recurso suporta os serviços Google Buzz, contatos do Gmail, círculos, perfil e stream do Google+, Google Docs, álbuns web do Picasa e Google Voice.

É possível selecionar os serviços antes de baixar os arquivos, que podem ser gerados em formatos populares como CSV, HTML ou PDF. O arquivo com os dados é criado na hora – dependendo da quantidade de informações armazenadas pode demorar, mas o serviço avisa o usuário por e-mail quando o arquivo estiver disponível.

Vale lembrar que é preciso verificar qual o formato de arquivo suportado pelo novo serviço que o internauta pretende aderir, antes de criar o arquivo no Google Takeout. Depois de gerar o arquivo, basta importá-lo por meio do novo serviço escolhido.

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