Região abriga 60% da população mundial

BANGALORE/HONG KONG - Os investidores da Apple têm uma resposta curta para aqueles que imaginam se a gigante da eletrônica conseguirá manter seu ímpeto fenomenal nos próximos anos: Ásia. A fabricante de produtos de sucesso como iPhone, iPad e iPod mal arranhou a superfície na região, que abriga cerca de 60% da população mundial - fato a que a Apple mesma aludiu ao anunciar resultados notáveis nesta semana.

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Os números da Apple, que incluíam alta de 70% na receita para o trimestre terminado em dezembro e uma duplicação nos lucros, na verdade excluíam as vendas de seu mais novo e quente produto, o iPhone 4S, em seu maior mercado potencial, a China.

Chineses ficaram enfurecidos ao saberem da suspensão das vendas do iPhone 4S
Reuters
Chineses ficaram enfurecidos ao saberem da suspensão das vendas do iPhone 4S
O mais novo iPhone só chegou oficialmente à China neste mês, e houve tumultos porque a procura imediatamente se provou superior à oferta. Compradores que não encontraram aparelhos lançaram ovos contra uma das lojas da Apple em Pequim.

E, à sombra da China, outros mercados asiáticos virtualmente inexplorados, como o da Índia e Indonésia, ainda não foram conquistados; juntos, eles abrigam 1,4 bilhão de pessoas. "Quero um iPhone por motivo de estilo de vida. É o celular da moda", disse Dylan, 19, que trabalha em uma loja de moda, a The Goods Dept, no centro de Jacarta.

Usando um corte moderno de cabelo, uma gargantilha com um pendente vistoso, jeans e óculos Ray Ban clássicos, ele é um exemplo típico dos consumidores preocupados com o estilo, no mundo inteiro, para quem os esguios aparelhos da Apple são tanto acessórios de moda essenciais quanto aparelhos eletrônicos úteis.

Mas Dylan, e outros milhões de consumidores asiáticos esperançosos, de Jacarta a Xangai e Mumbai, têm um problema: os produtos que desejam estão além de seu alcance. Ao preço de cerca de US$ 830, mesmo o iPhone 4, o modelo precedente, custa duas vezes o salário mensal de um jovem operador de câmbio em Jacarta.

Esse simples fato -a acessibilidade de preços na Ásia emergente- servirá para testar a fé na capacidade da Apple para manter seu crescimento tórrido de vendas sem que precise ingressar em uma nova categoria de produtos, como os televisores.

Ainda que as ações da companhia continuem a subir, seu múltiplo caiu: negociadas a 30 vezes seu lucro futuro alguns anos atrás, elas agora têm múltiplo de 15 vezes. Enquanto a Apple espera que a renda na Ásia cresça, há o risco de que concorrentes espertos, especialmente a Samsung, pode avançar neste mercado com produtos mais baratos e com apelo semelhante.

Mas, apesar de sinais de que a Ásia não é um fruta madura para a Apple colher, alguns analistas do setor estão confiantes de que o apelo coletivo da região sobre o iPhone será satisfeito, e os que os lucros da Apple vão crescer também.

Por Harichandan Arakali e Farah Master

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