Chris Hoffman acusou empresas de obter lucro com violação da privacidade de usuários

Durante sua palestra na Campus Party , Chris Hoffman, diretor de engenharia e projetos especiais da Fundação Mozilla (responsável pelo navegador Firefox), criticou duramente empresas como Apple, Facebook e Google que, segundo ele, “querem ganhar cada vez mais dinheiro com o uso das informações pessoais dos usuários”. Um dos exemplo que ele citou é o iCloud, serviço de backup em nuvem da Apple. “Depois que entra no iCloud, o usuário só pode acessar suas informações a partir de dispositivos da Apple. Essa não é a web que queremos”, diz Hoffman.

Mais sobre a Campus Party:
SoundCloud quer virar plataforma como Facebook
Galeria: Os computadores mais bacanas da feira

Uma das críticas mais duras foi contra Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, que Hoffman colocou em um grupo que chama de “CEOs celebridades”. Segundo o diretor da Mozilla Foundation, eles querem que os usuários aceitem seus termos de uso de dados sem questionar as cláusulas, o que pode ter grandes impactos na privacidade de dados no futuro. “Não desistam da ansiedade pela privacidade. Temos que cobrar o direito de proteger nossos dados na web”, disse Hoffman.

Hoffman: a favor da privacidade na internet
iG São Paulo
Hoffman: a favor da privacidade na internet
Segundo Hoffman, a Mozilla se preocupa em dar recursos para os usuários do Firefox para controlar melhor sua privacidade na web. Ele citou, por exemplo, o recurso de sincronização de dados do usuário na nuvem, chamado Firefox Sync, já usado por mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ao adotar o Sync, o navegador criptografa o histórico de navegação, complementos e preferências do usuário e envia um pacote para um servidor da Mozilla. Ao iniciar o navegador a partir de outro dispositivo, o usuário pode baixar os dados para personalizar o navegador. “Enquanto está conosco, o arquivo está protegido, então não podemos olhar”, diz Hoffman.

Concorrência com Chrome

Apesar de recentemente ter perdido participação de mercado para o Google Chrome, o navegador Mozilla Firefox reúne 450 milhões de usuários em todo o mundo, sendo 7 milhões apenas no Brasil, de acordo com Hoffman. “Apesar de perdermos mercado para o Chrome, continuamos crescendo em número de usuários”, disse Hoffman, ao iG .

Hoffman foi o primeiro funcionário contratado pela Mozilla Foundation e participou do desenvolvimento do Firefox 1.0, 2003. O navegador foi a primeira ameaça significativa ao Internet Explorer, da Microsoft, que dominava quase a totalidade do mercado na época. “Depois do lançamento da primeira versão, o Firefox já tinha quase a mesma quantidade de usuários do navegador Netscape antes do surgimento do Internet Explorer”, diz Hoffman.

Apesar da explosão dos aplicativos, que permitem acessar conteúdo da internet sem possibilidade de navegação, Hoffman acredita que os navegadores perdurarão no futuro. “Os aplicativos são ótimos em atender interesses específicos dos usuários em conteúdo que está na web, mas os navegadores continuarão sendo importantes para navegar sem um propósito definido”, diz Hoffman.

A Mozilla Foundation, segundo Hoffman, também não está preocupada com a perda de participação de mercado para o Chrome. “Não queremos mais dinheiro, estamos preocupados em oferecer o melhor navegador para os nossos usuários”, diz Hoffman. De acordo com ele, ser ultrapassados pelo Chrome em participação era algo esperado, em vista dos investimentos do Google em marketing. “Nós não temos dinheiro para fazer marketing do Firefox. As pessoas começam a usar porque ele é recomendado por amigos e parentes”, diz o diretor.

De acordo com a NetApplications, que monitora o uso de navegadores em todo o mundo, atualmente o Internet Explorer lidera o mercado de navegadores com 53% do total, seguido pelo Firefox, com 21%, e Google Chrome, com 19%.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.