Montadoras apostam em integração com a internet e serviços ativados por voz

Embora não sejam empresas de tecnologia, montadoras de automóveis como Ford, Kia e Mercedes-Benz marcaram presença durante a CES 2012, maior feira de tecnologia do mundo que terminou na última sexta-feira (13/01) em Las Vegas. O destaque dos estandes das montadoras é a integração dos gadgets do usuário, como smartphone e tablet, com sistemas inteligentes embarcados nos carros. Estes sistemas  permitem que o motorista faça ligações, atualize seu status no Facebook e acione o tocador do MP3 do aparelho, tudo com o uso da voz.

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“Com o sistema de reconhecimento de voz, nosso sistema entende o comando que o usuário diz e o executa, sem que o motorista precise olhar para o aparelho”, explicou Jennifer Brace, engenheira de interface do usuário da Ford. A empresa exibiu na feira diversos carros com a tecnologia Sync, que permite sincronizar o smartphone com o sistema automotivo por meio de Bluetooth, e com a interface MyFord, com reconhecimento de voz desenvolvido pela Nuance, a mesma empresa que desenvolveu o aplicativo Siri, do iPhone 4S.

Aplicativo da Kia mostra localização do veículo com recursos de realidade aumentada
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Aplicativo da Kia mostra localização do veículo com recursos de realidade aumentada

Nos carros da Kia expostos no evento, promotores demonstram o novo sistema de interatividade com recursos chamados de eServices. Para usá-los, o dono do carro precisa baixar um aplicativo para iPhone ou Android. Entre as funções disponíveis, o usuário pode marcar a localização geográfica de onde o carro está estacionado e, ao voltar, será possível encontrá-lo mais facilmente. “O aplicativo usa realidade aumentada e coloca um ícone na direção em que o carro está. É muito mais simples achar olhando para o mundo real”, explica um dos promotores da Kia.

“Infotenimento”

Oferecer informações por meio da integração do smartphone com aplicativos é, segundo os fabricantes, uma tendência conhecida como “infotenimento”. Segundo estudo da empresa, todos os americanos, juntos passam 500 milhões de horas dentro dos carros por dia. Com a ajuda da tecnologia, a empresa afirma que as pessoas deixarão de desperdiçar o tempo dentro do veículo, com alguma atividade útil, como cuidar da saúde. “Temos um projeto de integrar um sistema de saúde dentro do carro, que fará perguntas de rotina, como se o motorista mediu o nível de glicose ou se exercitou naquele dia”, diz Jennifer.

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Outro novo recurso em desenvolvimento pela Ford é usar computação em nuvem para criar um histórico das viagens do dono do carro, de modo a personalizar sua experiência no carro. “Queremos que o sistema seja capaz de prever o local que você está indo, com base nas informações de trajetos e compromissos passados”, diz Johannes Kristensson, engenheiro de pesquisas da Ford. Ainda no papel, o projeto depende de conexões de internet mais rápidas e estáveis para veículos em movimento, além de uma legislação para proteger a privacidade dos usuários do sistema.

Tecnologia para prevenir acidentes

Na Ford, os engenheiros também pesquisam um novo tipo de rede sem fio (Wi-Fi). Em vez de conectar os carros à internet, esta nova rede conectará o sistema dos carros que estão nas ruas e avenidas. Sensores instalados em várias partes do veículo permitirão que um carro “perceba” se o motorista do outro está perdendo o controle e, sem o comando do motorista, “decida” a ação mais segura a fazer. “Esta tecnologia pode prevenir 81% dos acidentes”, disse Kristensson.

Sistema MyFord Touch, da Ford, é instalada no painel do veículos e acessada por meio de uma tela sensível ao toque
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Sistema MyFord Touch, da Ford, é instalada no painel do veículos e acessada por meio de uma tela sensível ao toque

No sistema automotivo da Kia, um novo recurso identifica quando o carro sofre um acidente de trânsito e, 10 segundos depois, inicia uma ligação automática para a polícia com o viva-voz ativado. Desta maneira, mesmo que o acidente tenha sido grave e o motorista esteja preso entre ferragens, consegue pedir socorro. Em paralelo à ligação, o sistema também envia a geolocalização do veículo para a polícia para acelerar o resgate.

Apesar dos benefícios, estas novas tecnologias ainda não estão disponíveis comercialmente. De acordo com as montadoras, o processo de levar os novos recursos do laboratório para os carros à venda deve demorar entre dois a cinco anos.

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