Criador do Megaupload morava em mansão de US$ 23 milhões de dólares até ser preso

Já faz anos que as belas mulheres, grandes somas em dinheiro e passeios em carros luxuosos fazem parte da vida de Kim Schmitz, 38, fundador do site de compartilhamento de vídeos Megaupload. Mais conhecido como Kim DotCom, devido a uma mudança oficial de nome, o hacker alemão teve seu dia a dia de mordomias interrompido na última quinta-feira (19).

LEIA TAMBÉM:
Anonymous ataca sites da Warner e Universal para defender Megaupload
Veja o vídeo da prisão dos responsáveis pelo site Megaupload

Kim DotCom, do Megaupload: programador gostava de exibir suas aquisições na web
Reuters
Kim DotCom, do Megaupload: programador gostava de exibir suas aquisições na web
Sob acusação de pirataria pela internet e lavagem de dinheiro por meio do Megaupload, policiais da Nova Zelândia, em ação coordenada pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos, prenderam DotCom , em sua mansão avaliada em US$ 23 milhões, na cidade de Auckland.

Segundo relatos dos policiais foi difícil prender DotCom, já que ele se trancou com uma arma no quarto do pânico de sua residência, de onde foi retirado à força.

Junto com DotCom, os policiais levaram carros importados que, juntos, representam mais de US$ 6 milhões. A coleção de DotCom incluía um Cadillac 1959 Rosa e um Rolls Royce.

Além disso, a polícia levou mais de US$ 10 milhões em espécie, guardados na mansão do criador do Megaupload. Pouco tempo depois, DotCom também perdeu a fonte de toda a sua riqueza: o FBI tirou o Megaupload do ar.

Vida suspeita começou em 1998

Apesar da surpresa na ação da polícia da Nova Zelândia, DotCom está acostumado com a atenção da Justiça. Nascido na cidade de Kiel, na Alemanha, em janeiro de 1974, ele começou a se interessar por empresas de tecnologia já com 20 anos, quando fundou a Data Project, uma empresa de segurança para computadores que acabou falindo em 2001.

Com a explosão do uso de internet, DotCom começou a se envolver com hackers de outros países, incluindo os Estados Unidos. Isso o levou a ser procurado pela Justiça americana já em 1998, por vender cartões telefônicos roubados que ele comprava de hackers do país. No mesmo ano, DotCom ficou na cadeia por três meses na Alemanha acusado de enriquecimento ilícito.

A investida seguinte deu certo: ele fundou o Megaupload em 2005, para compartilhar qualquer tipo de arquivo por meio da internet. Atualmente um dos sites mais visitados da web, o Megaupload é uma ferramenta útil para empresas e internautas que querem transferir grandes arquivos por meio da internet. Entretanto, o site também é um destino popular para troca de cópias ilegais de filmes, músicas, software, entre outros conteúdos protegidos por lei.

Vídeos reafirmam poder

Apesar de não ser tão famoso assim nos EUA, é difícil para a maioria das pessoas esquecer a figura de DotCom, com seus cerca de 130 quilos e sotaque alemão. Um dos motivos são os vídeos, financiados por ele próprio, em que ele aparece rodeado de mulheres, jogando videogames, com copos de bebida na mão e dirigindo carros estilosos. São diversos vídeos, encontrados no YouTube, que incluem até “documentários” sobre suas viagens por cidades da Europa.

DotCom foi preso em sua casa, na Nova Zelândia, avaliada em US$ 23 milhões
Reprodução
DotCom foi preso em sua casa, na Nova Zelândia, avaliada em US$ 23 milhões
Embora faça questão de mostrar toda a riqueza que conseguiu com o Megaupload, DotCom parecia tranquilo sobre a adequação do site às leis de pirataria dos EUA. A empresa mantinha cerca de mil servidores no estado de Virgínia (EUA) e, quando solicitada pela Justiça, retirava do ar conteúdos em desacordo com a lei de direitos autorais. Ao atender os pedidos, DotCom tentava retirar a responsabilidade pela pirataria do Megaupload e deixá-la com os usuários que compartilhavam conteúdo ilegal por meio do site.

A estratégia, ao que parece, não deu certo. De acordo com o FBI, a Justiça americana tem provas de que o Megaupload lucrou mais de US$ 175 milhões com os negócios relacionados à pirataria de conteúdo. No documento, a Justiça americana chama o Megaupload de "uma empresa criminosa global que tem membros engajados com lavagem de dinheiro e infrações de direitos autorais em escala massiva."

O fato é que, independente de o conteúdo armazenado no site ser legal ou não, os mais de 150 milhões de usuários cadastrados no Megauploads estavam tornando DotCom ainda mais rico. De acordo com o relatório da Justiça dos EUA, somente em 2010, DotCom ganhou, sozinho, cerca de US$ 42 milhões.

A quantia é o suficiente para comprar mais casas e carros luxuosos, gastar com festas, belas mulheres e até para financiar novos shows de fogos de artifício milionários . Contudo, se considerado culpado, ele pode demorar a aproveitar o dinheiro: a pena pelos crimes de pirataria pela internet pode chegar a 20 anos nos EUA.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.